Um novo conceito em Blog Literário!

Espaço dedicado à divulgação de autores brasileiros, além de matérias e dicas sobre Literatura.
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Busca do Literária 15

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Alfer Medeiros

No Literária 15 de hoje recebo meu grande amigo Alfer Medeiros. Um autor que assim como muitos que já passaram por aqui é um grande apaixonado por todas as vertentes da cultura, música, cinema, quadrinhos e não deixando de lado é claro a Literatura.

Com uma formação eclética, o autor conseguiu converger toda essa gama cultural para sua obra, tal qual um alquimista ao combinar diferentes elementos, Alfer revela ao longo de sua obra a união dos diferentes tipos de arte. O que vai além de sua obra e pode ser visto também em seu blog.

Com o incrível dom de produzir textos profundos, sua obra em poucas palavras já nos leva a um ambiente rico de detalhes, surpreendente, envolvente, onde o leitor se sente na pele do personagem, respira como ele, sente como ele, mostrando assim a imensa qualidade da forma.

Trecho
A noite é escura em Joanópolis. Uma leve neblina escorre por entre as árvores e cobre a vegetação rasteira. Em meio à mata isolada, nada se move, nenhum som é ouvido. Parece que toda a floresta parou, demonstrando respeito e temor às criaturas que andam à solta por ali. Em um ponto de difícil acesso, cinco membros da alcateia iniciam o ritual. Rui, Júlia, André e Lucinda estão sentados, na forma de lobisomens, cada um assumindo a posição de um ponto cardeal, formando uma espécie de círculo, com as costas voltadas para o centro. Nesse centro está Caroline, de pé, vestindo um manto cinza. Outros membros circulam pelas redondezas, garantindo a privacidade e a segurança das quais a situação necessita.

Você é declaradamente um apaixonado pelo mito do Lobisomem, e tal mito tem muitas vertentes. Qual tipo de lobisomem você destacou mais? O clássico, científico, ou uma concepção pessoal?
Os lobisomens de Fúria Lupina são uma mistura de tradicionalismo e propostas novas. Procurei abordar os diversos mitos que envolvem esse tipo de criatura, desde o nascimento do sétimo filho até as famílias licantropas, onde o dom é passado pela linhagem. A relação com a natureza dos lobos também é forte, existindo diversas raças desse animal compondo o comportamento e as características dos lobisomens, inclusive a questão da hierarquia nos grupos (alfa, beta, ômega). Outra variação importante é o grau de raciocínio lógico e autocontrole quando estão na forma lupina, onde cada indivíduo apresenta um nível distinto. Como também existe um lado humano, é abordada a questão dos conflitos internos de cada pessoa, pois o que para um é um dom maravilhoso, pode ser uma terrível maldição para outro.

Fúria Lupina Brasil vai além do entretenimento com maestria. Como foi adequar uma linha filosófica na figura de uma fera tida na ficção, muitas vezes, como irracional?
Eu encaro a figura do lobisomem como algo que vai muito além de uma simples besta descontrolada. Se pararmos para pensar, trata-se de um reflexo da dualidade humana, a eterna luta entre instinto e razão, o conflito entre o "eu quero" e o "eu posso". Os lobisomens de Fúria Lupina são, em sua maioria, pessoas imunes à demagogia imposta pela sociedade, são seres realmente livres. Eles não descartam simplesmente a fragilidade do corpo humano quando se transformam, mas também suas incertezas, ambições, preconceitos e falsidades. Nesse livro, é levantada uma questão importante: quem é o maior predador do planeta, o ser mais destrutivo? Não estranhe se, depois de conhecer os caçadores de lobisomens do enredo, você começar a torcer pelos lobos!

Há muitas vertentes artísticas na concepção da obra, como você mesmo citou, literatura, música, cinema, quadrinhos. Até que ponto essas vertentes estão impregnadas na essência, nas atitudes e anseios dos personagens? Eles manifestam seus gostos, ou as outras artes influenciaram mais a narrativa?
Eu fiz questão de rechear a trama com as mais variadas referências, que foram surgindo naturalmente durante o processo de composição. Elas vão surgindo no texto de diversas maneiras, nos diálogos dos personagens, no texto do narrador ou compondo os cenários. Posso citar exemplos: existe um momento na história em que dois personagens importantes acabam se conhecendo no show da banda sueca Opeth, que acontreceu de verdade em São Paulo em 2009. Em outro trecho do livro, um personagem conta a mesma piada que aparece no filme Cães de Caça (Dog Soldiers). E assim segue durante todo o livro, onde as referências vão surgindo repentinamente, algumas bem óbvias, outras mais sutis.

A trama possui uma tendência de avançar até uma terceira obra. Como é lidar com essa expectativa de trilogia ao mesmo tempo em que tem de acompanhar o ritmo de uma editora?
Durante a concepção do texto, muitas ideias novas foram surgindo, uma enxurrada incontrolável. Logo, percebi que seria muita coisa para incluir em um único livro, e passei a separar essas ideias, categorizando-as de maneira mais coerente. No final desse levantamento, notei que havia três eixos principais de enredo: a apresentação da minha visão particular dos lobisomens e sua interação com o meio ambiente, em cenários predominantemente rurais (Fúria Lupina Brasil); conflitos territoriais e o choque das personalidades do homem e do lobo no submundo do crime, em um cenário onde prevalecem os subúrbios (Fúria Lupina América Central); e finalmente o lado mais místico do mito, uma discussão sobre como criaturas dessa natureza sobreviverão em um mundo tecnológico como o atual (Fúria Lupina Austrália).
Cada livro é um arco de histórias fechado, com início, meio e fim, não sendo assim uma trilogia onde um livro é a sequência obrigatória do enredo do anterior. Alguns personagens são reaproveitados, mas cada trama é independente e aborda assuntos distintos.

Você é português, mas vive no Brasil desde a infância, sendo assim um ilustre brasileiro de fato. Há portanto, uma influência ou ligação entre a Literatura Brasileira e a Portuguesa em sua obra?
Com a literatura portuguesa tive pouco contato, apreciando algumas obras clássicas de Eça de Queirós, Fernando Pessoa e Luís de Camões. Dos autores contemporâneos, conheço apenas o trabalho de José Saramago. Como o meu direcionamento é mais voltado ao fantástico, acabei sendo pouco influenciado por esses expoentes da literatura portuguesa. Da literatura tradicional brasileira também tive pouca influência como escritor, apesar de, como leitor, eu ter apreciado bastante os autores clássicos do Brasil.

Você, genialmente, inicia sua trama com um enigma que se estende por algumas décadas para eclodir no ano de 2009. Essa linearidade representa um aditivo de suspense em uma obra de terror? É uma aposta do livro numa fusão de gêneros literários?
Eu arriscaria dizer que o Fúria Lupina não é uma obra puramente de terror. Não adotei uma autoimposição de gênero quando escrevi, apenas deixei fluir a escrita. O clima geral é um tanto sombrio, mas pode-se encontrar traços de outros gêneros no trabalho. Essa pluralidade é comprovada pelo retorno que tenho de leitores que não apreciam a literatura de horror, mas que acabaram gostando do Fúria Lupina, por apresentar diversas situações distintas em seu conteúdo, como dramas pessoais, questões ambientais, desigualdade social, comportamento humano, violência e preconceito. Eu, sinceramente, tive certo receio dessa mescla de conteúdo conforme ela foi surgindo, mas meus leitores beta aprovaram, e outras pessoas que tiveram acesso aos primeiros capítulos também elogiaram. Isso me deixou mais a vontade para prosseguir com esse estilo. A opinião isenta de outras pessoas sempre é um ótimo termômetro, para que o autor saiba se está conduzindo a trama da maneira correta.

Tendo estendido-se da Música para a Literatura, como você vê a aceitação do público diante dessas duas artes? Acredita que há uma preferência nacional? Ou trata-se de uma questão de níveis de incentivo diferentes para cada uma?
A música permeia o cotidiano dos brasileiros, independente de qual estilo musical cada um aprecie. Acredito ser a expressão cultural mais marcante, pois está presente na vida de todos, do mais rico ao mais pobre, do mais culto ao mais alienado das artes. Temos muita gente boa fazendo música por aqui, e acredito que incentivo sempre é válido, pois ainda carecemos de espaço e viabilidade. Os shows de bandas internacionais são muito caros, e bandas nacionais não têm todo o espaço que merecem.
Já na literatura, a situação é mais dramática. Eu vejo as pessoas cada vez mais afastadas da leitura, principalmente os mais jovens. Muitos dedicam seis, oito horas do dia a Orkut, Facebook, Twitter e Youtube, mas são incapazes de apreciar um livro por trinta minutos. As mesmas pessoas que reclamam que os livros são caros, não hesitam um segundo antes de comprar bens de consumo como o iPhone, por exemplo, que aqui no Brasil custa praticamente o dobro do que custa nos EUA e na Europa. É realmente preocupante sabermos que surge uma geração totalmente focada no imediato, que não consegue se concentrar em uma atividade específica por mais de dez minutos. Não vou me alongar neste tópico, senão iremos longe. Só sei que seria muito bom se essa regra virasse exceção, caso contrário, não quero nem imaginar qual será o futuro da cultura nas próximas décadas.


Fúria Lupina Brasil

A natureza lupina liberta. A natureza humana destrói.
Qual é a origem do mito do lobisomem? Maldição, doença, dom, herança ou eventos aleatórios? Ou será que todas essas hipóteses são aplicáveis?
Em Fúria Lupina - Brasil, as peças do quebra-cabeça são apresentadas no decorrer de algumas décadas. Quando, no ano de 2009, essas peças começam a se encaixar para formar a imagem final, homens e feras aparentemente desconexos entram em uma alucinada rota de colisão, que resultará em sangue, violência e morte.
Uma organização secreta, um grupo ecoterrorista, mercenários, lobisomens com variações de raça e conflitos de natureza humana permeiam toda a trama, que passa por Estados Unidos, México, Noruega, São Paulo e Mato Grosso, finalmente desembarcando na Amazônia brasileira, onde muitos destinos serão traçados.
Você está pronto para descobrir qual é o maior predador do planeta?

Autor: Alfer Medeiros
Editora: independente
Data de lançamento: 25/09/2010
Como adquirir: após o lançamento, no site http://furialupina.blogspot.com/

Origem do projeto: http://fwd4.me/cGT
Teor: http://fwd4.me/OBD
Primeiros capítulos: http://fwd4.me/cGL
Convite para o lançamento: http://fwd4.me/ZgL
Kits de lançamento: http://fwd4.me/cGN


Luís Delgado

Lugar ao sol do mercado

Marketing e Propaganda dão sempre excelentes artigos e podem ser comparados a uma fonte inesgotável de dicas, estratégias para autores iniciantes, experientes, de editoras grandes, pequenas, ou gráficas poderem descobrir ou aperfeiçoar técnicas para suas obras chamarem atenção no mundo literário.
No estudo do Marketing existe uma estratégia chamada de Estratégia de Penetração. Poderíamos simplesmente dizer que isso diz respeito a vender seu livro por um preço mais barato ao entrar no mercado para visar uma crescida rápida. Mas sabemos que as coisas não são tão superficiais assim, sem querer dizer aqui que são complicados por isso.
No artigo anterior, falamos sobre investimentos no livro como produto, sobre uma fonte para impulsioná-lo em seus primeiros passos. No ponto atual focamos mais precisamente numa fase posterior, onde o livro já está impresso, onde o autor já possui exemplares em mãos para venda direta, independente de ter sido uma cota à qual tenha tido direito, ou uma quantidade que tenha comprado.
O fato é que ao diminuir sua margem de lucro inicialmente em favor de abaixar o preço, você aumenta em divulgação, uma divulgação feita através dos consumidores, pessoas que compram seu livro e às vezes o recomendam a outros simplesmente por terem simpatizado com a relação qualidade/preço. Você pode considerar ainda que após a leitura, tendo gostado da obra, os leitores valorizem ainda mais a acessibilidade dada por você com essa diminuição inicial.
Faça promoções, sorteios, aposte na conquista de espaço e, posteriormente, quando seu nome estiver estabelecido no espaço que você determinou, que as vendas já tenham iniciado um bom ritmo, você pode rever os preços para aumentar seu lucro de uma maneira equilibrada, que não afaste o público que você conquistou.
Não é necessário prejuízo, e talvez por vender mais e mais barato você tenha até mais lucro do que vendendo pouco a um preço alto. Experimente mais essa ferramenta do Marketing.

Sucesso!
Luís Delgado

domingo, 12 de setembro de 2010

Juliano Schiavo

Hoje no Literária 15 recebo meu grande amigo Juliano Schiavo. Um escritor de formação Jornalística que está em sua terceira obra, um livro construído com uma narrativa hipnotizadora, capaz de prender a atenção do leitor do início ao fim.

Juliano vem para mostrar o imenso talento dos escritores nacionais quanto o assunto é vampirismo. Com um personagem singular, ornado de uma mentalidade complexa, influenciado por obras literárias que marcaram a história da literatura, nos leva a uma trama onde as palavras encatam e a trama fala como que de nós mesmos imersos em uma realidade fantástica.

O Silêncio das Mariposas é uma obra profunda, um livro altamente recomendado, tanto para quem curte o gênero, quanto para quem ainda não se aventurou nessa área.

Uma obra de arte que revela um autor talentoso, sensível ao mundo a sua volta, observador do comportamento humano. Não é mais um livro sobre vampiros, é uma história diferente, onde a linearidade é inteligentemente arquitetada, onde o narrador consegue empolgar acima do bem e do mal, um clássico do vampirismo, uma prova de que a Literatura Brasileira dos nossos tempos é um gigante, que tem muito a oferecer. É conhecimento, reflexão e ao mesmo tempo entretenimento.

Um trecho de O Silêncio das Mariposas:
"E foi após mirar a objetiva numa Colombina e num Pierrô, que reparei naquele ser de beleza andrógena e fascinante, que parecia flutuar entre a massa inerte e descontrolada. Tinha uma delicadeza e uma desenvoltura tão sensuais, feito um anjo pisando por nuvens humanas. Trazia apenas um ramo de flores na orelha. Se todos se escondiam por baixo de máscaras e se emolduravam de faces límpidas e sem máculas, ele era o único realmente com o rosto nu, que deixava transparecer a realidade. No Baile de Máscaras, o seu rosto era a verdade sem mentiras, a beleza sem retoques, a morte com vida. Fitei aquele ser de beleza andrógena e ele fugiu aos meus olhares, como se brincasse de esconde-esconde. Enfiei-me pelo turbilhão de braços, pernas e máscaras; mergulhei com voracidade pelas ondas humanas, que exalavam um hálito de prazer e sensações doces e efêmeras. Mas não conseguia achar aquele rosto sem hipocrisias, sem maquiagens, que vagava delicadamente sobre a grama orvalhada e se dissimulava no meio das máscaras e das fitas de cetim, que rodopiavam com a brisa de julho. Meu estômago enchia-se de mariposas cinzentas e eu começava a ouvir o cãozinho negro e triste, ladrando ao meu lado, me acompanhando em uma busca insana por aquele ser. Fechava os olhos e garimpava, em minha memória fotográfica, aqueles traços firmes, decididos, emoldurados de uma pureza cativante, sedutora, sexual. Abria minhas pálpebras e via as mãos lívidas dele, que se confundiam com a multidão eriçada. Corria meus olhos e as mãos se perdiam, como se acenassem pela última vez, dando um adeus."

O Silêncio das Mariposas, em suas próprias palavras, não é uma grande história, não há grandes feitos, apenas relatos. Mas mesmo assim, você construiu uma trama incrível, com uma personagem singular que narra a própria trajetória de vida. O que você levou mais em conta na escolha dos trechos que seriam relatados?
A princípio, tive que pensar como pensaria e agiria a personagem diante da história ficcional. Criei uma espécie de personalidade paralela enquanto escrevia e, assim, buscava enxergar pela ótica da personagem. Não é uma tarefa fácil, pois é necessário se envolver com a criatura que você dá forma. É um processo de imersão, diria que até de sofrimento quando sua personagem tem características melancólicas.
Ao começar a escrever, deixava a criatividade fluir. O problema que me afligia era tentar transformar certas situações relatadas em algo mais próximo da realidade possível. Mesmo se tratando de um texto com elementos fantásticos, eu não podia fugir de algumas regras básicas da literatura, como: descrição de cenas, diálogos, subjetividade. Acredito que o próprio desenrolar da história foi fornecendo elementos para a escolha das situações a serem relatadas.

Uma personagem sem nome e sem sexo, que revela o sofrimento e os prazeres de sua vida em morte. Como foi a escolha destas características para uma personagem vampira, sendo estes, seres geralmente marcantes e bem definidos, apesar da excentricidade?
Estamos muito acostumados, nessa sociedade midiatizada, ao que no jornalismo denominamos como lead, ou seja, uma estrutura de produção textual. Nesta estrutura sempre temos que responder a seis questionamentos básicos para que as pessoas possam entender o que aconteceu. Estas questões são: O que? Quem? Quando? Onde? Como? Por quê? Quis quebrar um pouco esta regra, eliminando o Quem (nome da personagem), Quando (a data do acontecimento) e Onde (o lugar onde ocorreu tudo).
Isso causa um estranhamento no leitor, o que é comum – e é o que eu também buscava. A personagem do livro tanto pode ser do gênero masculino, quanto feminino. Não importa onde ela nasceu e viveu. O que importa são seus relatos introspectivos, suas sensações ante as incertezas da vida (ou morte em vida). Enfim, o que está em jogo no livro são as reflexões da criatura vampira, ou seja, sua busca por tentar entender porque a vida dela é daquele jeito e como ela chegou a vivenciar tudo aquilo.

Há um universo riquíssimo em O Silêncio das Mariposas, como você mesmo diz, um drama psicológico. O que você utilizou mais, pesquisa ou intuição?
Foi intuição. Ao entrar na alma da personagem, pensando como ela pensaria, foi-me permitido escrever por intuição – não minha, mas a da personagem que criei. Confesso que, no decorrer da escrita, cheguei a ter momentos de melancolia, pois somatizamos muitas coisas que pensamos. E como tive que criar essa personagem sociopata e, acima de tudo, melancólica, senti o impacto dos pensamentos dela.

Vampiros são seres sombrios, sedutores, que sempre mantiveram uma essência. Apesar das mudanças da sociedade, autores sempre respeitaram alguns limites para não fugirem dessa essência. Como foi escrever sobre um ser tão milenar em meio aos nossos dias? Você operou alguma modernização na estrutura da lenda?
É uma tarefa complicada, pois existe toda uma lenda que está no imaginário popular. Mas confesso que não me importo quando as leis são quebradas na literatura, principalmente na fantástica. Este tipo de escrita permite a adaptação da lenda, pois escrever fantasia é ir além das amarras vigentes. A criatividade existe justamente para isso: inovar. É arriscado, mas necessário.
Destaco que a caracterização de minhas personagens sofreu grande influência de Anne Rice. Os vampiros dela, tal como os meus, não saem à luz do sol, dormem em caixões e são destituídos de gênero. Ao se transformarem em vampiros, o que os fascina não é a sexualidade, mas pequenas nuances de suas vitimas, como beleza, inteligência, poder, juventude, entre outros.

Conte-nos sobre a experiência de trabalhar com outros dois autores como foi em seu livro-reportagem Sociedade do Lixo.
Sociedade do Lixo é um livro-reportagem que desenvolvi em 2008. Ele foi escrito em parceria com meus amigos jornalistas Analúcia Neves e Lucas Claro como trabalho de conclusão de curso. Há seis histórias reais, que fazem uso do jornalismo literário-interpretativo, desvendando uma sociedade que vive, muitas vezes, esquecida: a sociedade do lixo. O livro está disponível para download gratuito http://julianoschiavo.blogspot.com/2010/02/livro-reportagem-aborda-historias-de.html Recebi vários e-mails de professores que utilizaram o material com seus alunos em sala de aula. Isso é gratificante, pois vemos que nosso trabalho serve de complemento escolar.

Consternado é outra obra sua dirigida ao público adulto. Você pretende lançar-se em direção a outros públicos algum dia?
Consternado é um livretinho que escrevi quando cursava jornalismo. É uma trama repleta de palavras de baixo-calão, humor, reviravoltas. Trata-se da história de Adônis, um cara com Complexo de Édipo, que vive com sua meio-irmã, Suzana. Ele delira entre momentos de lucidez e loucura. O livretinho também está disponível para download no link http://julianoschiavo.blogspot.com/2010/03/consternado-juliano-schiavo.html
Quanto à questão de se lançar a outros públicos, diria que a vida é uma caixinha de surpresas. Participei de um concurso literário em 2008 com um livro infantil. Ele ficou em 10 lugar. A editora disse que tinha interesse na publicação. Mas ate agora, não se posicionou.

Tendo uma formação jornalística, como você vê a relação da mídia com a Literatura Brasileira Contemporânea?
O que vou dizer não é nada além do que as pessoas sabem: a mídia é movida por interesses – seja monetário, político, cultural. Se uma grande editora investe na publicidade de um livro, a editora pauta a mídia e surgem matérias sobre o livro. Os jornalistas, em grande parte dos casos, em razão de uma série de fatores (a começar pela própria produção acelerada de notícias e falta de tempo), acabam por usar só o press-release que as editoras mandam. Não oferecem a essência ao leitor, ou seja, não analisam os livros como deveriam analisar. Oferecem apenas a estética agradável, o bonito, o que é vendável, ou seja, o press-release. Não se aprofundam. E quem perder com isso? É o leitor. E um veículo acaba por pautar outro veículo de comunicação. Se um dá uma matéria sobre o livro tal, outro deve dar também. É a lógica “o que eu outro tem, temos que ter”. E tudo se torna homogêneo, pasteurizado, sem sabor. Tudo acaba por ficar igual.
Mas há esperanças. Sempre há. Não posso generalizar, pois existem veículos de comunicação, principalmente os alternativos e a imprensa do interior, que fazem um trabalho diferenciado e buscam passar a essência, não o embrulho, ao leitor.






O Silêncio das Mariposas


O retrato de uma alma vampira

Vampiros, sangue, sensualidade. Três palavras que se misturam no livro O Silêncio das Mariposas, de Juliano Schiavo (Editora Multifoco, 214 páginas). Para quem gosta de histórias de vampiros, mescladas com ponderações sobre a “vida em morte”, O Silêncio das Mariposas surge no cenário para confundir e, ao mesmo tempo, envolver o leitor. Não há uma grande história. Há apenas relatos. Relatos de uma vida vampira.
Escrito entre janeiro e julho de 2.009, o livro traz em suas páginas uma personagem sem nome e sem sexo, que revela o sofrimento e os prazeres de sua vida em morte. Transformada em vampiro, seus instintos e sensações se aguçam. Os relatos, que parecem ter sido sussurrados, oferecem ao leitor um retrospecto da infância da personagem até o desfecho de sua história.
“Trata-se de uma pessoa que não consegue amar ninguém e apresenta traços de sociopatia. Conquista a todos com seu sorriso, mas não se suporta mais. A vida, para ela, tornou-se um Baile de Máscaras, sendo necessário representar o tempo todo”, explica o autor.
De acordo com Schiavo, o título do livro O Silêncio das Mariposas é uma metáfora. As mariposas representam a ansiedade, pois vivem a se debater no estômago da personagem. Já o silêncio é o que tanto ela almeja: uma busca pelo fim de seu sofrimento tão latente.
“Nos relatos da personagem, há momentos de euforia e outros de depressão. Uma bipolaridade não tão acentuada, mas presente, que molda sua personalidade. A trama tem um tom psicológico, de conflito mental, envolvendo drama, aventura, medo, angústia, prazer, sensualidade e reflexão. E é a partir da transformação vampira que todos esses pontos se unem e fazem com que a personagem, sem nome e sem sexo, relate sua vida e destaque seus sabores e dissabores”.
A inspiração para a história veio de alguns livros. “O que mais me motivou a escrever foi O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger, com seu Holden Caufield – um adolescente em busca de seu eu. Também não posso deixar de destacar o livro O Perfume, de Patrick Süskind, com seu Jean-Baptiste Grenouille, de personalidade sociopática. Para a criação das personagens vampiras, me inspirei em Entrevista com o Vampiro, de Anne Rice, com seu vampiro de Louis Pointe du Lac, que tem característica introspectiva”.


BLOG: http://www.julianoschiavo.blogspot.com/
MSN: jssjuliano@hotmail.com
Twitter: julianoschiavo
Blog do livro "O Silêncio das Mariposas": http://www.osilenciodasmariposas.blogspot.com/
Download do livro-reportagem "Sociedade do Lixo": http://www.4shared.com/file/113313866/26b709ab/sociedade_do_lixo.html
Trailer do livro-reportagem "Sociedade do Lixo": http://www.youtube.com/watch?v=vDkRY9jL-ok


Luís Delgado

As Regras do Jogo

Longe de mim, usar o espaço do Literária 15 para levantar bandeiras de socialismo, comunismo ou capitalismo. Nesta seção, artigos, o objetivo é bem simples, levar esclarecimentos, ajuda, aos escritores iniciantes e compartilhar conhecimento também com os mais experientes.
Portanto, falaremos hoje, de uma maneira prática e resumida, sobre como, nos moldes de sociedade e regime econômico, em que vivemos hoje, o escritor pode criar uma estratégia para tornar viável o comércio de sua obra.
O capital é o eixo da “jogada”, quando você publicar seu livro vai precisar de dinheiro para arcar com certos custos, mesmo publicando por uma editora que não cobre serviço algum, isso mesmo, não é só lidando com editoras que cobram, ou ainda as gráficas, que se tem despesas.
Não é necessário comentar que você irá precisar de uma renda para o caso de publicação independente, então vamos direto ao ponto, falando da hipótese onde o autor não gasta um centavo com a publicação.
Se você realmente deseja que sua obra se torne conhecida, você terá que investir em divulgação, eventos, muitas vezes é bom presentear algumas pessoas com seus livros para que elas façam resenhas tornando tudo mais simplificado para um futuro leitor.
Há que se considerar ainda, neste aspecto, custos com frete, compra de exemplares além da cota a qual você possa vir a ter direito, anúncios e uma série de possibilidades.
Outro ponto também são os concursos literários para romances, onde você aposta na sua obra para ganhar um prêmio que o torne mais conhecido no meio, você terá despesas com inscrição, novamente envio, e tendo a felicidade de vencer, os custos de uma viagem, se a cerimônia for fora de sua cidade.
Enfim, é sempre bom que você tenha um outro emprego, serviço, ou quem sabe um patrocinador, para garantir que as vendas de suas obras não fiquem apenas nas mãos da editora. Vale seu esforço individual também para que juntos, autor e editora, deem o máximo na divulgação. Sem contar que isso pode despertar o interesse de órgãos de imprensa pelo seu trabalho e lhe ofereçam a possibilidade de viver totalmente da escrita. Um sonho de muitos. Não desanime, seja um bom estrategista, faça as contas, veja o quanto pode gastar, como gastar, e mais do que investir num produto, invista no sonho. Neste caso nenhuma fortuna é realmente perdida.

Sucesso!
Luís Delgado