Um novo conceito em Blog Literário!

Espaço dedicado à divulgação de autores brasileiros, além de matérias e dicas sobre Literatura.
Contato: literaria15@gmail.com

Busca do Literária 15

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Wilson Gorj

Hoje eu recebo aqui no Literária 15, meu grane amigo Wilson Gorj. Um escritor de estilo inconfundível, alguém que conseguiu imprimir com qualidade uma marca na Literatura Brasileira. Um autor que acompanha as tendências do mundo das letras e cujo trabalho conseguiu uma grande repercussão na internet.

Wilson já possui duas obras incríveis, além de trabalhar ainda como colunista em diversos portais. Dono de uma agilidade irrepreensível, e de uma capacidade incrível de simplificar o cotidiano, seus textos levam à reflexão e ao lazer dentro de um equilíbrio fantástico. Um gênio da microficção, alguém que traz inovação e um talento que têm muito a ensinar.

Sua diversidade vai além dos textos, dos personagens, sua abordagem e narrativa são plurais, suas obras revelam nuances no seu posicionamento como autor e crítico, artista e debatedor, alguém que compreende a realidade e nos traz o que nela há de mais agradável.

Em 2007, publicou o livro Sem contos longos e participou da antologia Contos de algibeira, ambos constituídos de micronarrativas. Conta também com diversas participações em antologias e suplementos literários. Prometo ser breve é seu segundo livro. Na internet, pode ser lido em vários endereços, destacadamente no blogue O Muro & Outras Páginas (http://omuroeoutraspgs.blogspot.com/). É colunista dos jornais O Lince e Comunicação Regional.

Alguns trechos de Prometo ser breve:

PADRE
Perdeu a fé nos homens.
Desde então se devota às mulheres.

CARNAVAL
Fantasiou-se de político corrupto.
Foram quatros noites e três dias de impunidades.

EMPREGADAS
– Só este ano é a segunda vez que ela aumenta os seios.
– E o nosso salário, sempre do mesmo tamanho.

RATAZANA
Na casa enorme, vivia sozinha com sete gatos.
À noite, a solidão vinha lhe roer o coração.

AMOR IMPERFEITO
No jardim do peito, plantou amores-perfeitos.
Do coração dela, só colheu espinhos .

DESCOMPASSO
Casaram-se ao som d’As Quatro Estações.
O casamento não durou duas.

TRIÂNGULO AMOROSO
Hipotenusa amava Isósceles.
Faltava livrar-se do obtuso marido.

Conte-nos como despertou em você o interesse por microcontos.
Posso dizer que esse interesse nasceu de duas exigências coincidentes. A primeira delas diz respeito à concisão. Para ser mais acertado, diz respeito a um determinado conto que precisei adequá-lo às exigências de um concurso literário. A história se desenrolava em oito páginas, e o edital, como ocorre à maioria dos concursos de contos, limitava o tamanho dos textos a cinco laudas. Penei para reduzir o conto ao tamanho permitido. Mas depois de muitos cortes e acertos percebi que a história ficou melhor, ganhou ritmo novo. Tornou-se mais envolvente, impactante. Talvez isso fez com que o conto saísse vencedor do concurso. Com o prêmio, ganhei motivação para investir em outros contos, prezando sempre pela concisão e clareza. Por essa época recebi o convite para escrever em um encarte cultural que circulava aqui em minha cidade. A segunda exigência: em vista do espaço restrito a mim reservado, obriguei-me a trabalhar na feitura de contos curtos. Mais tarde, o responsável pelo tal encarte resolveu trazer de volta o jornal fundando pelo pai. Com o renascimento d’O Lince, ganhei uma coluna cativa, na qual desde então venho publicando minha ficção minimalista.

Em "Prometo ser breve" você lança, genialmente, mão de muitas vertentes literárias, crônicas, poesias, e outras. Como é reunir toda essa pluralidade em uma única obra?
A bem da verdade, este livro surgiu meio sem querer, quase involuntariamente. Surgiu muito mais do desejo de reunir o material disperso em meu PC do que o de aprontar uma obra para ser publicada. Para começar, fiz uma busca por gêneros, separando os textos por categoria: contos, poemas, pensamentos, ideias. Depois selecionei esse material por tamanho, juntando o que era microficção em uma única pasta de arquivo. Nela dei-me conta de que tinha basicamente três tipos de textos minimalistas: os conhecidos microcontos, algumas brincadeiras com a Nossa Língua (trocadilhos, jogos de palavras) e poemas curtinhos, os ditos poemínimos. O passo seguinte foi colocar tudo em um só arquivo e dividir o original em três partes: a primeira, chamei-a simplesmente de “Microcontos” (nela estão as histórias contadas em duas, no máximo três linhas); a segunda intitulei de “Reinações no Reino da Palavra” (em referência a dois grandes autores brasileiros: Monteiro Lobato e Carlos Drummond de Andrade. “Reinações” refere-se ao título da obra “Reinações de Narizinho”, e “Reino da Palavra” foram tiradas daquele famoso poema cujo verso nos diz: “Penetra surdamente no reino das palavras...”. Foi o que fiz, mas fiz com irreverência, imbuído do espírito lúdico de Narizinho); – e, finalmente, a última parte: “Doses homeopoéticas”, onde a poesia é ministrada em pequenas doses, diminutos versos, alguns não ultrapassando mais que uma linha. Tendo, enfim, preparado o original, enviei-o a várias editoras e, entre as interessadas, escolhi a Multifoco, não tanto pela qualidade gráfica do seu catálogo, mas principalmente pela forma inovadora com que publica seus autores. O “Prometo ser breve” estreou o selo 3x4, segmento dedicado à publicação de microficções, cujo catálogo, agora, já conta com outros títulos.

Você acha que a objetividade, o minimalismo de textos breves e a leitura rápida são tendências próprias do nosso tempo?
De certa forma, sim. Embora os minicontos tenham sido praticados em outros tempos, acredito que em nossa época este tipo de literatura encontre mais adequação e, portanto, mais interesse e visibilidade. A Internet colabora muito para isso. Tomemos o Twitter como exemplo. Lá os microcontos não são apenas uma tendência, mas sobretudo uma exigência, dado o limite de 140 caracteres. Essa linguagem veloz também pode ser uma resposta à ditadura da imagem à qual a nossa sociedade está sujeita. Dito de outro modo: não podendo concorrer com a imagem, a palavra de certa forma procura aliar-se a ela. Daí a semelhança entre alguns microcontos e certos textos publicitários, os quais, a propósito, quase sempre estão associados a alguma imagem, a uma marca. Sejam o que forem, a verdade é que os microcontos e os poemínimos são uma vertente literária (por paradoxal que seja) cada vez mais caudalosa, mais praticada. E antes que digam, aqui vai outro paradoxo: os textos minimalistas não vieram para reduzir a literatura, mas para ampliá-la; estão aí para somar, trazendo mais uma opção de leitura e, principalmente, de produção literária.

Microficção é uma marca sua, algo que você faz de maneira excelente. Pretende experimentar outros gêneros literários um dia?
De uns tempos para cá venho me dedicando mais a textos não tão curtos quanto os microcontos. Tenho trabalhado em pequenas histórias com uma estrutura muito próxima a do conto convencional. Como já dissera nesta entrevista, houve um momento em que escrevi contos de maior fôlego. Com esses, inclusive, até cheguei a ganhar concursos literários. No entanto, hoje me sinto mais à vontade escrevendo textos curtos, não importa se em prosa ou poesia. Graças a esta literatura enxuta reduzo o risco de aborrecer o leitor, e assim obedeço ao mandamento que deveria ser primordial a todo escritor: “Não chateais”.

Apesar de abordagens rápidas, você consegue alcançar o cotidiano com profundidade em seus textos. A ironia e a reflexão revelam um inconformismo? Uma vontade de propor uma mudança na sociedade através da Literatura?
Não digo uma mudança na sociedade, mas aposto na literatura como agente eficaz na mudança dos indivíduos. Os bons livros nos transformam. Particularmente devo muito à literatura. Foram os livros que me trouxeram o pendor para a reflexão, o gosto pela ironia e o hábito de olhar o mundo com curiosidade e a vida, com espanto, encanto e, às vezes, inconformismo. Se tivesse de eleger uma religião, escolheria a literatura, altar onde deposito minha fé.

Sem Contos Longos foi uma obra lançada por conta própria. Como foi essa experiência e qual o resultado criado até o lançamento de Prometo ser breve?
Uma ótima experiência, sem dúvida. Um pouco árdua, também. Teria sido, porém, mais difícil se eu não contasse com o apoio do proprietário do jornal O Lince, que me ajudou a bancar metade dos custos. Publicar de forma independente deu-me a dimensão de que como é complicado vender um livro sem o suporte oferecido pelas grandes editoras, isto é, sem uma divulgação direcionada e amplo sistema de distribuição. Mas não posso reclamar deste primeiro livro. Até porque não demorei para recuperar o investimento. Além do mais, foi graças ao Sem contos longos que muitas portas se abriram para mim. Não fosse ele, talvez eu ainda não me teria lançado como autor e, provavelmente, investiria menos no mundo literário, para o qual, aliás, sinto-me cada vez mais atraído e requisitado. As portas continuam se abrindo. Esta entrevista é uma delas. Aproveito o gancho para agradecê-lo pela oportunidade.

Que dica você deixaria para quem está começando a se aventurar como escritor no Brasil?
As dicas que deixo aqui servem para qualquer um que esteja começando a escrever, não importa onde. A primeira é bem simples: leia. Leia sempre. Mas saiba ter critério na escolha dos livros. Um leitor exigente é a base fundamental para um escritor competente. Segunda dica, mais óbvia: escreva. Escreva sempre. Mais do que escrever, reescreva. Reescreva sempre. Exija o melhor de sua escrita. Aprenda as técnicas, os recursos. Aprenda sempre. Molde-se como escritor. A publicação independente, hoje em dia, é uma realidade bem acessível; portanto, o mercado editorial conta com um número crescente de lançamentos e autores buscando um lugar ao sol. A concorrência é grande; poucos sobressaem. Não devemos nos iludir. Fama e sucesso, salvo em algumas exceções, não fazem parte do universo literário. Prestígio e reconhecimento, sim. O autor que quiser obtê-los deve se concentrar em lapidar a própria escrita, tornando-se apto a escrever de forma correta e atraente. E só então, em posse dessa condição, empenhar-se em ser publicado.



Prometo ser breve

Esta é a nova empreitada literária de Wilson Gorj. O livro reúne microcontos, aforismos, trocadilhos e poemas curtos, alguns, inclusive, talhados em apenas um verso. Publicada pela Editora Multifoco, a obra estreia o selo 3x4 microficções, focado na publicação de textos minimalistas. Nesses do autor predomina a ironia, temperada com doses de lirismo, reflexão e simplicidade. Com seu estilo conciso e irreverente, o livro cumpre o que promete. Prometo ser breve não é só uma leitura rápida, mas sobretudo agradável, da qual o leitor extrairá boas surpresas.


Gênero: microficção
ISBN:978-85-7961-107-0
Capa: Guilherme Peres
sobre obra de Jules Bastien-Lepage:
O engraxate de Londres (1882).
Editora Multifoco, 2010, 68 págs.
Preço: R$ 25,00

Onde comprar:
Com o autor -
gorj@jornalolince.com.br e wilsongorj2507@itelefonica.com.br
Pela editora -
http://www.editoramultifoco.com.br/

Wilson Gorj
Sem Contos Longos, 2007, edição do autor.
Prometo ser breve, 2010, editora Multifoco/RJ

Links

Revista Minguante (Sem Contos Longos):
http://www.minguante.com/?livro=sem_contos_longos
Jornal O Lince. Profa. Eloísa Elena discorre sobre meus textos:
http://www.jornalolince.com.br/2010/fev/pages/publicando-gorj.php
Site Cronópios. Crítico Márcio Almeida:
http://www.cronopios.com.br/site/ensaios.asp?id=4328
Crítico e contista Fernando Scarpel resenha Prometo ser breve:
http://scarpel-fernando.blogspot.com/2010/05/os-microcontos-de-wilson-gorj.html
Jornal Gazeta dos Municípios
http://www.scribd.com/doc/28573394/Jornal-18-03-2010
Germina Literatura
http://www.germinaliteratura.com.br/2010/prestreia_jun10.htm


Luís Delgado

Um milhão de capítulos

Que vez ou outra aparecem tendências humanas que atingem vários aspectos da arte não deve ser novidade para você. Muito menos de que a Internet tornou tudo muito objetivo. Podemos ver essas manifestações na nova literatura, muitos têm sido os autores que começaram a escrever romances com capítulos muito pequenos, de modo que, às vezes um livro de cerca de trezentas páginas possua mais de cem capítulos.
Também é verdade que isso não vem de agora, Érico Veríssimo, por exemplo, em Incidente em Antares, estrutura a obra na sua maioria com minúsculos capítulos. Talvez tenha sido um homem a frente de seu tempo, ou talvez a tendência da objetividade ultimamente tenha apenas sido exaltada e seja uma velha conhecida.
Com os E-Books, o hábito de ler uma história diante de uma tela de computador, ou podemos ainda aliar tudo isso à correria dos nossos tempos, sem falar nas tentativas tecnológicas de substituir o livro impresso, os leitores têm procurado muito por praticidade, percebe-se uma corrente que busca histórias menos complexas, mais claras e menos cansativas.
O fato é que para você escritor, pode ser um aprendizado incrível, capítulos pequenos permitem um ritmo diferente à linha narrativa. Sua história pode através desta enorme quantidade de capítulos prender a atenção do leitor usando ganchos em seus finais que despertem a curiosidade para a sequência da trama.
Verdadeiros mini blocos de ação dramática, que tendem ao específico e podem deixar seus objetivos e personagens mais bem definidos. Além do que, tudo isso pode despertar em você a qualidade de ser objetivo, algo fundamental no meio jornalístico, principalmente na web. E esse tom jornalístico pode abrir seus horizontes, enriquecer seu estilo sem deformá-lo, como também prepará-lo para ser, por exemplo, um colunista. Diversificar sua área na Escrita.
Estar ligado nas novidades, saber exercer uma pluralidade literária, e não ter medo de encarar novos desafios ao testar novos conceitos com certeza contribuirá para o seu melhor como escritor. Aproveite e faça um teste, escreva uma história pequena em capítulos pequenos, sem pretensão, ou quem sabe aquela ideia de um livro pode ser concebida nesses termos também e ser uma verdadeira obra-prima. Capítulos pequenos dão uma tônica diferente, e aqui vai um conselho, tente não ser sempre o mesmo, afinal o mundo muda constantemente. Experimente!

Sucesso!
Luís Delgado

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Kiara Guedes

Sempre inovando, quem aparece por aqui no Literária 15 hoje é minha grande amiga Kiara Guedes. Ela que já passou aqui pelo blog na seção Poética 15 com uma bela poesia. Versátil escritora que já conta com participações em duas antologias, com poesias premiadas. Mas para quem pensa que isso é tudo, se engana. A autora é ainda colunista e escreve para dois notáveis blogs que registram um número de visitas impressionante.

Kiara é imprevisível, suas crônicas, a poesia, toda vertente literária é dominada pela escritora com perfeição. Crítica, bem humorada, nada escapa ao seu poder de observação. Para quem visita os blogs "Neste Instante" e "Égua Não!" se encanta com o estilo, a experiência, com textos coesos e diretos. Às vezes simplesmente comentando experiências próprias com a Literatura e em outras entretendo os seguidores.

Seu trabalho se torna também uma fonte de aprimoramento constante para quem se dedica ao mundo das letras, talento indiscutível, inteligência afiada e um dom que transcende os conceitos dos nossos dias. Mais do que recomendada, mestra das palavras e com olhos que enxergam além do que muitos de nós conseguimos.

Seu caminho é brilhante, sua amizade uma preciosidade, compartilhar de seu lirismo é uma experiência única, que só pode ser proporcionada pela genialidade de uma grande escritora.

Você tem participações belíssimas em antologias, algumas inclusive premiadas. Pensa em algum dia lançar uma antologia com obras exclusivamente suas?
Oi Luís! Antes de mais nada, muito obrigada pelo convite de entrevista no Literária15, uma deliciosa oportunidade. Sua dedicação à literatura é invejável, não só como escritor, mas como divulgador de tantos autores brasileiros. Fica evidente o amor a esta arte.
É empolgante começar uma entrevista com a palavra SIM!
Sim, sim. Lançar meu livro de poesia é um projeto antigo que já está em andamento. Misturado os ingredientes e batido, já está no forno. O cheiro já começa a ser sentido, e confesso, ansiosa para servi-lo… Uma fome danada! Risos.

Qual a maior diferença entre seus blogs Neste Instante e Égua Não?
O Neste Instante, meu primeiro blog, nasceu há alguns anos com o intuito de “desengavetar” meus poemas e crônicas, que já estavam sofrendo de claustrofobia daquela gaveta superlotada de palavras, até então, mudas. Algo como “dar a cara a tapa”. No processo, comecei a me divertir e a entender melhor minha relação com elas, as palavras, bem como, logo depois, nossa relação, minha e das palavras com o leitor. O Neste Instante que já foi pura catarse, se encontra hoje mais maduro e tranquilo. É meu queridinho.
Enquanto que o Égua não! (“Égua!”:uma variação para expressar chateação, aborrecimento, susto) surgiu de conversa entre amigos regada a gargalhadas, que sugeriram que eu escrevesse sobre relacionamentos, sexo, amor, paixão e todas as outras bobagens ou não, tratadas nas revistas femininas. E como eu tinha algumas crônicas nessa linha, ficou fácil. Mas o égua não! é só diversão, humor mulherzinha pra descontrair.

O que você pensa dessa "migração" da Literatura para os sites e blogs? Acha que é uma tendência de substituição do livro impresso, ou apenas um auxílio?
Contradizendo qualquer “profecia” para a relação literatura x tecnologia, as duas ficaram muito amigas, obrigada! Com a internet as pessoas estão lendo e escrevendo mais.
Não acredito numa “migração”, nem numa “nova literatura”, como muitos costumam chamar, mas sim numa bela peça que a velha literatura nos pregou. Ela chegou antes de nós à estação, comprou acento na janela e pelo que percebo, ri dos que ainda discutem, indecisos, sobre que trem pegar. Afinal, quando queremos conhecer novos autores, não pensamos duas vezes, é nos blogs e sites que procuramos. Aposto que a sua mais recente dica daquele livro incrível, foi feita através de redes sociais e/ou amigos virtuais, lembrou? Bem, pelo menos a minha foi!
Falar em substituição então, é ainda menos provável.
Eu sou leitora de e-books, e mesmo com toda a portabilidade do formato digital, nunca nem prestei muita atenção, admito, para a discussão sobre o fim do livro impresso. Não acontecerá. O prazer do manuseio que um livro impresso proporciona é insubstituível, e não conheço apelo lúdico tão forte quanto um livro nas mãos. Esse apelo é tão forte que os livros e revistas digitais há muito, estão mudando de seu primeiro formato em pdf de páginas contínuas para o formato de “impresso virtual”, no qual clicamos em suas páginas para que elas passem, como se o folheássemos.
Mas as apostas estão na mesa, e como falei antes, a literatura é idosa e muito sábia, pode me fazer morder a língua, mas mesmo que faça isso, ainda terá uma longa jornada para fazer alguns milhares de leitores, como eu, a se desfazerem de seus livros.
Costumo dizer que é neles, nos livros, que moram minha vaidade e ciúme. Isso deve resumir minha opinião. A internet tem produzido muito mais leitores de livros impressos de “sombra da árvore” e “de varanda” que quaisquer professor de literatura.

Você consegue com extrema habilidade escrever poesias, crônicas, resenhas. Já pensou em arriscar uma obra como um romance algum dia?
Pensar a gente sempre pensa muita coisa. Mas um romance ainda não passeou por qualquer rua, alameda, ou viela da minha cabeça. Mas quem sabe um dia, não pousa, de surpresa, um romance?... A pista de voo está liberada! rs.

Égua Não é um blog que exalta o mundo feminino usando de um humor muito inteligente. Como tem sido o retorno dos leitores?
Pra ser bem sincera, me assustou. Não imaginava que ia dar certo, muito menos que ele seria tão querido. As pessoas me cobram atualização, que por ser meu blog número 2, deixa a desejar. Por outro lado, sei que um blog, cujo foco principal é a literatura e poesia não faz tanto sucesso quanto um blog de humor, ainda mais quando o assunto é sexo, mesmo que dos anjos.
No entanto… Ninguém quer ser “conhecido” por seu lado B, e o “égua não!” tem feito isso comigo, quem me conhece sabe, seu conteúdo é o meu Lado B. Mas nada que me incomode ao ponto de querer acabar com ele, afinal, meu lado B é “meu” lado ainda, e as pessoas que se interessam por minhas crônicas, geralmente acabam se interessando pela minha poesia também.

Neste Instante é um blog muito variado, tanto no estilo quanto no conteúdo. Existe algum critério para os textos, ou você deixa a imaginação correr livre para escrever sobre o que quiser?
O Neste Instante é o meu diário, ou mesmo a aquela agenda adolescente que nunca tive! Não só deixo a imaginação correr livre, meu cotidiano as vezes toma conta do blog.
Como falei lá no começo da entrevista, já foi pura catarse, hoje mais maduro, ele sou eu no instante em que posto nele, ele é meu playground, é lá que eu brinco de escritora, de blogueira ou de qualquer outra coisa que o instante me permitir. Por isso o nome, Neste Instante, que Noutro, será Outro!

Como uma autora que trabalha intensamente analisando fatos, tendências e comportamento igual a você vê a nova geração de escritores brasileiros?
Sou uma entusiasta em relação aos novos escritores brasileiros. Existe hoje toda grande e ainda crescente parcela da população jovem com uma fome de cultura absurda, para os quais, consumir literatura, cinema, fotografia e todas as formas de arte, é busca necessária. Mas como fala minha mãe: “o bom julgador, por si, julga.”
E há uma coisa muito interessante de se ressaltar, é que a gente costuma usar a frase “ele se tornou escritor…”… Quando na verdade, se nasce escritor. O velho ou o novo precisa escrever, não para viver ou mesmo sobreviver como Anne Frank, mas para fazer sentido, existir.



15 poetas para todas as crianças


Nasceu em Macapá, no Amapá em 1978. Formada em Direito pela Universidade da Amazônia, em Belém do Pará. Professora de inglês, vive hoje em Macapá, onde possui uma escola de idiomas, tendo assim como sua principal ocupação a de empresária.
Filha mais nova de uma família de músicos, sua maior influência artística não poderia ser outra - a musica. Porém, sempre teve como paixão maior a palavra, principalmente a ritmada. A Poesia.
Participou de alguns Concursos Culturais de Poesia, teve a poesia “Coragem”, publicada no Livro Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos vol.53, pela CBJE (Câmara Brasileira de Novos Escritores) em São Paulo, e recentemente, a poesia "Bicharada", publicada na Coletânea de poemas infantis da Editora Novitas, ”15 poetas para todas as crianças”.
Escreve poesias e crônicas para algumas revistas on line e nos blogs:

http://nesteinstante.com/
http://eguanao.blogspot.com/


Luís Delgado

Seguimos em frente

As postagens aqui no Literária 15 que estão sob o marcador MATÉRIAS, sempre vem como um artigo explanando sobre minhas experiências nesses três anos como escritor. Sobre tudo o que aprendi, falando de Literatura, termos técnicos, conselhos, dicas, opções para o escritor. Hoje sou levado a mudar esse panorama. No dia 13 de julho de 2010, em uma terça-feira de manhã, fui convidado para uma Feira Literária organizada no Instituto de Educação Eliana Duarte da Silva Breijão, em Porciúncula-RJ, cidade onde moro.
Não foi minha primeira feira literária, ou evento referente à literatura, mas gostaria de expressar aqui meu agradecimento e sentimento, minha experiência e confiança.
De tudo o que participei, de tudo o que esperava pessoalmente, foi o evento mais surpreendente pra mim até hoje. Uma organização impecável por parte da direção, dos professores e dos alunos. Estes últimos então, transpuseram as barreiras nas apresentações. Artes manuais, o uso de notebooks mostrando a tecnologia como forte aliada, e o profundo conhecimento a respeito das obras, de autores e de movimentos. Me deparei com uma geração que não se ateve ao passado como glória única da Literatura Brasileira, mas sim, com jovens que falavam dos dias antigos e que conheciam o presente, discorrendo sobre as tendências contemporâneas, das mídias sociais como espaço de expressão artísticas e ainda dentro desse conhecimento atual revelando uma perspectiva para o futuro.
Não eram alunos que decoraram resumos de livros, eram verdadeiros artistas intensamente mergulhados em uma proposta brilhante, LER POR PRAZER. Foi uma honra ter meus livros como objeto de estudo de alguns dos alunos, perceber o quanto se debruçaram sobre a história, a competência, a loucura de ouvir minha biografia sendo dita a mim mesmo. Mas como disse um grande artista uma vez: a obra nunca está completa. Percebi isso na criação dos alunos em cima do meu trabalho, a caracterização de personagens, frases feitas em cima do título, a pesquisa a respeito de objetos da trama. Foi um grande aprendizado pra mim, um momento emocionante e inesquecível. Meu agradecimento por essa experiência tão nobre e que mostra que a esperança se renova de tempos em tempos, a cada geração o Brasil ergue seu olhar. Como costumo dizer... Já não somos as crianças do museu, somos os gigantes do novo mundo. Muito obrigado!

Sucesso!
Luís Delgado