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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Felipe Santos

Recebo hoje aqui no Literária 15 meu grande amigo Felipe Santos. O autor optou por manter um mistério a respeito de sua imagem, por enquanto, por isso você deve estar estranhando a foto ao lado. Mas nem por isso é possível esconder todo o talento do escritor nessa obra fantástica que já é um sucesso na internet.

Felipe construiu uma obra densa, a lenda do vampiro extravasada em sua essência clássica dentro de um ambiente medieval. Apesar da extensão do livro, o autor não deixou o ritmo de suspense e ação se perderem ou ficarem exaustos. Pelo contrário, sua capacidade de descrição torna os capítulos atraentes, capturando o leitor do início ao fim.

Primando pelo gênero, o escritor confere a um personagem em franca transição entre humanidade e vampirismo uma estrutura esteticamente perfeita, a simetria entre seus pensamentos e angústias e sua ação são dignas dos melhores autores do gênero. Encontramos na obra toda a dignidade do mito, o vampiro em sua expressão majestosa, a realidade fantástica que conquistou a humanidade. Mas isso não é tudo, a grandiosidade da obra também pode ser percebida nas descrições de lugares como a Floresta das Trevas, e também no ambiente das relações humanas, conflitos de camponeses, na convivência dos outros personagens, nas ligações e interatividades de ambos. Resumindo, é uma obra de excelente bom gosto, mais um livro de ouro, tecido pela engenhosidade de um verdadeiro mestre que vem ganhando espaço e admiração na Literatura Brasileira.

Ultimamente temos visto autores de diversas partes do mundo reinventando a lenda do Vampiro, muitos ambientes são criados ou adaptados, o lado científico, teen, entre outros. Você optou por um ambiente medieval, mais clássico. Com que olhos você vê essas adaptações "modernas"? Pretende adicionar também alguma novidade ao mundo do vampirismo?
A lenda dos vampiros sempre foi demonstrada de diferentes maneiras desde sua "estréia" com Bram Stoker com o clássico Drácula. Eu prefiro a linha clássica dos vampiros como seres noturnos, reservados, sensuais e assassinos, tal qual a linha seguida pelo Bram Stoker e André Vianco, só para citar alguns autores. Confesso que não gosto muito de algumas dessas adaptações "modernas" dos vampiros, mas respeito o trabalho. Gosto bastante, por exemplo, da roupagem dada no filme "Deixa ela entrar". No livro O Preço da Imortalidade, tentei tornar os vampiros fiéis às lendas, com algumas pequenas adaptações. O livro se passa sempre à noite e é todo centrado nos vampiros, suas intrigas, inveja, ambições e desavenças. O diferencial do livro é ser ele todo narrado na Idade Média.

"O Preço da Imortalidade" é uma obra onde o psicológico de um homem que se encontra na transição, de um mero mortal para um vampiro, de maneira incrível. Tecer essa mente, levando em consideração o fator tempo que nos remete à Idade Média, deve ter envolvido muitos aspectos. Rolou mais inspiração, pesquisa, ou quem sabe ainda projeção de autor no personagem? E como essa experiência mexeu com você para os próximos livros?
Rolou de tudo um pouco. A pesquisa foi fundamental para montar todo o cenário do livro e torná-lo o mais real possível, mesmo para uma obra de ficção. William, o protagonista, é um camponês e como todo camponês é extremamente católico. Ele busca redenção, pois acredita que está amaldiçoado, ao mesmo tempo em que ele precisa honrar à memória da família procurando pelo seu assassino. Redenção e vingança é o que ronda a mente de William. Acredito que todo personagem leva uma parte da mente e alma do autor e com William não é diferente, embora eu me identifique mais com outros personagens do livro. Minha experiência com William foi realmente tentar imaginar como seria essa transição de um ser mortal católico para um ser eterno, assassino e amaldiçoado.

Em "O Preço da Imortalidade" é celebrado o encontro de diversos gêneros, terror, suspense sobrenatural, além de muita ação. Como foi reunir e harmonizar tantas vertentes? Você acredita que hoje em dia os gêneros estão cada vez mais unidos, quase que tornando algumas obras "irrotuláveis"? Ou essa seria uma tendência antiga que vem apenas ficando mais visível?
Na verdade eu sempre gostei de livros que misturam gêneros. De todos o mais difícil é manter o suspense. Nunca gostei daqueles finais que nem em um milhão de anos você adivinharia porque o autor não deu nenhuma pista; ao mesmo tempo você, como autor, não quer que as pessoas descubram logo de cara o mistério final. É uma linha tênue bastante difícil. Os demais gêneros eu consegui lidar mais fácil, embora algumas leitoras "reclamem" a ausência de um romance no livro. Posso estar enganado, mas acredito que essa mistura de gênero é mais atual, tanto que temos um vampiro que se apaixona; Crespúsculo é um livro que reúne sobrenatural e romance. Sussurro também segue a mesma vertente. Já o Jogo do Anjo de Carlos Záfon mistura policial, drama, romance, sobrenatural e um certo humor negro num livro só.

Você mantém um blog formidável na internet, onde o endereço é o nome do personagem. Qual é o nivel da interação entre a obra e o blog? Eles se complementam dentro da trama, ou é um espaço voltado mais para contato com leitores e divulgação?
O blog foi criado com o intuito de aproximar o autor com o público e divulgação. No blog estão, por exemplo, resenhas do livro feitas por blogueiros e leitores, além de um espaço onde os leitores podem tirar dúvidas sobre a obra ou seu processo de publicação. Futuramente penso em divulgar contos que mostrem determinados personagens do livro como forma de complementar a obra.

Nas descrições sobre as sensações do jovem "Willian Brenauder" em "O Preço da Imortalidade" percebemos toda a intensidade de uma brilhante trama de vampiros. Transformação agonizante, os temores, incertezas, tudo é brilhante. Essa descrição profunda é uma marca do seu estilo, ou foi algo aprendido, ou desenvolvido, para esta obra?
Obrigado pelo brilhante (rsrsrsrs). Acredito que aprendi muito escrevendo esta obra e essas sensações do William foram parte desse processo de aprendizagem. Determinadas cenas foram bastante trabalhadas na minha mente antes de irem para o papel e esse amadurecimento da inspiração ajudou a compor a obra. A revisão também ajuda. O Preço da Imortalidade foi revisado cinco vezes por mim.

Podemos esperar por uma sequência na saga de "Wilian Brenauder"? Você tem outros projetos fora do mundo do vampirismo, ou pretende dedicar-se com exclusividade ao tema?
Os leitores têm pedido uma sequência, então já comecei a esboçar uma continuação. No momento tenho outros projetos que fogem do vampirismo. Será uma história mais atual e que se passa no Brasil, seguindo essa linha de suspense sobrenatural e terror, que é o que eu realmente gosto. Eu gosto muito do tema vampirismo, mas quero expandir para outros temas do sobrenatural.

Como um autor da nova geração, como você enxerga as possibilidades do mercado editorial para os autores brasileiros?
Acredito que hoje já há uma aceitação melhor do público pelas obras nacionais e isso, aos poucos, vêm mudando o pensamento das livrarias. Outro dia foi na Livraria Nobel, por exemplo, e fiquei admirado com o espaço dado aos escritores brasileiros. Acredito que ainda há muitas dificuldades para a publicação de um manuscrito nacional (eu mesmo levei mais de cinco anos para publicar O Preço da Imortalidade), mas estou vendo muitas editoras apostando suas fichas nos escritores brasileiros.


O Preço da Imortalidade

Uma revolta de camponeses nas terras do nobre inescrupuloso Truman em 1213 termina sem vencedores. Três dias depois da luta William Brenauder acorda preso numa masmorra escura e úmida. Um jovem camponês de apenas dezesseis anos descobre que escapou da morte ao se transformar na temida criatura condenada a sugar eternamente o sangue dos homens. Seu lar não existe mais, toda a sua família foi morta por um vampiro e todos os acontecimentos do dia da revolta estão apagados da mente do jovem. Arrastado para um novo mundo onde os fracos sucumbem e a justiça não existe, William descobrirá que intrigas, inveja e orgulho ditam as leis dos imortais. Mas agora o secular jogo de poder entre os vampiros está prestes a mudar. Dividido entre o desejo de vingança contra o desconhecido assassino de sua família e o medo de perder o que resta de sua humanidade, o camponês terá que trilhar uma linha perigosa entre o bem e o mal. Seu lado mais negro está cada vez mais perto de assumir o controle e a chave do mistério está nas suas memórias perdidas. O tempo está correndo contra ele e, mais cedo ou mais tarde, o jovem descobrirá que na vida ou na morte a imortalidade tem seu preço.

Autor: Felipe Santos
Editora Novo Século
Páginas: 544
Lançamento: Ago/2010
Onde comprar: Nobel, Travessa, Cultura, Submarino, Saraiva, Fantástica (esta última fornece o livro por apenas 35 reais com frete incluso e uma dedicatória exclusiva do autor).
Mais informações sobre o livro podem ser encontradas no blog williambrenauder.blogspot.com e no skoob www.skoob.com.br/livro/122243, onde conta com resenhas feitas por leitores, incluindo o autor Nelson Magrini.

Luís Delgado