Um novo conceito em Blog Literário!

Espaço dedicado à divulgação de autores brasileiros, além de matérias e dicas sobre Literatura.
Contato: literaria15@gmail.com

Busca do Literária 15

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ronaldo Luiz Souza

No Literária 15 de hoje recebo meu grande amigo Ronaldo Luiz Souza. Um escritor de um talento profundo, capaz de alcançar a essência das palavras, o sentido das mensagens, de maneira esplêndida e compreensível. Em sua nova obra, o autor passa mensagens diretamente à alma do leitor, com uma simplicidade de enorme estética, capacidade admirável.

Mas para quem pensa que o escritor experimenta apenas uma linha narrativa, um gênero literário, personagens semelhantes; se engana, Ronaldo vai além, com inúmeras participações em antologias, confirma sua diversidade com contos de suspense, terror, além de poesias e outros.

Ronaldo é uma das revelações literárias do nosso tempo, com uma mensagem ao mundo, com ensinamentos para a humanidade e sem contar um estilo capaz de motivar o leitor para sempre.

Participações
Assassinos S/A, Contos de Outono, Dias Contados, Enigmas de Amor, Invasão, entre outros que você pode conferir no site do autor.

Em Raízes e Asas você projeta, de uma maneira brilhante, os anseios humanos em dois peculiares seres, um pássaro e um pinheiro. Como foi essa adaptação?
Ela foi concebida através de visões fragmentadas da história, que foram surgindo e se completando como um quebra-cabeças, e que descobri, buscavam dar respostas às questões que me incomodavam há anos: nas esquinas da vida, quando temos de escolher um caminho, sabendo que da escolha feita, abandonamos outros, e às vezes até mesmo queimamos as pontes que nos permitiriam regressar, e que mesmo o caminho escolhido à frente pode ou não ser o melhor caminho, o que fazer, como decidir nossas escolhas? Ir ou ficar? Em Raízes e Asas, de forma lírica e poética, os personagens aprendem que o melhor caminho é aquele em que trilham seus sonhos e que somente neste caminho desenvolvem sua plenitude e são verdadeiramente felizes.

Há uma linha espiritual na história de Raízes e Asas. Existe na obra uma proposta de convidar o leitor a um outro caminho na vida, talvez bem mais alternativo do que o comum?
A questão existente no livro é bem mais reflexiva, embora esbarre na espiritualidade dos personagens. A história propõe que decisões sejam o resultado de reflexões conscientes e que a felicidade é encontrada na realização de nossos sonhos e construída de forma cooperativa. Somos parte de um planeta e uma sociedade. Não estamos sós. Nossos cientistas já descobriram que a teia da vida é muito mais complexa do que imaginávamos. Precisamos evoluir como espécie e como indivíduos. Não há mais espaço para o egoísmo, a violência e o capitalismo selvagem, depois que descobrimos que, de fato, colhemos o que plantamos (seja a radiação das bombas lançadas, o efeito estufa decorrente do desequilíbrio que provocamos no planeta, a corrupção decorrente da Lei de Gérson, a infelicidade social resultante da massificação excessiva, ou mesmo a destruição pessoal através do consumo de drogas). Nossas ações, conscientes ou não, refletirão em nossas próprias vidas. É preciso que estejamos conscientes e preparados para suportar as consequências de nossas decisões.

Até que ponto há uma projeção sua nos seus personagens em Raízes e Asas?
Um escritor, por mais que se esforce no contrário, sempre deixará passar algo pessoal para uma história que escreve. Em Raízes e Asas, respostas às questões referentes às consequências de nossas escolhas, foram a elaboração final às minhas angústias pessoais. Quanto à pergunta anterior, no tocante à espiritualidade dos personagens, eu diria que ela foi derivada da própria situação que vivenciaram. Porque desenvolveram uma forte esperança, fé e crença em um criador, resultante do fato de se conscientizarem como indivíduos, de seu mundo, e da necessidade de ultrapassarem suas próprias limitações e realizarem seus sonhos.

Tendo participado também de antologias do estilo "Assassinos S/A" e "Poe 200 anos", você se considera um escritor eclético? Tem um gênero preferido?
É muito bom para um escritor variar seus temas porque assim é capaz de uma maior apreensão da realidade, e isto se refletirá em textos mais coerentes e maduros e em personagens melhor elaborados. O importante para mim, quando busco escrever algo, é estar em sintonia, sentir uma forte conexão com o projeto que será desenvolvido. Senti isto, em variados graus, nas antologias em que participei. Ecléticos, acho que somos todos, afinal não vivemos exclusivamente de algo... temos muitos interesses, afinidades e desejos. Daí resulta que quando deixamos a imaginação fluir, podemos construir qualquer tipo de texto. Meu gênero preferido sempre foi e é a Ficção Científica. Minha participação na Série de antologias Solarium, da Editora Multifoco, deriva daí, (Publiquei o conto Globus-5 – A descoberta de um novo mundo no volume I, A Ascensão de Maya no volume 2, e em breve será publicado no volume 3 o conto O Peso de nossas Escolhas), bem como meu conto Reminiscências de um Mundo Verde inserido em Paradigmas 3, e O Fruto ausente de vosso ventre, publicado em Cyberpunk, ambas antologias da Tarja Editorial. Tenho o projeto de um livro de FC esperando para ser escrito. Ele ainda virá. Mas, no momento, há outros projetos na fila de prioridades.

Conte-nos sobre a experiência com as antologias das quais participou. Escreveu por convite, em outras já tinha um conto pronto, enfim, relate-nos sobre o processo.
Por incrível que pareça, eu não tinha nenhum conto pronto quando ficava sabendo das antologias. Todas me pegaram de surpresa, e tive que desenvolver cada conto focado unicamente nas propostas do(s) organizador(es). Isto foi bom porque fez com que eu trabalhasse a criatividade e mergulhasse em diferentes oceanos literários em busca de uma boa história que merecesse ser contada. Na maior parte das vezes fui pesquisando uma ou outra antologia, fui convidado para algumas (não formalmente) e concorrendo a vagas em outras, tendo o conto passado na peneira literária de alguns organizadores. Sim, porque alguns organizadores são rígidos quanto à qualidade dos textos que aprovam. E quanto mais o são, melhores as chances da antologia ter sucesso no meio literário.

Há entre seus contos alguns que considera antagônicos quanto a temática, linha narrativa, ou qualquer outro aspecto?
A questão do antagonismo é interessante. Porque quando algo é antagônico podemos utilizar para aprimorar ainda mais a criatividade em um conto. Posso citar, por exemplo, o conto Relato aos Incrédulos, publicado em Dias contados – Contos sobre o fim do mundo, da Andross Editora. Ora, todos os contos ali versam sobre o fim do mundo e Relato aos Incrédulos, meu conto ali publicado, não é uma exceção. Entretanto, na própria concepção do conto foi antagônica: é sobre o momento final do personagem e do mundo, e nele há a semente da renovação, da perpetuidade do mundo, lançada num retorno ao tempo, onde ainda era possível fazer algo para evitar o fim. Então gostei bastante do conto, porque mistura de forma harmônica conceitos contrários entre si. E com isto também nos alertou sobre a questão ambiental. Aconteceu também em A Árvore dos Malditos, na antologia Réquiem para o Natal, também da Andross. Os contos ali são todos de terror natalino. E no meu conto, estes elementos estão presentes, mas ao final, o personagem principal ainda que parcialmente embrutecido, ainda carrega dentro de si a humanidade, o respeito à vida e a busca pelo bem como seu propósito final.

Com que olhos você enxerga o papel das editoras no momento atual da Literatura Brasileira? Diante desse BOOM de publicações, parceiras, em parte desiguais, ou continuam seu papel de sempre?
Acredito que o papel das editoras é dar voz aos autores, sejam eles escritores novos ou já estabelecidos no mercado, e aproximá-los de seu público, através do lançamento de seus livros.
Infelizmente, algumas vezes por miopia, outras por buscarem lucro rápido, as grandes editoras lançam, em grande parte, apenas best-sellers estrangeiros. Entretanto, ainda que de forma muito lenta, podemos ver que alguns autores brasileiros aos poucos estão conseguindo ser publicados pelas grandes casas. Quase sempre depois de já terem garantido um grande público.
Podemos ficar felizes porque a proliferação de pequenas editoras tem ajudado os novos autores a se exporem no mercado, ainda que timidamente, gerando uma renovação no meio literário. Nós mesmos precisamos passar a ler mais autores brasileiros. Primeiro por que temos bons autores, que têm algo a nos dizer de forma mais familiar, porque estão inseridos em nossa própria cultura. Segundo porque em alguns casos, os autores brasileiros superam os estrangeiros em criatividade. Tenho comprado vários livros de amigos escritores. Por curiosidade literária e também para fazer girar as engrenagens do meio literário: quanto mais os autores nacionais forem lidos, mais se abrirão as portas para eles. E isto é bom para todos no Brasil: leitores, escritores e editoras. Criando um grande mercado para nossos escritores teremos muito mais aceitação também em outros países. E poderemos ver muitas obras adaptadas para outras mídias, como o cinema.



Raízes e Asas
Um pássaro migratório em busca da sabedoria. Um pinheirinho solitário em um vale deserto. Estes são os personagens desta cativante e envolvente estória que nos revela a essência de verdades universais e nos desperta para a preciosidade da vida, da alegria e do amor.
Uma estória simples, contada de forma a cativar milhares de leitores ao redor do mundo. Uma estória que espelha nossas mais profundas dúvidas e nos lança a uma reflexão íntima sobre nossas vidas, nosso ontem e nosso amanhã, aproximando-nos da sabedoria e da arte da liderança, da liberdade e da conquista de um sonho.


Livro Raízes e Asas - A busca pela Sabedoria do Caminho, Usina de Letras, 2010
Nome como assina a obra: Ronaldo Luiz Souza
O livro Raízes e Asas está disponível para compra nas seguintes livrarias:
Livraria Saraiva
Livraria Cultura
Livraria Travessa
Livraria Siciliano
Livraria Fantástica
Livraria Loyola
- Também pode ser adquirido na Editora Usina de Letras
- Ou também diretamente com este autor (autografado) através do e-mail rolusouza@gmail.com


Luís Delgado

Artigolândia

Vamos falar a verdade, o que existe de blog sobre determinada obra literária não ta no gibi. E isso é bom! As facilidades da internet, os autores modernos ao lançarem suas obras literárias, quase em sua totalidade, criam um blog sobre o livro, com promoções, resenhas de fãs, links, entrevistas e tudo mais; esse é um excelente método de informar os leitores sobre seus livros, aprofundarem o tema e tornar a obra mais conhecida e atrativa.
Porém, existe uma nuance muito interessante nesses blogs, o livro tem um enredo, trata de um ou mais assuntos, às vezes temas polêmicos, teorias da conspiração, entre outros.
Muitos autores enxergam no background da obra uma oportunidade para discutir o assunto além da trama. São dezenas de artigos escritos para embasar, dar uma visão maior, mostrar traços relativos com a realidade, criar marketing, manter o tema em rotatividade, enfim, escrever artigos relativos ao assunto principal do livro em seu blog é com certeza uma tendência muito positiva.
Suponhamos uma obra de ficção que tenha como pano de fundo os OVNI’s. Quanta coisa não há para se pesquisar e discutir com os leitores! O autor poderia expor artigos sobre o mistério militar, as opiniões de pesquisadores famosos, além de vídeos e links, tudo isso manteria o site atualizado assim como o espaço do livro na web, pense bem, essa é uma oportunidade de enriquecer a história de maneira espetacular.
Consideremos também que isso mantém você na “escrita”, se aperfeiçoando, e pode até chamar a atenção de uma Revista ou Jornal, abrindo assim as portas para você se tornar um colunista e ainda ser reconhecido como um especialista no assunto. Lembrando ainda de quanto isso não ajudará na divulgação do seu trabalho.

Sucesso!
Luís Delgado

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Nelson Magrini

No Literária 15 de hoje recebo meu grande amigo Nelson Magrini. Um autor cuja narrativa pode levá-lo do terror ao humor dentro de uma mesma obra de um modo impressionante. Nelson já passou por diferentes editoras, publicou suas próprias obras e participou de antologias também. Tem uma bagagem incrível, muito a ensinar e a encantar com suas histórias tão marcantes.

A maioria de seus livros tem como pano de fundo o terror, mas como disse anteriormente, ele não é autor de uma tônica apenas, em seu mais recente trabalho, Os Guardiões do Tempo, elenos leva a uma viagem através de uma trama futurista, com ares científicos, doses de humor, sempre com muita propriedade em relação ao que narra.

Dentro da Literatura Fantástica, ou do gênero chamado Realidade Fantástica, Nelson é um nome forte, com marcante presença em projetos pela web, blogs, parcerias, entre outros. Tendo participado de Bienais e dialogando sempre com muitos autores hoje conheceremos um pouco mais sobre obras e visões sobre a Literatura Contemporânea desse grande autor.

Em sua obra "Anjo, A face do Mal", você propõe de um modo empolgante uma análise sobre a contestação das crenças. Até que ponto você esboçou sua opinião, totalmente, ou apenas quis propor uma profunda reflexão?
Olá, Luís. Primeiramente, é um prazer está aqui para esta entrevista. Em relação à pergunta, como não sou dado a crenças, crendices, lendas, etc, posso afirmar que a contestação que aparece na trama reflete minha opinião pessoal. Todavia, uma coisa leva à outra, ou seja, como sempre que possível, gosto de fazer meus leitores pensarem, e com o exposto na obra, de certo modo, abro portas para que cada um faça uma reflexão sobre suas crenças pessoais, as crenças difundidas pelo mundo como verdades intocáveis e imutáveis, e que para milhares de pessoas pelo planeta, regem suas vidas. Curiosamente, quase ninguém se dá conta da influência que tais escritos, histórias, mitos, atos de fé provocam em uma esmagadora parcela da humanidade, e ainda assim, por sua própria natureza, atribuída de dogma sagrado, não é admitida nenhuma contestação. Isso, para mim, é a antítese da evolução, uma verdadeira estagnação intelectual e cultural.
Apesar de ter minha opinião própria quanto às religiões, não deixo de admitir que qualquer um tem o direito de acreditar naquilo que queira. E digo mais, se aquilo em que as pessoas acreditam faz bem a elas, que continuem a acreditar, isso não é o problema. Isso é o que se chama da verdade de cada um, mas para aqui. A verdade de cada um é tão somente isso; ela é sagrada para o indivíduo que a tem, mas não necessariamente para os demais, alias, para muitos, nem verdade é.
O mal é querer impor uma verdade como absoluta e que todos devem aceitar sem contestação. E isso vale não só para crenças, mas para qualquer tipo de opinião pessoal.
Talvez, minha vontade de fazer meus leitores contestarem, raciocinarem vem exatamente da falta desse senso crítico, cada vez mais agudo no mundo. Apesar de estarmos no século 21, no início de um novo milênio, e com tantos feitos magníficos, em todas as áreas do conhecimento humano, alcançado pela Ciência, vivemos, mais do que nunca, em uma era de “achismos”, onde é mais fácil achar e fim; escutar o que alguém disse e fim, do que procurar e pesquisar o conhecimento.
Se meus livros, sempre que possível e dentro do contexto da obra, puderem contribuir para que as pessoas, cada vez mais, contestem as “verdades gratuitas”, ficarei muito satisfeito. Mas deixo claro que, minha primeira intenção é entreter.

Em Amor Vampiro, você e outros autores se debruçaram sobre uma estrutura de contos de terror magnífica, onde seu conto Isabella recebeu o apelo dos leitores para se tornar um livro. O conto foi escrito para antologia especificamente ou ele já existia? E como foi receber esse carinho do seu público?
A recepção de Isabella foi extremamente gratificante. Eu mesmo me apaixonei pela personagem e tinha idéia de aproveitá-la de modo mais amplo. Com o tempo, muitos leitores com quem eu conversava, invariavelmente acabavam me dizendo que eu deveria fazer um romance solo para Isabella e, com o tempo, comecei a amadurecer a idéia. Embora no momento, tenho de me dedicar a outros projetos, Isabella está longe de ser esquecida e espero em breve começar a desenvolver seu livro, do qual já tenho o prólogo e parte do início já escrito.
Em relação à personagem e ao conto, ambos foram criados para a antologia e é curiosa a forma como tudo se desenvolveu. Cada autor apenas sabia do tema, Amor Vampiro, do número limite de páginas, e de que seria um livro para adultos, portanto, cenas mais ousadas estavam liberadas. E a editora não nos deixou ver os contos dos demais, somente após o livro publicado.
Independente disso, eu imaginava como seriam as tais cenas ousadas e picantes dos demais, e não errei, como pude constatar. Por meu lado, tendo isso em mente, queria algo mais ousado que os doutros, mas sem cair na baixaria explícita. Em pouco tempo, cheguei aos parâmetros que desejava, e aí, a tarefa agora era como montar tudo isso.
Assim que comecei a escrever, percebi que estava tudo errado. O desenvolvimento da trama, o tom da linguagem e mesmo, a minha escrita. O curioso é como tudo se encaixou de vez. A trama começa da maneira mais direta possível e de cara, um mistério. O tom se torna como uma fotografia com nuanças góticas, e a escrita, quase por si só, toma essa imagem para si. O conto traz uma maneira de escrever que eu nunca havia tido antes, e faz um harmônico com as ações e mesmo, as palavras e frases escolhidas.
Em relação ao erotismo mais explícito, ele aparece apenas ao final. Não queria algo devasso, sexo por sexo. Como sempre, para mim, tem de estar no contexto da trama e, em Isabella, é o cume de uma esperança e redenção.
A ousadia está lá para que puder perceber, e melhor ainda, não é gratuita. Isabella é, e continua sendo uma vampira; não teria sentido ela se privar de experimentar o que fosse por pudor. Ela até pode não gostar de variações sexuais, mas seria, então a opinião dela, nunca pudor ou falso pudor.
Por hora não sei se seu livro solo terá tal carga sensual e erótica, mas em se tratando de Isabella, desconfio que tenho bem pouco controle sobre o que ela deseja ou sente. Somente quando me sentar e escrever é que irei saber. Isabella é assim, mistériosa do começo ao fim.

Relâmpagos de Sangue é um terror com uma ênfase maior no psicológico dos personagens? O enxerga como um livro onde você foca mais nesse aspecto do que na ação, diferentemente de Os Guardiões do Tempo?
Relâmpagos de Sangue é, sem dúvida, meu livro mais assustador, comprovado por seus leitores. Ele não deixa de ter ação, quem o leu sabe bem disso, mas o peso dos sentimentos e conflitos pelos quais passam os personagens centrais e alguns outros, dão a tônica, tornando-o extremamente denso, angustiante e, por que não, de dar medo. Aquele leitor que costuma entrar dentro das histórias que lê, em Relâmpagos de Sangue, sem dúvida passará a vivenciar o drama experimentado por seus personagens, e é o que exatamente dá a conectividade entre a leitura e os possíveis sustos ou medos que a trama acarreta. Seguramente, nesse sentido, posso dizer que ele é o oposto de Os Guardiões do Tempo que, apesar de trazer meus elementos de mistério, suspense e, neste caso, uma pitada de terror, é uma leitura bem mais descontraída, com muita aventura e humor.
Curiosamente, gosto da tônica de ambos, porém tenho uma tendência maior a escrever livros no estilo de Relâmpagos de Sangue.

O Portador da Luz muitaz vezes expõe o social de uma maneira bem real. Até onde você acredita no poder do gênero "fantástico" de transformar a realidade pela ficção através da leitura?
A idéia de O Portador da Luz nasceu para ser um livro. Depois, foi transformado em conto, para uma coletânea que nunca aconteceu. Quando da inauguração do Fontes da Ficção, onde os mantenedores se revezariam em postar textos, resolvi desenvolver um pouco mais e criar uma minissérie, para publicá-la em partes, e foram dez partes.
Sem dúvida, pela tônica da história, procurei apresentar o social de maneira bem realista, pois isso daria credibilidade à trama, e aqui entra a sua questão.
Claro que eu acho que o fantástico tem força de transformar a realidade, desde que ele consiga passar uma crítica, ou como mencionei antes, consiga fazer o leitor questionar algo, desde que tal se encaixe no texto. Isso é importante pois, caso contrário, seria apenas panfletagem, algo que não resolve nada.
Vemos no Brasil, e mesmo no mundo, milhões e milhões de pessoas dando verdadeiras fortunas mensalmente a grupos cada vez mais radicais e fundamentalistas. Do que são capazes tais pessoas? Até onde elas iriam em suas convicções e na crença sagrada de que todos deveriam se curvar a elas? O Portador da Luz apenas eleva tais questões um patamar acima. Loucos existem em todos os lugares, não necessariamente apenas entre políticos e governantes, como visto ao longo da História. Alguém seria capaz de antecipar o que tais pessoas poderiam fazer? Talvez a ficção acabe sendo um alerta para fatos que, esperamos, jamais aconteçam.

Os Guardiões do Tempo possui incríveis doses de humor. Foi uma aposta nova sua, ou já fazia parte do seu estilo literário inclusive em obras de terror?
Minha idéia sempre foi escrever mistério, suspense e terror. O que poucos sabem, é que Os Guardiões do Tempo foi meu segundo livro escrito, imediatamente antes de ANJO A Face do Mal, meu primeiro publicado. Nessa época, acabei por enveredar por dois livros mais voltado ao público infanto-juvenil, embora procurando agradar a um público de todas as idades. O humor veio de maneira natural, se mesclando à aventura e, óbvio, ao mistério e suspense.
Curiosamente, em ANJO A Face do Mal há um capítulo onde duas entidades se encontram no Inferno, que acabou sendo muito engraçado. Isso não foi planejado, tipo, “ok, agora vou colocar um pouco de humor na história”. Não, se deu de maneira espontânea. Analisando depois, creio que tal se deveu às personalidades dos dois personagens, birrentos e brigões, embora extremamente simpáticos em si.
Uma leitora, que já havia lido ANJO, e em seguida, leu Relâmpagos de Sangue, viu um certo humor, logo no comecinho da trama, nas agruras do personagem Ademir, às volta com uma tremenda enxaqueca e um congestionamento monstro no estacionamento do prédio o qual ele comandava. Eu só percebi este lado, após o comentário dela, mas se de fato é algum tipo de humor, também foi totalmente involuntário.
A princípio, não tenho essa proposta em mente, salvo para livros similares a Os Guardiões do Tempo. Contudo, creio que somente escrevendo para ver se pinta algum humor ao redor do mistério e terror.

Você já havia experimentado escrever tramas com passagens futuristas como em Os Guardiões do Tempo? Como você construiu sua visão de futuro para essa obra? Nunca havia escrito nada no estilo, embora sempre fui um devorador de livros de ficção-científica, o que certamente me auxiliou. Como sempre digo, um bom escritor é, antes de tudo, um leitor compulsivo.
Em relação a minha visão de futuro, creio que é um todo que foi crescendo desde os tempos que comecei com a ficção-científica, sendo influenciado por muitos e muitos cenários. Obviamente, essa visão não é única ou estanque, ou seja, posso criar um futuro devastador, se assim algum novo projeto o exigir, afinal, o futuro é aberto a inúmeras possibilidades.
Um detalhe que me lembro é que, na época em que escrevia Os Guardiões do Tempo, aconteceram os atentados de 11 de setembro, em Nova York, e o absurdo daquela situação me influenciou a mostrar um futuro sem dogmatismos ou fanatismo religioso. Deixei claro que as crenças ainda existiam, algo que eu não precisava fazer, mas preferi mantê-las, deixando-as, apenas, a nível pessoal, ou seja, desaparece o fundamentalismo e a intolerância. De resto, todo o demais construído foi obra de minha imaginação, como se deu com a unificação de territórios, economia, línguas, etc.
Como conheço bem a minha imaginação, possivelmente, em um novo projeto dentro desse tipo de trama, devo mostrar um futuro bastante diferente, vamos ver.

A internet possibilitou ao ser humano criar espaços de divulgação de alcances inimagináveis antes, permitindo a muitos serem conhecidos, e derrubando muitos grupos seletos. Seus livros têm uma forte presença em blogs e mídias sociais. Como você vê e interage com essa revolução da nossa época?
Eu vejo com os melhores olhos possíveis. Hoje, é praticamente impossível de se pensar na vida moderna sem internet. Antes mesmo de falar de divulgação, a internet traz conhecimento farto de maneira fácil. Seu grande problema, muitas vezes, é como o usuário faz para filtrar a qualidade da informação. Infelizmente, em meio a conhecimento farto, há montanhas de asneiras, também.
Deixando isso de lado, a internet muito facilitou as pesquisas necessárias a qualquer autor. É por demais fácil acessar dezenas de informações sobre um país, sobre determinada polícia, escola, museu, ou o que seja. Os mais variados cenários e estruturas estão a um clic.
E se isso ajuda muito na composição de obras, na divulgação, nem se fale. É um meio fácil, onde qualquer autor pode se fazer conhecer, bem como ao seu trabalho. Na maioria das vezes, para autores iniciantes, a internet possibilita seu primeiro contato com os leitores. E não deixa de ser diferente com autores já mais conhecidos; este é um meio de comunicação indispensável a qualquer um.
De minha parte, além de meu blog, NELSON MAGRINI – OFICIAL ®, http://nmagrini.blogspot.com/ , onde sempre posto fotos de eventos que participo, também sou criado e mantenedor, juntamente com os escritores J. Modesto e James Andrade, do Fontes da Ficção, www.fontesdaficcao.com.br , o qual está no aguardo, por hora, pois irá se transformar em um dos maiores portais de Literatura Fantástica do país.
Fora isso, participo de redes sociais como o Orkut, http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=6637510294845515276&rl=t ; o Skoob, http://www.skoob.com.br/usuario/22901 , onde conheci muitos leitores, principalmente em encontros que organizamos; e o Twitter, https://twitter.com/NelsonMagrini , embora nem sempre me sobre tempo para visitar regularmente todos eles.
Mas internet é isso, estar conectado a cada segundo com os leitores, sempre que possível.

Para finalizar, Luís, mais uma vez agradeço a oportunidade de estar aqui, junto a todos que nos acompanham. Para quem quiser manter contato, basta me escrever em nelson_magrini@yahoo.com.br .

Obrigado e abraços!


Os Guardiões do Tempo

Diferente de meus demais trabalhos, este é uma fantasia de ficção voltada para todas as idades, com muita aventura e uma boa dose de humor. Dois amigos de 13 anos, Duda e Rogério, e a irmão de Duda, Ciça, de 12 anos, embarcam em uma ventura através do Tempo e do Espaço, viajando a mais de 1.600 anos no futuro. Tendo os lugares mais exóticos da Via Láctea por fundo, os garotos têm de solucionar um mistério, encontrar uma máquina singular, escondida por seu inventor, através de pistas espalhadas pela galáxia. Resolver tal enigma é a única esperança para salvar a Terra e todo o seu Império Galáctico.
Apesar do público alvo abrangente, Os Guardiões do Tempo conta com os tradicionais elementos de mistério, suspense e, neste caso, uma pitada de terror na dose certa. Com leitura ágil e ritmo incessante, é garantia de boas horas de diversão.

Giz Editorial 2009
Os livros podem ser encontrados em livrarias reais ou virtuais. Além disso, o autor faz venda direta aos leitores, com exceção de Amor Vampiro, com direito a autógrafo e dedicatória. Os livros possuem descontos e são acrescidas as despesas de Correios. Interessados devem contatar via meu e-mail: nelson_magrini@yahoo.com.br
http://www.fontesdaficcao.com.br/
http://nmagrini.blogspot.com/

Luís Delgado

Cyber Parcerias

Navegando pela net, uma característica forte que se percebe, principalmente nos blogs, são as parcerias. Vou chamá-las aqui de Cyber Parcerias devido ao foco na rede, até por que, parcerias comerciais existem não é de hoje.
Isso mesmo, comerciais, você monta um blog para divulgar sua obra, ou talvez até mesmo o blog seja uma obra literária disponibilizada na rede, e um grande meio para potencializar esse produto, essa ideia, que você está lançando é contar com a ajuda de terceiros.
Existem grandes parcerias, e de vários tipos, e existindo ou não um movimento financeiro em torno dos envolvidos, elas são necessariamente comerciais no sentido de aumentar a visibilidade de algo a ser apreendido, no nosso caso obra literária.
Muito bem, passada a parte em que falamos sobre sentido e aproveitamento, vamos nos concentrar nos tipos de parcerias, especificamente financeiras e não-financeiras.
Ambas se estabelecem com uma propaganda no blog, geralmente um banner, relativo à livrarias, editoras, tipos de imprensa, entre outros. Um caso que podemos usar para descrever claramente o tipo financeira é quando seu blog é um verdadeiro sucesso, aí uma editora paga para você colocar um banner dela no seu espaço, que é um link, e paga por cliques como tem sido frequente ultimamente, ou estabelece previamente um contrato determinando um período de propaganda e o valor a ser pago independente dos acessos através do seu espaço na net. Poderíamos falar também na questão de outros autores que lhe enviam livros para você organizar sorteios, é financeiro no sentido que pagaram pelo serviço com produtos, livros, ou ainda que lhe outorgam o direito de vender obras deles e pagam uma comissão por isso.
Quanto ao tipo não-financeiro podemos destacar o trabalho de amigos escritores, por exemplo, dois autores donos de blogs, onde em um há propaganda do blog do outro, sem nenhuma remuneração por isso. É bem comum esse tipo de parceria. Posso citar o Literária 15, que promove autores nacionais sem cobrar nada por isso, e ao terminar a entrevista, quando o autor divulga sua entrevista, divulga não só o blog, mas como os outros autores que já foram entrevistados, assim como eles também o divulgam ao divulgarem suas entrevistas.
Mergulhe nessa possibilidade, procure parceiros compatíveis, analise propostas, veja o que vale a pena, pesquise bastante e monte suas parcerias, você vai ver como isso pode não só aumentar o número de seguidores e visitantes do seu cantinho na net, como também, pode fazer seu livro alçar voos cada vez maiores. Lembrando que os parceiros na net, podem ir e voltar, você dá a tônica da parceria e decide quando encerrar.

Sucesso!
Luís Delgado