Um novo conceito em Blog Literário!

Espaço dedicado à divulgação de autores brasileiros, além de matérias e dicas sobre Literatura.
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Busca do Literária 15

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Férias

Estamos de Férias!!!

Aproveite o momento para navegar no arquivo do blog.


Voltamos em breve com novidades!


Atenciosamente,
Luís Delgado

Até breve!

Olá pessoal!

Até aqui foram 24 artigos e entrevistas, sem contar o pessoal do Poética 15. Estamos saindo de férias neste aniversário de 1 ano do Literária 15 e voltaremos a qualquer momento.

Muitíssimo obrigado por todo o carinho de vocês até aqui.

Aconselho a navegarem pelas matérias e entrevistas, há muito artigo bacana e entrevistas com grandes autores, os livros são eternos, tanto a primeira entrevista quanto a mais recente trazem obras de grande valor e sempre atuais.

Aproveite, nos vemos em breve.

Atenciosamente,
Luís Delgado

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Edson Moura

Recebo hoje aqui no Literária 15 meu grande amigo Edson Moura. Um autor capaz de canalizar o mundo a sua volta com perfeição e talento para dentro de uma obra cuja premiação é inevitável. Nascido na cidade de Guarulhos – SP. Morou parte da infância em São Bernardo do Campo, presenciando a movimentação de metalúrgicos do final da década de 70 e início dos anos 80. Mudou-se para o sertão baiano, vivendo e colhendo as imagens desse universo árido e fantástico que serve de palco para suas histórias. Conquistou menção honrosa em alguns concursos de conto, que serviram como estímulo para publicação de seu primeiro livro, O Silêncio das Vespas. Atualmente, reside no agreste pernambucano.

Seus contos transmitem emoções e pensamentos profundos, de uma maneira singular; somos levados pelas histórias, persongagens, encontros e desencontros a refletirmos sobre as muitas facetas da realidade a nossa volta.

Personagens ricos e imersos a dramas intensos povoam o sua obra desafiando os conceitos mais rígidos. Afinal, desafio é uma tendência em sua escrita, impulsionado às novas experiências literárias, o autor não teme arriscar e triunfa de maneira esplêndia, coroado por dignos reconhecimentos. Um grande escritor, sua consequência: uma grande obra.

"O Silêncio das Vespas" é um livro de contos com temática variada. Tratam-se de contos escritos ao longo da vida, ou foram criados especificamente para essa obra?
Reunir contos para agrupa-los em um livro é sempre um trabalho delicado. Pois há uma preocupação, mesmo que intuitiva, de como as histórias serão ordenadas; se há semelhança quanto a temáticas destes contos; se há um distanciamento, entre um conto e outro, quanto às estruturas linguísticas e etc. Quando estava estudando sobre quais histórias iria colocar no livro, procurei não ter em mente estas preocupações, visto que, alguns contos foram escritos a mais de dez anos e outros, recentemente. Mas consoante a essa falta de preocupação: seguir determinadas regras ou especificar tipos de contos para um determinado livro, existia, por mais paradoxal que pareça, um compromisso em achar algum elemento que concatenasse as histórias. Para meu espanto estes elementos estavam lá, escondidos entre a construção dos personagens. Posso afirmar que “O silêncio das Vespas” foi idealizado ao logo de um pedaço de vida, sem intenção de um dia se tornar uma obra concreta, mas acabou se tornando.

Segundo você, os personagens são criados com base em sondagens do inconsciente. Para a construção dessa base rolou mais pesquisa ou experiência própria, intuição?
A sondagem do inconsciente, e também do subconsciente, mesmo intuitivamente, sempre existiu na literatura, partindo dos tempos Homéricos até chegarmos às expressões literárias contemporâneas. É imprescindível conhecer as artimanhas do inconsciente, principalmente quando estamos “criando” uma personagem. Concordo muito com as palavras do escritor pernambucano Raimundo Carrero, no qual ele afirma veementemente que:”no momento em que estivermos criando uma personagem, devemos ser, naquele instante, aquele personagem, seja ela qual for. Caso contrario, fracassemos”. Se em uma história tivermos três personagens, serão três mentes, ou três inconscientes com características diferentes. Seria como se estivéssemos representando numa peça de teatro com três personagens, só que transcrevendo para folha a história e o enredo: com seus conflitos, etc. No meu livro houve a presença de três recursos: a intuição, bastante trabalho e as experiências vividas, estas últimas são a matéria prima mais importante para construção dos personagens.

Seus contos são incríveis, há neles um verdadeiro duelo na mente humana entre presente e passado. Todo esse universo dos seus contos trata-se de um estilo a ser expresso em outras obras?
A todo instante presenciamos este conflito. O consciente humano se confrontando com os pensamentos que a mente produz. Pensamentos estes que podem estar no passado, presente ou futuro. Este tipo de “prisão”, no qual os personagens de “ O silêncio das Vespas” estão inseridos, não é um estilo ditado pelo autor, e sim pelos próprios personagens. Por exemplo, no meu segundo livro que sai em Julho, se tudo der certo, o conflito entre mente e tempo não existe, porque na construção da personagem principal não foi exigido este estilo. Já no terceiro livro que sai em dezembro deste ano, é muito forte a presença de acontecimentos nos passados na vida dos personagens. O estilo oscila de acordo com a confecção da personagem.

Em "O Silêncio das Vespas" você usa e abusa da experimentação. Dentro dessa abordagem de inovar, há um interesse seu por se lançar em obras de outros gêneros, ou ainda escrever livros de não-ficção?
Experimentação pode ser uma “faca de dois gumes” para o escritor. Se pretende escrever e publicar uma obra literária explorando recursos que façam com que o conto fuja das formas vigentes, ao mesmo tempo que esta prática possa lhe agradar, também pode desagradar o público leitor, ou pode agradar bastante, isto vai depender do gosto de cada leitor ou grupos de leitores. Além disso as experimentações que eu ou qualquer outro escritor possa fazer dentro de sua obra, podem ter sido feitas por outros escritor em alguma parte do mundo, pois milhares de obras literárias são publicadas a cada momento. Como exemplo temos o romance “A sangue frio” de Truman Capote, que o lançou como sendo uma nova forma literária, o chamado “romance não-ficção”. Podemos encontrar estes mesmo elementos linguísticos contidos na obra de Capote em “Os Sertões”de Euclides da Cunha, escrita décadas antes. É preciso ter um pouco de cuidado quando o assunto é experimentação. Mas, sem dúvida, o grande trunfo do escritor que procura inovar é que este consegue construir seu próprio universo literário com maior liberdade: com recursos estéticos próprios, novas formas de expressa sensações, criando assim a personalidade do autor. Nada impede que um escritor fique preso a um mesmo tipo de gênero, posso trabalhar a ficção, a não-ficção, o teatro, usar fragmentos de uma peça de teatro como conto, o prelúdio de um romance como conto e etc. Faço muito isso em meus livros, assim como outros autores.

O sertão baiano serviu de palco para sua imaginação. Como você vê a relação de autor e ambiente a sua volta, mais especificamente o lugar onde se reside?
Nasci em Guarulhos, SP, num momento em que o Brasil passava por profundas mudanças: o país estava saindo de uma ditadura, o ambiente paulistano no qual eu estava inserido era o ABC, com toda aquela agitação de metalúrgicos, o coração da indústria Brasileira. “E de um instante para o outro, por motivos de força maior, estava morando no município de Jaguararí, num lugar chamado Pilar,” Lugar Mágico” como costumo afirmar para mim mesmo,lugar no meio do sertão baiano. Foi neste ambiente árido e cheio de mistérios que comecei a construir meu universo literário, não é necessário ter em mãos papel e lápis para criar uma história. Me embreava na caatinga com meus amigos, caminhávamos léguas de distancia, subindo em morros, vendo toda aquela vastidão, vendo tudo aquilo como se realmente estivesse dentro de um historia, as nossos próprias aventuras. Para poder construir uma obra o autor precisa antes, construir seu próprio mundo literário, para então convidar o leitor a entrar neste mundo e desfruta-lo a sua maneira. Este mundo, muitas vezes, é o próprio ambiente onde moramos ou já moramos, com os amigos e tudo mais. Sendo estes disfarçados com transfigurações e metáforas. Simplesmente.

Você conquistou menção honrosa em alguns concursos de contos. Como esses prêmios mexeram com seu propósito de escritor? Conte-nos essa experiência.
Fiquei surpreso e um pouco assustado. Não imaginava que uma comissão julgadora fosse escolher meus textos e coloca-los entre finalistas de um concurso, e em seguida publica-los em antologias com menção honrosa. Aconteceu por acaso. Sempre compartilhei meus textos com amigos. Alguém me mostrava um poema ou uma crônica e eu presenteava com um de meus textos. Chegou o momento em que um amigo, o escritor e poeta Jonatas Bezerra, começou a me enviar links de concursos literários, me incentivando a participar. Os prêmios literários são de extrema importância para os escritores que estão iniciando seus trabalhos literários. Pois além de incentivar, ajuda a colocar o autor no caminho para a concretização de sua obra. Mas independente de qualquer prêmio ou menção honrosa que o autor venha a receber, deve haver um compromisso continuo com sua própria obra. Com aquilo que ele escreve. Deve estar sempre tendo contato com as novas concepções literárias, ler novos autores, conhecidos ou não, saber o que é contemporâneo, estar cientes de que podemos, através da literatura, fazer a diferença. É importante ter consciência de que para sermos bons escritores é necessário bastante trabalho e força vontade para ver nossa obra concluída.

Como um autor premiado e instigado pela novidade, qual a sua visão sobre os rumos da Literatura Brasileira atualmente?
Tem crescido muito por parte do governo os programas de incentivo a produção literária. Editais oferecendo financiamentos e bolsas para publicação aparecem todos os anos. Mas ainda de forma muito seletiva. Isso acaba deixando muitos escritos bons de fora. Sendo estes obrigados a tirar dinheiro do próprio bolso para pagar a publicação, como acontece com 90% dos escritores brasileiro. Alias são poucos no Brasil os escritores que vivem de literatura. Para alguém sem suporte econômico-familiar, é desafiador trabalhar com literatura. O escritor tem que colher pelo caminho tudo que posso ser usado para ajudar no seu trabalho. Mas em meio a estas dificuldades podemos enfatizar o número de livros publicados e editoras que crescem a cada ano, números bastante positivos. Cada vez mais, novos gêneros ganham espaço no mercado. A formar literárias marginais sendo difundida pelo país: a literatura policial, a literatura de mistério, a literatura fantástica. Tão importante em sabermos quem somos na literatura, é sabermos que rumos estamos tomando. E isso as novas gerações de escritores irá dizer. É preciso que o público, o governo, o mercado e o próprio escritor se atenham a esta responsabilidade.


O Silêncio das Vespas

Em O Silêncio das Vespas, o autor arquiteta narrativas com um olhar que capta cotidianos ambíguos e fantasiosos, explorando narrativas carregadas de um imaginário trágico e misterioso. Em suas páginas, representações ásperas de devaneios criados pelo inconsciente de personagens que não conseguem separar passado e presente: “Ela aguardava todas as noites a sua volta, sentada na rede de balanço, sentindo o vazio, como alma sem rumo. Com ansiedades de sentimentos que não amadureciam com o passar dos dias, com vestidos engomados e cheirando a ventos passados”. Na construção psicológica dos personagens, surgem conflitos vindos de acontecimentos do passado, mostrando narrativas que misturam realidade e mitos oriundos da relação intrínseca do tempo com a alma: “Não haveria como voltar, afinal, tudo passa. Mas havia conquistado a liberdade de estar ali, à beira de um rio de tempo, observando suas águas correrem na direção que a natureza impusera, observava, apenas”.

Editora: Baraúna http://www.livrariabarauna.com.br/
Autor: Edson Moura

Luís Delgado

DJ dá o play no áudio-book

Muito se tem falado ultimamente em e-books, mas não podemos nos esquecer de uma modalidade bem antiga de alternativa literária e que ainda mantém seu espaço nas grandes livrarias. Estamos falando dos áudio-books. Quem já não teve o seu? Havia uma época em que predominaram verdadeiras coleções de obras nesse formato, principalmente as do gênero infantil.
Tanto os formatos que acompanham CD e livro, quanto os formatos em que se vende apenas o CD substituindo a parte impressa.
Mas recentemente esse método já foi estendido a muitos outros gêneros, como por exemplo, clássicos de Machado de Assis e outros gigantes da nossa Literatura.
Talvez herdeiros das radio-novelas, ou quem sabe a evolução dos contadores de história que narravam aventuras nas praças das cidades na antiguidade.
O fato é que é impossível não reconhecer a tonicidade que a narração em áudio proporciona ao texto. Provavelmente você sabe bem do que estou falando se já passou por uma experiência dessas anulando todo o ambiente ao redor, apagando luzes, procurando um local silencioso, entre outros. A imaginação é levada a um diferencial extremo, sem pausa, conduzido pelo locutor, as emoções são muitas vezes intensificadas, o ambiente se torna mais real, quase tocável, com sons típicos e toda as qualidades, desde que o material seja bem elaborado, diga-se de passagem.
Qualquer gênero pode ser adaptado para esse formato falando-se em ficção, talvez partindo-se da premissa de que qualquer história possa ser contada. Enfim, não pense que se trata de um artifício do passado, pelo contrário, o áudio-book se aprimorou no tempo, extensivo a cursos de idiomas, histórias infantis voltadas para a educação básica, e os para lazer também, não se fala em escrever direcionado para tal método, mesmo porque o sonoplasta vai imprimir sua marca na interpretação da sonoridade do ambiente, os locutores vão criar em conjunto características próprias para as peculiaridades dos personagens, entre outros.
Há muitas editoras que realizam esse serviço, por não ser visto como muito comum, pode ser seu diferencial na hora de destacar-se no mercado editorial, portanto considere bastante essa possibilidade, pode ser uma carta na manga e no mais, com certeza vai acrescentar muito na sua experiência como escritor.

Sucesso!
Luís Delgado

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Marcelo Vinicius

Recebo hoje aqui no Literária 15 meu grande amigo Marcelo Vinicius. Um escritor virtuoso que nos traz um livro onde o mergulho nas questões humanas é extremamente profundo e revelador. Sua obra relata uma história real, marcada pelos anseios humanos, proporcionando uma investigação impressionante, rica em detalhes e que pode ser transferida para aspectos próprios dos leitores.

Levar a se conhecer, dentro de uma cativante trama, o autor consegue estabelecer um grande vínculo atrativo, dono de um estilo que consegue harmonizar ficção e realidade de maneira única.

Na estrada de excelentes autores, esboça sua visão de mundo, suas concepções artísticas, sua alta capacidade de observação e pontos de vista fortemente transformadores. Traz grandes questões, esboça dilemas fortes, e nos revela um talento incrível, mais um grande nome da nova literatura brasileira.

"Desafios de uma mente" é uma obra que transportou uma história real para a Literatura. Até que ponto essa transmutação foi incrementada com ficção? Os conflitos mentais dos personagens tiveram de se adaptar à história, ou aconteceu o inverso?
A ficção nessa obra foi à mínima possível. O que foi modificado tinha como intuito somente de manter a privacidade do indivíduo. Já a história teve que se adaptar aos conflitos mentais. Era necessário que a realidade, tanto objetiva como subjetiva, fosse defendida ao máximo. Por isso esse caso foi acompanhado, analisado e as questões mais intimistas do sujeito, foram relatadas por ele.
A insanidade é um mal ainda incompreendido pela sociedade, mas já rendeu bons frutos para as artes, principalmente para a literatura e aqui não é diferente. Na obra há uma mistura de dados biográficos com uma roupagem ficcional.
Houve uma época que esse tipo de literatura irritava muito os críticos, porém Lima Barreto ousou ao se expor nas próprias obras de ficção. Assim ele acabou criando uma literatura que transgrediu códigos e venceu limites entre vida e obra, lucidez e loucura. A partir desse feito, fosse na ficção, nas crônicas, etc. o que interessava era dizer o indizível.
É do seu estilo uma literatura realista. E valoriza essa característica mesmo que permeada no gênero fantástico. Existe a curiosidade, ou a intenção, de um dia mergulhar nesse gênero? Mantendo ou não o realismo?
Não penso como será a minha nova escrita, no que se fere ao gênero. Eu deixo que as coisas aconteçam, mas não abro mão do realismo. Posso mudar de gênero, mas não do estilo de escrever. Porque, para o bem e para o mal, o verdadeiro escritor escreve sobre a realidade que sofreu e de que se alimentou, embora, às vezes, possa fazê-lo sobre histórias distantes no tempo e no espaço. Então, se um dia eu me envolver com o gênero fantástico, irei manter o realismo, pois, para mim, o escritor de nosso tempo deve se submergir na realidade, não importando depois como essa realidade irá ser contada.
Por isso, procuro desenvolver uma literatura realista, e isso não tira o mérito das obras fantásticas, pelo contrário, sou a favor também, contanto que tenha pontos de contato com a realidade, no sentido do sentimento, do dilema humano. Se as questões humanas estão sendo abordadas, não importa o gênero da obra, o que vale é o fato subjetivo e objetivo, pois para que o livro seja significativo para o leitor, é preciso que a realidade permeei a obra.

Hoje em dia autoconhecimento é um termo que remete, muitas vezes, a livros orientadores, de um caráter quase técnico. No seu caso, é proposta uma análise dentro de uma trama. Como você avalia a reflexão nesse tipo de obra?
Nessa obra não há necessariamente uma proposta de uma análise dentro de uma trama, mas sim a visão que o personagem tem do mundo e que depois é desmerecida ou não é a única forma de ser entendido. No livro “Desafios de uma mente” não há ninguém, nenhum tipo de autor, como nos livros de orientadores, resolvendo os seus problemas. Pelo contrário, há nela uma vida intrigante para que o leitor possa resolvê-la de acordo com a sua capacidade, em vez de receber algo pronto. A literatura não é um padre, não está lá para ditar sua vida. Até porque a vida é mais complexa que tais orientações.

Um dos papeis da literatura é levar o leitor para uma vida que ele jamais viveu (ou se viveu, apresentá-la com outro aspecto) e assim torna-lo mais conhecedor.
Sobre a questão técnica, tem uma frase de Ernesto Sabato que diz mais ou menos assim: “A literatura não faz filosofia, ela vive a filosofia”.

Na abordagem de conflitos humanos como solidão, paranoia, angústia, entre outros, rolou mais pesquisa com profissionais, outros livros, amigos, conhecimento próprio? Ou quem sabe um equilíbrio de ambos?
Por mais que possamos adquirir conhecimentos em livros e amigos, lá no fundo, eles remetem uma questão só nossa. Pois, vivemos em dois mundos, o mundo real e o mundo que podemos ver, perceber, e este é o que fica em nós, internalizado. Esse mundo interno não são as lembranças de experiências reais; são o depósito introjetado dessas experiências, mas modificado pelo processo de introjeção. Então, a representação da realidade, seja por amigos e livros, é permeada pela existência de fantasias subjetivas. Assim, a abordagem desses conflitos, quando vou passar para o papel, é um conhecimento de certa forma adquirido, por livros ou pela experiência de vida, porém é modificado de acordo com a minha capacidade e paixões.
A literatura, como a filosofia, a psicanálise e a ciência, é um corpo de conhecimento e então ela precisa manter na sua história uma descrição, uma indagação, um exame do drama do homem, de sua condição, de sua existência e nada melhor que a percepção do próprio autor na obra.
Mesmo que um livro fale de vampiros, de monstros ou simplesmente de humanos precisa de uma conexão com o íntimo do homem e quando digo o homem, é o próprio autor, pois a literatura é a testemunha de uma vida. Dessa forma, meus personagens não são jamais meros efeitos de minhas ideias, ou simples conhecimento adquirido, mas antes a manifestação carnais dessas ideias. Prendo-me numa questão metafísica, pois por mais que um romance levante questões como os problemas familiares e econômicos, que é o caso da obra “Desafios de uma mente”, sociais e políticos, em que os homens se debatem, estão sempre os problemas últimos da existência: a angústia, o desejo, a perplexidade e o temor da morte, o anseio de eternidade, a revolta diante do absurdo da existência.
Tem uma frase de François René que diz: “Estamos convencidos de que os grandes escritores colocaram a sua própria história nas suas obras. Pinta-se bem apenas o próprio coração, atribuindo-o a um outro."

Você atribui aos romances dos séculos XX e XXI uma nova abordagem humana, filosófica, existencial, científica. Como enxerga essa tendência hoje em dia? Acha que enfraqueceu, fortaleceu, ou segue para uma nova reestrutura ainda mais profunda?
Eu acredito que o romance contemporâneo que leva uma nova abordagem humana não enfraqueceu, ela continua e se fortalece. Podemos ver grandes obras de Ernesto Sabato e José Saramago, este o primeiro escritor de língua portuguesa a ganhar o prêmio Nobel de Literatura, por exemplo, como também a obra “As Virgens Suicidas” do escritor Jeffrey Eugenides, vencedor do Pulitzer Prize.
O que acontece é que, paralelamente as essas obras, surgiram várias outras, Best-seller, como o Crepúsculo. Informo que não tenho nada contra a elas, pois o que quero dizer é que os personagens dessas narrações somente veem e sentem. Mas o homem é algo mais do que um sujeito sensorial, é um animal que salta do caos dos sentidos para a ordem dos objetos ideias, onde se perde no inconsciente de sua solidão ou comunidade, de sua finitude ou mortalidade, da ausência ou presencia de Deus.
Assim, com essa recente explosão vampiresca deu a impressão que obras como dos escritores que acabei de citar estão perdendo força, o que não estão. Elas continuam sendo bastante vendidas e encontramos até Best-Seller também nesse estilo. Há uma explosão passageira como há um silêncio eterno.
Tem quem diga que a literatura está em crise, está desumanizada, que perdeu a ligação com o íntimo mais profundo do ser humano, mas essa afirmação é verdadeira em partes, pois existem muito escritores humanizados. O que está ocorrendo também é que o público perdeu a sua essência, deixaram de serem homens para se tornarem objetos fabricados em série, moldados por uma educação padronizada, sacudidas pelas notícias da mídia, coisificaram o homem. Entretanto o verdadeiro escritor continua lá e graças a sua incapacidade de adaptação, a sua loucura conservou contraditoriamente os atributos mais preciosos do ser humano.
O que está em crise não é a literatura, ou a arte em geral, mas o conceito burguês caduco da “realidade”, a crença ingênua na realidade externa.

"Desafios de uma mente" mergulha na essência do ser humano com muita propriedade. Mesmo relatando a história de um jovem, consegue deixar ensinamentos e levar à reflexões pessoas de outras faixas etárias. Foi uma preocupação desde o início manter essa linha, ou a história já dava sinais de que alcançaria este fim?
A verdadeira literatura é a que representa a angústia do homem pós-moderno. Então quando uma obra conta uma história, seja ela qual for, a história em si não é tão importante, mas sim o dilema humano do personagem e por isso, mesmo que o livro relate um caso de um jovem, não impede que deixe ensinamentos e leve à reflexões pessoas de outras faixas etárias, pois constelam sentimentos profundos de apelo universal. E é exatamente por esse motivo que a arte nos sensibiliza de forma tão arrebatadora, pois ela está repleta de significados e experiências comuns a todos. Quem de nós nunca foi um Lucas na vida, seja de forma mais intensa ou mais branda, de uma configuração ou de outra? É isso que faz a obra “Desafios de uma mente”.

Você é um autor que genialmente já passou pela poesia, novela, romance, entre outros. Diante desta vasta experiência, qual a sua visão hoje a respeito da visão da sociedade brasileira no que diz respeito à importância da literatura?
Quando também se trata de literatura, a rapidez dos modismos, tendo por objetivo o consumo desenfreado, o lucro, passou a reinar na sociedade brasileira. É claro que não tenho nada contra um escritor receber dinheiro por sua obra. Mas escrever só para ganhar dinheiro é uma abominação. Eu, por exemplo, escrevo, mas não faço dela a minha fonte de renda. Se eu lucrar financeiramente com isso, tudo bem, mas caso isso não ocorra, não irei prostituir a literatura. Cursei duas graduações, a primeira foi na área de tecnologia e estou cursando a segunda na área médica, e isso não me impede de escrever; isso me impede de prejudicar a arte, pois não preciso destruí-la para ter dinheiro.
Hoje só querem escrever livros da moda, livros que possam se tornar Best-seller. Só que essa situação vai além de um prejuízo artístico, ela toca no ponto da vida humana, tanto o seu aspecto social como individual. Digo isso porque a literatura, como toda arte, é uma forma de tornar a experiência em algo expressivo, porque a linguagem é o único recurso que o ser humano tem e tudo aquilo que não é verbalizado, sem significado, nos domina, já que há aquelas questões obscuras, confusa, dentro de você e que você não sabe o que é. Assim, quando há uma expressão a coisa melhora.
Dessa forma, uma sociedade que não tem um número o suficiente de escritores, poetas é uma sociedade incapaz de verbalizar a sua experiência mais real, assim a vida se torna incompreensível e o falar se torna numa repetição estereotipada. A experiência coletiva se torna mais complicada, mais difícil. Antes a literatura tinha um poder de mudar alguma coisa. Hoje, muito pouco ela interfere no imaginário social. Em meados do século 19, com escritores como Tolstói, Dostoiévski, etc., a literatura estava no centro da arena dos grandes temas, da condição humana daquela época, daquele tempo. Tiraram dela aquela importância, que se confundia com a filosofia, a sociologia, com grandes visões de mundo.
Repito que não tenho nada contra a literatura de puro entretenimento, até porque muitos começaram a gosta de ler através dela, é um fato. O problema é que essa linha de entretenimento existe em detrimento da verdadeira literatura, a qual na vida pessoal, no ponto de vista do indivíduo, modifica profundamente. Ela coloca a nossa condição num patamar diferenciado.
Mas nem tudo está perdido, estamos numa geração onde os escritores têm mais condições de publicar os seus livros, já que há várias editoras, de vários gostos, dando oportunidades para novos escritores. Existem cada vez mais blogs na internet, onde as pessoas podem divulgar os seus escritos e ser lido. Temos novos escritores, na literatura brasileira, se destacando e até conquistando grandes editoras. Acho que essa área nunca foi tão aquecida como está sendo hoje e isso é muito bom. Espero que continue surgindo mais escritores, para o bem da nossa literatura.
O problema é que apesar dessa explosão de escritores, diferente da literatura brasileira dos anos 60, não há certas referências marcantes, como foi Clarice Lispector e Guimarães Rosa. Nós estamos numa fase agitada, não há um perfil marcante que possibilite dizer em que direção está indo a nossa literatura. Mas, é natural, estamos numa fase de transição.


Desafios de uma mente

A obra conta a história real de Lucas Santos, um jovem estudante de Psicanálise que sonhava em cursar também a faculdade de Medicina.
Lucas fica arrasado quando sua mãe, Kátia Fernandes, se separa de seu padrasto, surgindo, a partir daí, dificuldades financeiras para que pudesse completar seus estudos.
Este fato – entre outros – provoca, ainda, turbulências na relação com sua namorada, Carolina Almeida.
Ele, então, procura superar determinados problemas e percebe o quê poderia não só modificar o seu destino, mas também a sua mente, fazendo com que as coisas começassem a melhorar em sua vida. Essa percepção se dá com a ajuda de seu irmão, Thiago Santos. Porém, havia ainda muitos desafios pela frente.
Lucas é sinônimo de luta pela realização de seus sonhos (sociais, amorosos e pessoais) por meio das experiências pelas quais passa na vida.
Desafios de uma mente é uma história emocionante, que retrata os conflitos emocionais pelos quais passam muitos jovens (e outros nem tão jovens assim).

Editora MultiFoco
Ano de lançamento: 2011
Como adquirir: pelo site da editora MultiFoco: http://www.editoramultifoco.com.br/ ou com o autor, através do site: http://www.marcelovinicius.com/

Luís Delgado

Obra literária além da literatura

Muitas vezes citamos tendências nos artigos aqui do blog, mas o assunto que abordaremos hoje não possui uma data de nascimento específica. Com certeza você já se deparou com livros estruturados em tais moldes: gravuras, poesias, contos, podendo ainda ir mais longe, com acrósticos, sonetos e muitos outros.
São obras admiráveis e que revelam um enorme gosto de seus autores pelas mais diversas obras de arte. Com a facilidade de se publicar um livro hoje em dia podemos notar livros assim muito facilmente. Para início de conversa você deve se informar sobre um ponto básico a respeito dessa possibilidade, o registro.
Para adquirir os direitos autorais em livros com desenhos seus, estes desenhos devem ser registrados também, há considerações específicas sobre o registro de imagens, que você pode adquirir no site da Biblioteca Nacional.
Há quem utilize também imagens criadas por outros artistas, nesse caso lembramos para a importância de avisar o proprietário dos direitos e fazer referência a ele nos créditos da obra.
Um outro aspecto importante é o diálogo claro com o diagramador e também com o editor, pois é bem possível que ao selecionar incrementos gráficos, talvez você não tenha se dado conta de como exatamente eles e o texto vão estar relacionados nas páginas do miolo, portanto seja bem claro nas descrições e ao revisar a diagramação preste muita atenção.
No mais podemos discorrer sobre como tais livros causam tanto impacto, como agigantam a imaginação do leitor e facilitam sua compreensão a cerca da trama. Mesmo que indiretamente, pode ser também uma forte estratégia nas vendas, pois é inegável o poder persuasivo das imagens.
Na literatura infantil tal recurso é ainda mais forte, visto como captam a atenção do público mirim. Há autores que realizam uma verdadeira coletânea de tudo o que produziram e reúnem em obras assim, outros que dentro de uma essência, uma ideia comum, constroem todas estas vertentes para pluralizar uma mensagem, e o conseguem com excelência.
A ficção já teve suas dignas representantes, e continua tendo, vale a pena apostar nessa proposta. Se você quer se aventurar pelas várias faces e diálogos culturais da literatura, essa é verdadeiramente uma boa aposta, irá refinar sua visão artística e marcar sua carreira com um trabalho único. De tudo, é sempre uma grande oportunidade de aprendizado, não custa tentar, quem sabe seu universo múltiplo não se torna o próximo best-seller.

Sucesso!
Luís Delgado

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Felipe Santos

Recebo hoje aqui no Literária 15 meu grande amigo Felipe Santos. O autor optou por manter um mistério a respeito de sua imagem, por enquanto, por isso você deve estar estranhando a foto ao lado. Mas nem por isso é possível esconder todo o talento do escritor nessa obra fantástica que já é um sucesso na internet.

Felipe construiu uma obra densa, a lenda do vampiro extravasada em sua essência clássica dentro de um ambiente medieval. Apesar da extensão do livro, o autor não deixou o ritmo de suspense e ação se perderem ou ficarem exaustos. Pelo contrário, sua capacidade de descrição torna os capítulos atraentes, capturando o leitor do início ao fim.

Primando pelo gênero, o escritor confere a um personagem em franca transição entre humanidade e vampirismo uma estrutura esteticamente perfeita, a simetria entre seus pensamentos e angústias e sua ação são dignas dos melhores autores do gênero. Encontramos na obra toda a dignidade do mito, o vampiro em sua expressão majestosa, a realidade fantástica que conquistou a humanidade. Mas isso não é tudo, a grandiosidade da obra também pode ser percebida nas descrições de lugares como a Floresta das Trevas, e também no ambiente das relações humanas, conflitos de camponeses, na convivência dos outros personagens, nas ligações e interatividades de ambos. Resumindo, é uma obra de excelente bom gosto, mais um livro de ouro, tecido pela engenhosidade de um verdadeiro mestre que vem ganhando espaço e admiração na Literatura Brasileira.

Ultimamente temos visto autores de diversas partes do mundo reinventando a lenda do Vampiro, muitos ambientes são criados ou adaptados, o lado científico, teen, entre outros. Você optou por um ambiente medieval, mais clássico. Com que olhos você vê essas adaptações "modernas"? Pretende adicionar também alguma novidade ao mundo do vampirismo?
A lenda dos vampiros sempre foi demonstrada de diferentes maneiras desde sua "estréia" com Bram Stoker com o clássico Drácula. Eu prefiro a linha clássica dos vampiros como seres noturnos, reservados, sensuais e assassinos, tal qual a linha seguida pelo Bram Stoker e André Vianco, só para citar alguns autores. Confesso que não gosto muito de algumas dessas adaptações "modernas" dos vampiros, mas respeito o trabalho. Gosto bastante, por exemplo, da roupagem dada no filme "Deixa ela entrar". No livro O Preço da Imortalidade, tentei tornar os vampiros fiéis às lendas, com algumas pequenas adaptações. O livro se passa sempre à noite e é todo centrado nos vampiros, suas intrigas, inveja, ambições e desavenças. O diferencial do livro é ser ele todo narrado na Idade Média.

"O Preço da Imortalidade" é uma obra onde o psicológico de um homem que se encontra na transição, de um mero mortal para um vampiro, de maneira incrível. Tecer essa mente, levando em consideração o fator tempo que nos remete à Idade Média, deve ter envolvido muitos aspectos. Rolou mais inspiração, pesquisa, ou quem sabe ainda projeção de autor no personagem? E como essa experiência mexeu com você para os próximos livros?
Rolou de tudo um pouco. A pesquisa foi fundamental para montar todo o cenário do livro e torná-lo o mais real possível, mesmo para uma obra de ficção. William, o protagonista, é um camponês e como todo camponês é extremamente católico. Ele busca redenção, pois acredita que está amaldiçoado, ao mesmo tempo em que ele precisa honrar à memória da família procurando pelo seu assassino. Redenção e vingança é o que ronda a mente de William. Acredito que todo personagem leva uma parte da mente e alma do autor e com William não é diferente, embora eu me identifique mais com outros personagens do livro. Minha experiência com William foi realmente tentar imaginar como seria essa transição de um ser mortal católico para um ser eterno, assassino e amaldiçoado.

Em "O Preço da Imortalidade" é celebrado o encontro de diversos gêneros, terror, suspense sobrenatural, além de muita ação. Como foi reunir e harmonizar tantas vertentes? Você acredita que hoje em dia os gêneros estão cada vez mais unidos, quase que tornando algumas obras "irrotuláveis"? Ou essa seria uma tendência antiga que vem apenas ficando mais visível?
Na verdade eu sempre gostei de livros que misturam gêneros. De todos o mais difícil é manter o suspense. Nunca gostei daqueles finais que nem em um milhão de anos você adivinharia porque o autor não deu nenhuma pista; ao mesmo tempo você, como autor, não quer que as pessoas descubram logo de cara o mistério final. É uma linha tênue bastante difícil. Os demais gêneros eu consegui lidar mais fácil, embora algumas leitoras "reclamem" a ausência de um romance no livro. Posso estar enganado, mas acredito que essa mistura de gênero é mais atual, tanto que temos um vampiro que se apaixona; Crespúsculo é um livro que reúne sobrenatural e romance. Sussurro também segue a mesma vertente. Já o Jogo do Anjo de Carlos Záfon mistura policial, drama, romance, sobrenatural e um certo humor negro num livro só.

Você mantém um blog formidável na internet, onde o endereço é o nome do personagem. Qual é o nivel da interação entre a obra e o blog? Eles se complementam dentro da trama, ou é um espaço voltado mais para contato com leitores e divulgação?
O blog foi criado com o intuito de aproximar o autor com o público e divulgação. No blog estão, por exemplo, resenhas do livro feitas por blogueiros e leitores, além de um espaço onde os leitores podem tirar dúvidas sobre a obra ou seu processo de publicação. Futuramente penso em divulgar contos que mostrem determinados personagens do livro como forma de complementar a obra.

Nas descrições sobre as sensações do jovem "Willian Brenauder" em "O Preço da Imortalidade" percebemos toda a intensidade de uma brilhante trama de vampiros. Transformação agonizante, os temores, incertezas, tudo é brilhante. Essa descrição profunda é uma marca do seu estilo, ou foi algo aprendido, ou desenvolvido, para esta obra?
Obrigado pelo brilhante (rsrsrsrs). Acredito que aprendi muito escrevendo esta obra e essas sensações do William foram parte desse processo de aprendizagem. Determinadas cenas foram bastante trabalhadas na minha mente antes de irem para o papel e esse amadurecimento da inspiração ajudou a compor a obra. A revisão também ajuda. O Preço da Imortalidade foi revisado cinco vezes por mim.

Podemos esperar por uma sequência na saga de "Wilian Brenauder"? Você tem outros projetos fora do mundo do vampirismo, ou pretende dedicar-se com exclusividade ao tema?
Os leitores têm pedido uma sequência, então já comecei a esboçar uma continuação. No momento tenho outros projetos que fogem do vampirismo. Será uma história mais atual e que se passa no Brasil, seguindo essa linha de suspense sobrenatural e terror, que é o que eu realmente gosto. Eu gosto muito do tema vampirismo, mas quero expandir para outros temas do sobrenatural.

Como um autor da nova geração, como você enxerga as possibilidades do mercado editorial para os autores brasileiros?
Acredito que hoje já há uma aceitação melhor do público pelas obras nacionais e isso, aos poucos, vêm mudando o pensamento das livrarias. Outro dia foi na Livraria Nobel, por exemplo, e fiquei admirado com o espaço dado aos escritores brasileiros. Acredito que ainda há muitas dificuldades para a publicação de um manuscrito nacional (eu mesmo levei mais de cinco anos para publicar O Preço da Imortalidade), mas estou vendo muitas editoras apostando suas fichas nos escritores brasileiros.


O Preço da Imortalidade

Uma revolta de camponeses nas terras do nobre inescrupuloso Truman em 1213 termina sem vencedores. Três dias depois da luta William Brenauder acorda preso numa masmorra escura e úmida. Um jovem camponês de apenas dezesseis anos descobre que escapou da morte ao se transformar na temida criatura condenada a sugar eternamente o sangue dos homens. Seu lar não existe mais, toda a sua família foi morta por um vampiro e todos os acontecimentos do dia da revolta estão apagados da mente do jovem. Arrastado para um novo mundo onde os fracos sucumbem e a justiça não existe, William descobrirá que intrigas, inveja e orgulho ditam as leis dos imortais. Mas agora o secular jogo de poder entre os vampiros está prestes a mudar. Dividido entre o desejo de vingança contra o desconhecido assassino de sua família e o medo de perder o que resta de sua humanidade, o camponês terá que trilhar uma linha perigosa entre o bem e o mal. Seu lado mais negro está cada vez mais perto de assumir o controle e a chave do mistério está nas suas memórias perdidas. O tempo está correndo contra ele e, mais cedo ou mais tarde, o jovem descobrirá que na vida ou na morte a imortalidade tem seu preço.

Autor: Felipe Santos
Editora Novo Século
Páginas: 544
Lançamento: Ago/2010
Onde comprar: Nobel, Travessa, Cultura, Submarino, Saraiva, Fantástica (esta última fornece o livro por apenas 35 reais com frete incluso e uma dedicatória exclusiva do autor).
Mais informações sobre o livro podem ser encontradas no blog williambrenauder.blogspot.com e no skoob www.skoob.com.br/livro/122243, onde conta com resenhas feitas por leitores, incluindo o autor Nelson Magrini.

Luís Delgado

Top 2

Desde o início do blog que inúmeras dicas, conselhos e explanações tiveram espaço aqui, principalmente em relação à escolha da editora; dentro desta perspectiva falamos sobre cuidados com a diagramação, revisão, capa, além de explicarmos sobre os tipos de contrato de venda feitos pelas livrarias. Mas hoje iremos focar em dois aspectos, se não os mais importantes, pelo menos figuram dentro de tal grupo, distribuição e canal de comunicação entre autor e editora.
Preste muita atenção você que está para publicar sua primeira obra, quem já tem algo publicado sabe, uns mais, outros menos, o que é estar preso a uma editora por dois ou três anos e ter que se virar sozinho na hora de estabelecer contato com os pontos de venda e esclarecer dúvidas com os responsáveis pelas editoras a respeito do próprio trabalho.
Uma editora que não respeita seus autores, que não os dá ouvidos de maneira que eles se sintam à vontade, que não respondem às suas perguntas, ou ainda respondem insatisfatoriamente, estão fadadas a perder a chance de encontrar o autor diamante, aquele que poderá alçar o voo da editora dentre as grandes do mercado. Convenhamos, o autor não precisa da editora essencialmente, a editora sem escritores não é nada, mas nós podemos sobreviver com as gráficas, ou ainda com o espaço virtual. Mas, infelizmente, muitos profissionais do livro ainda não acordaram para esse fato. Portanto, você que está para decidir sobre uma editora pesquise muito a respeito disso, o canal de comunicação entre o editor e você deve ser confiável e dinâmico. Provavelmente vocês terão muito o que conversar nos anos em que perdurar o contrato e você não quer ficar isolado com sua obra, sem assistência alguma, ainda mais quando se está no início.
O outro ponto, a distribuição, já foi muito falado aqui no blog, o livro deve estar disponível no maior número de livrarias e sites da Internet possíveis. Existe muita gente querendo comprar sua obra, mas sem saber onde ela está à venda, o impulso será em vão. Então uma boa dica antes de fechar com uma editora é pesquisar sobre ela diretamente nos sites das livrarias, comece pelas maiores, se encontrar obras dela à venda nessas grandes livrarias, então isso já é um bom indicador de que a distribuição é bem feita.
Resumindo, distribuição e canal de comunicação são consideravelmente dois grandes fatores de sucesso da sua obra, o autor precisa de confiança quanto à editora e suporte nas vendas, sem isso, não faria diferença entre a gráfica e a editora, acredite, afinal é uma parceria, você não pode ser o único a ter que cumprir com deveres, então cuidado na escolha, e se sua editora atual não estiver satisfazendo esses dois pontos reconsidere a renovação ou permanência do contrato, há muitos profissionais sérios e de qualidade aguardando por você lá fora que podem dar o suporte necessário para você decolar de vez.

Sucesso!
Luís Delgado