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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Georgette Silen

No Literária 15 de hoje recebo minha grande amiga Georgette Silen. Além de uma brilhante escritora, Georgette é também uma das grandes contribuidoras para o cenário de renovação da Literatura Brasileira. Dona de uma narativa que prende a atenção do leitor do começo ao fim, teve início em antologias e agora nos brinda com sua obra literária Lázarus.

Tivemos contato através do orkut, onde descobri que dentre seus inúmeros trabalhos, alguns foram lançados pela mesma editora que lançará meu quarto livro.

Sua linha narrativa impressiona pelo realismo, o ambiente da trama é dotado de uma riqueza de detalhes impressionante, isso sem mencionar a enorme bagagem cultural, própria da autora, e transmitida aos leitores de uma maneira muito bem organizada. Uma presença ilustre e admirada na Literatura Brasileira, escritora inteligentíssima, organizadora, prefaciadora, autora convidada, entre outros; uma pessoa super competente que já teve experiências com diversas linhas editoriais tornando-se assim alguém com quem podemos aprender muito.

Alguns de seus trabalhos:

Dimensões.BR - Andross Editora
Marcas na Parede - Andross Editora
Universo Paulistano 2 - Andross Editora
Folhas de Espantos - Editora Don Munoz
Paradigmas 4 - Tarja Editorial
Metamorfose - a Fúria dos Lobisomens - All Print
Poe 200 anos - All Print

O Grimoire dos Vampiros ( organização) - editora Literata
Sombrias Escrituras - Cidadela Editorial
Moedas Para o Barqueiro - andross Editora

Futuros lançamentos:

2054 - contos futuristas - Andross Editora
Tratado Secreto de Magia - Andross Editora
Ufo - Contos Não Identificados (organizadora ) Editora Literata
Cruzada - Contos Medievais - (organizadora) Editora Multifoco
Caldeirão da Bruxa - (organizadora) Editora Multifoco
Histórias Fantásticas ( organização da série) Cidadela Editorial
Kukl - Assembléia das Bruxas - autora convidada - Editora Literata
Pacto de Monstros 2 - Editora Multifoco
Sinistro 2 - Editora Multifoco
Fiat Voluntas Tua 2 - Editora Multifico
Extraneus - volume dois - Quase Inocentes - autora convidada - Cidadela Editorial
Gaya - contos de ficção cientifica - autora convidada - Pergaminho Editorial

Prefaciadora dos livros:
Agridoce - Simone O. Marques - editora Multifoco
Homens Sem Rosto - Renato Cunha - Editora Multifoco
Aos Olhos da Morte – (apresentação do livro) – M.D. Amado – editora Multifoco

Você escreveu muito bem o prefácio de "Agridoce" de Simone O. Marques, entre outras. Realizar a abertura de uma obra cria quais tipos de laços entre os autores e você?
Olá, boa noite Luís. Primeiro, obrigada pela oportunidade de ceder essa entrevista ao blog Literaria 15. Parabéns pelo seu trabalho.
Quando você escreve um prefácio, tem que estar antenado 100% ao conteúdo do livro, suas nuances, aos dramas e paixões que movem cada personagem. E como a obra é de outro autor, que tem estilo e ideias própias, isso só tem a acrescentar. Como também sou autora, é um exercício de imaginação e respeito para com o trabalho do colega, além de fortalecer e muito a admiração que se tem pelo trabalho do outro e buscar formas de falar e enriquecer uma obra que já é tão rica, como no livro Agridoce, da Simone O. Marques. Ela é uma autora que dispensa apresentações, seu trabalho literário é de altíssima qualidade sempre, e abrir esse trabalho foi uma honra e privilégios que até agora me deixam cheia de orgulho e com uma pontada de medo, ao pensar que talvez não tenha falado à altura do que merecia.
Além desse prefácio, fiz também a do livro Os Homens Sem Rosto, de Renato G. Cunha, e a apresentação do livro Aos Olhos da Morte, de M.D.Amado, que teve prefácio de Rober Pinheiro. Ambas as obras também possuem qualidade e fazer parte delas foi um grande prazer, além de aproximar ainda mais colegas de pena, criando respeito, admiração mútuas, contribuição de ideias e projetos, entre outros grandes benefícios.

De que forma surgiram os convites para participar como autora em antologias?
Minhas primeiras participações em antologias foram através de seleção mesmo, como todo autor que inicia. Os primeiros convites vieram agora em 2010, como autora convidada, para as Antologias Extraneus, volume 2 - Quase Inocentes, organizada por M.D.Amado; a antologia Kukl - Assembleia de Bruxas, organizada por Dimitry Uziel; Gaya - Contos de Ficção Científica, pela Pergaminho On Line; e algumas outras que ainda não posso falar, por serem projetos, mas que serão divulgadas no devido tempo. Como organizadora meu primeiro convite foi feito pelo editor Eduardo Bonito, da Literata, para organizar O Grimoire dos Vampiros, em 2009.

Organizar projetos é algo que você consegue realizar com sucesso. Em "UFO - Contos Não Identificados" a ficção científica se entrelaça com a história da humanidade. Acha que esse gênero é uma crescente no Brasil? Ou nossos autores já produzem dentro desse estilo com qualidade e apenas o espaço dado a eles é que aumentou?
A Literatura de Fantasia, que abrange a FC, no Brasil, sempre existiu, temos exemplos clássicos como A Luneta Mágica e O Homem que Viu o Disco Voador. Mas, junto com a literatura, também sempre existiu um certo preconceito com o autores nacionais que escrevem sobre fantasia. Nossos autores competem injustamente no mercado editorial contra obras de autores estrangeiros ( nada contra eles, por favor!), que contam com uma logística e mídia a favor de suas obras que supera, e muito, os recursos que são oferecidos a nós, que somos "de casa". A menos que você seja um sucesso de vendas, não terá o mesmo tratamento nem a mesma pompa que autores best sellers garantidos recebem das editoras nacionais. E alia-se a isso a nossa tendência a apreciar mais o que vem "de fora", os livros de autores estrangeiros tendem a ser a primeira opção de compra na hora de uma escolha pau a pau. Mas temos, e sempre tivemos, excelentes autores ficcionistas, muitos. Vejo isso todos os dias e a tendência é aumentar, cada vez mais, esse número. E talvez, consequentemente, o espaço oferecido, aberto muitas vezes à força de trabalho e determinação de nossos autores, amplie-se naturalmente. Eu sou otimista, prefiro acreditar na segunda hipótese.

E organizar uma antologia em série como "Histórias Fantásticas" é um processo idêntico? Ou há peculiaridades?
A diferença mais marcante é que você tem a grata oportunidade de ver a continuidade de um projeto. Antologias as vezes se encerram em um único volume, ou um segundo volume surge pela surpresa em ver que o tema não se esgotou na primeira vez e que ainda pode ser explorado. No caso do HF, a proposta já nasceu para 4 volumes, foi pensada dessa forma, e isso já cria a expectativa, em mim que organizo, sobre o que se sucederá ao primeiro volume, a que ponto a inventividade do autor brasileiro irá surpreender e encantar o leitor. A logística de trabalho se amplia também em visão e expectativas, mas em termos práticos você trabalha com um volume de cada vez, o que não provoca acúmulos nem quebra de cronogramas de recebimento, avaliação, seleção, produção editorial e publicação.

Em Lázarus, a personagem principal Laura Vargas transita entre o ambiente brasileiro e britânico. Como foi construir uma história que se passa em locais tão distintos?
Rendeu muitas horas de pesquisas em sites, guias turísticos de viagem, mapas, fotos, depoimentos colhidos de pessoas que conheceram pessoalmente tais locais abordados na trama, pesquisas históricas sobre lendas urbanas nos locais e também sobre a formação de alguns pontos importantes, geograficamente. A ideia era trabalhar não apenas o trânsito Brasil X Inglaterra, por razões que depois podem ser conhecidas no livro, mas também a cultura e os costumes que se relacionariam ao mito abordado. No primeiro livro, a maior parte da história se passa em Bristol, mas no final do primeiro volume a ação retorna a São Paulo, seguindo no segundo livro por locais como Campo Grande, Amazonas, Rio de Janeiro, no Brasil, e países como Escandinávia, Irlanda, França, Grécia, entre alguns pontos citados. Nos volumes 3 e 4 as tramas também permeiam esses locais. A ideia era misturar o mundo "real", que nos rodeia, com a fantasia dos mitos e lendas do mundo, fazendo-nos pensar o tempo todo: Eu sei realmente onde estou e o que me cerca de fato?

Livros, como Lázarus, onde passagens bíblicas são usadas, e às vezes distorcidas, causam sempre alguma polêmica. Você acredita que essas polêmicas podem contribuir, em algum ponto, positivamente na sociedade, mesmo se tratando de ficção?
Acho que depois do imenso sucesso do O Código da Vinci, não há como negar que trabalhar temas místicos e religiosos, dando-lhe novas dimensões, cria polêmica e atiça a curiosidade do leitor. No caso do Lázarus, a alusão ao nome do personagem Bíblico serve como ponte para um mito, criado para compor uma história de ficção, mas de certa forma causa a curiosidade em se pesquisar aspectos não tão relacionados a fé, mas ao estudo histórico da religião como uma força motriz que ampara as civilizações. Quando se mexe nesses alicerces, balançando estruturas, o ser humano vai atrás de explicações, é curioso, decide procurar, ou simplesmente abandona por ir contra seus dogmas, a escolha é dele. Nesse momento a ficção age como uma forma de provocar a descoberta, a procura por novas referências, chacoalha e o põe em movimento, incita a busca e a maior compreensão de fatos. O ser humano é sonhador, e proporcionar a oportunidade de sonhar e confrontar esse sonho com a realidade é a função da ficção.

Seu ambiente literário é bastante variado, mas há uma forte presença do "sobrenatural". Acredita que gêneros de fantasia ainda sofrem preconceito no Brasil, ou isso é passado?
Eu sou uma autora com temática definida na carreira: a literatura fantástica. Quando se trabalha com ela, você vai do "sobrenatural"´à Ficção Científica, passando por uma série de subgêneros no caminho. Me sinto á vontade com isso. Quanto ao preconceito, eu sinto isso na forma como somos educados a valorizar mais o produto externo ao interno, no caso de autores nacionaisXestrangeiros, no descaso de editoras com nossos autores, e na grande dificuldade em se vender livros devido ao preço absurdo praticado. Mas dizer que a literatura de fantasia não atrai o público não é verdade. Temos exemplos claros do quanto esse viés da Literatura conquista e encanta, crescemos ouvindo contos de fadas, são nossas primeiras estórias, e são fantásticas, vemos o sucesso de livros como Harry Potter e Crepúsculo, bem como nossos autores André Vianco, Giulia Moon, Martha Argel, Nazarethe Fonseca que desbravam esse universo e conquistam multidões. Temos um solo rico no leitor, só nos resta conquistar ferramentas necessárias para espalhar essas sementes entre eles e fazer a fantasia nacional alcançar maiores patamares.



Lázarus

Mistério, romance, alta tecnologia, sangue e morte passam a cercar a vida de LauraVargas, museóloga brasileira, após ela aceitar um surpreendente e inesperado convite para assumir o cargo de curadora de arte no The City Museum of Art and Gallery, em Bristol, sudoeste da Inglaterra,a cidade natal da família de seu pai. Disposta a começar uma nova vida ao lado da filha adolescente, Cinthia, Laura se surpreende ao descobrir que nem todos são aquilo que aparentam ser e que a eternidade é muito mais do que um conceito, ou uma simples palavra, quando ela encontra o Lázarus e recebe dele o seu “dom”. Agora, Laura precisa fugir de seus perseguidores, interessados em obter a “cura” milagrosa para todos os males, o dom ofertado pela misteriosa criatura lendária, e que se concentra em seu sangue.

Ano de publicação: 2010(julho)
Editora Novo século

Onde comprar:
http://www.novoseculo.com.br/
http://georgettesilen.blogspot.com/
http://sagalazarus.blogspot.com/
http://www.revistafantastica.com/
http://www.submarino.com.br/
http://www.livrariacultura.com.br/

Blogs e sites
http://georgettesilen.blog.terra.com.br/
Comunidade do livro no Orkut
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=102845750
Página da autora no Orkut
http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=11487502978577713831


Luís Delgado

Autor = Personagem e Autor ≠ Personagem

Muitas das pessoas que já visitaram o Literária 15, vez ou outra, leram perguntas minhas envolvendo personagens. Em sua maioria indagando sobre qual o nível de afinidade entre eles e o autor. Fala-se muito a respeito de projeção quando uma obra é analisada do ponto de vista de suas mensagens, ou estrutura psicológica. É fato que as obras passam mensagens, mesmo se tratando de ficção, mas até que ponto essas mensagens podem caracterizar o personagem principal como a voz do autor perante o mundo é algo com o que se deve levar muito em consideração.
As histórias muitas vezes são leves e não contam com nenhuma visão acirrada a respeito de assuntos como política ou religião. Livros com histórias cômicas são exemplos disso. E o fato de a narrativa ser feita na primeira pessoa, ou terceira, ou ainda de quem narra a história ser um personagem coadjuvante não afirmam nada também em relação à projeção do autor no personagem.
Existem muitos componentes em uma história, e às vezes simplesmente o tema pode ser a opinião pessoal do escritor.
Mas quando o autor decide caminhar pela trama na pele do personagem, aí fica muito clara sua intenção. Com certeza é uma maneira brilhante de tornar a obra algo muito distinto, entrar em contato com esse mundo fictício em níveis variados é uma experiência incrível para quem escreve. O personagem pode ser totalmente você, em todas as opiniões, ou parcialmente como disse antes, isso não só garante originalidade à obra, mas também pode levar o autor a repensar sua própria visão de mundo.
Esse personagem pode também ser apenas alguém que surge em determinados capítulos da trama, e mesmo assim passar as ideias de quem escreve.
E por fim podemos falar ainda de pessoas que fazem de seus personagens seres independentes, com preconceitos, dúvidas e antagonismos próprios, e deixam a reflexão por conta do leitor. Ou seja, ninguém na trama carrega a essência do autor, às vezes, ele apenas quer propor um tema e mostrar como a humanidade reage a isso. São muitos os escritores que usam esse método.
Você é livre para escolher, sua projeção pode ser muito variada. Ou nem mesmo existir, mas, se tiver oportunidade, experimente essa gama de possibilidades, personagens que não passam de você com outro nome e histórias onde seu desejo é apenas provocar ou descontrair. Qualquer que seja a sua escolha, ela lhe ajudará muito em seu crescimento, e a profundidade e estilo de seus textos com certeza crescerão significativamente.

Sucesso!
Luís Delgado

terça-feira, 15 de junho de 2010

Juliano Sasseron

No Literária 15 de hoje recebo meu grande amigo Juliano Sasseron. Um autor cujo trabalho vem sendo muito bem reconhecido na Literatura Brasileira, dono de uma narrativa empolgante, consegue sempre, e com muita habilidade, dar um ar muito real às suas histórias. Dentro da ficcção nos conduz de modo que a trama seja tão real que possa às vezes confundir-nos.

Como muitos autores da nova geração, soube também usar da internet para potencializar seu trabalho e expandir magnificamente o "universo" de suas obras. Complementando os livros, dialogando com outros artistas e aprofundando a paixão de seus leitores ainda mais.

Recetemente livros protagonizados por vampiros, ou que tenham seres sobrenaturais como tema principal ou ainda secundário, explodiram. Em vários setores da arte esse "boom" foi sentido, mas o autor vai além disso, com uma criatividade expansiva e poderosa, aborda os mais variados elementos e nos mostra que estilo é algo muito maior que rótulos, e que um escritor genial como ele pode passear pelos mais variados gêneros sem se perder, sem deixar de lado sua marca.

Sendo assim consegue um feito impressionante, quando alguém estiver lendo um conto ou trecho de livro saberá reconhecer se aquele foi ou não escrito por Juliano Sasseron.

Obras: CRIANÇAS DA NOITE (Novo Século, 2008)
participação no TERRITÓRIO V (Terracota, 2009)
ABENÇOADO (Multifoco, 2010) - lançamento em agosto
participação no QUASE INOCENTES (EXTRANEUS Vol.2) (Cidadela Editorial) - no prelo
além de originais prontos, dois projetos com outros autores em andamento e realização de curta-metragem.

Em "Crianças da Noite" você conseguiu unir muitos elementos diferentes, como: Magos, lobisomens, aparições; tudo em uma obra protagonizada por vampiros. Como foi a experiência de colidir tantos "universos", a maioria, muitas vezes separada, em uma única obra?
Esses seres (e muitos outros) fazem parte do mesmo universo em “Crianças da Noite”. Apesar dos vampiros serem o centro das atenções na trama, há outras criaturas que são coadjuvantes. Estou escrevendo a continuação do livro e nela haverá participações de vários elementos que serão determinantes no decorrer da história.
É bacana poder misturar vários mitos. Quem gosta do sobrenatural ficará pasmo com as novas criaturas que irão surgir.

Crianças da Noite foi sua estréia profissionalmente como escritor. Aliás, uma excelente estréia. Algo mudou na sua visão sobre a carreira de escritor após esse começo?
Certamente. Hoje vejo a escrita com muito mais respeito, não obstante sua capacidade de me envolver continuar a mesma, talvez maior.
A trilha pra se tornar um escritor conhecido continua árdua, dessa forma é necessário preocupar-se tanto com o valor literário quanto com o entretenimento.

Território V da editora Terracota foi um convite que confirma seu caminho dentro da Literatura Fantástica? Ou você pretende ainda escrever dentro de outros gêneros?
Os contos do Território V ultrapassam essa simples definição. Os rótulos dos gêneros são ótimas ferramentas para orientarem os leitores, mas nunca limitarei minha criatividade escrevendo apenas numa área.

Na coletânea Extraneus, os contos são referentes a um mundo infantil invadido pela psicopatia, vampirismo, entre outros. Outra vez você nos convida à distorção da inocência. Encontrou alguma diferença significativa, no âmbito das obras de terror, entre a criação de personagens adultos e personagens infantis?
Sim. As ações dos personagens dependem de suas convicções, sendo que nesse caso a idade faz diferença.
Gosto de personagens infantis. Tenho um conto chamado “De pai para filho” onde é possível diferenciar os conceitos de idade (através da vivência) pelos diálogos. Este conto faz parte de uma seleta a ser publicada em breve.
Em “Quase Inocentes” (Extraneus Vol.2), utilizo o universo das crianças e suas paixões secretas para quebrar a ingenuidade de um garoto. É curioso que nessa coletânea meu conto não se classifica como literatura fantástica.

Abençoado foi, dentre suas obras publicadas, a primeira a ser escrita. Por que foi lançada apenas agora?
A edição inicial do “Abençoado” possui algumas falhas comuns aos escritores de primeira viagem. Tenho um carinho especial por esse livro e trabalhei nele para que os leitores tivessem acesso a uma história que vale a pena ser lida, por isso só agora será publicado.
Hoje em dia não tenho mais aquela afobação de querer publicar logo que termino de escrever, uma prova disso é que aguardo o momento oportuno para lançar outros dois originais já finalizados.

Uma excelente ficção ligada a uma profecia bíblica. Em Abençoado, como foi sua pesquisa para estabelecer essa ponte, mesmo em um ambiente de terror, inclusive psicológico?
A história de como surgiu a idéia para o “Abençoado” talvez seja tão curiosa quando o próprio livro.
Geralmente não tenho todo o roteiro na cabeça. Pode ser que o fim esteja planejado, porém com o decorrer dos fatos as coisas podem mudar. É divertido se envolver com a história e não saber o que virá pela frente. Digo isso porque mesmo já tendo começado o livro, a base do “Abençoado” foi firmada num dia que cheguei em casa e encontrei uma fita K7 sobre minha cama. Nessa época eu procurava o nome ideal para o garoto que seria protagonista no livro, queria o nome de um dos apóstolos e pensava em Lucas (devido ao cineasta George Lucas), porém o conteúdo daquela fita mudou tudo. Lá estava gravada uma parte do evangelho segundo Mateus e aquilo caiu como uma luva na história.
Depois disso li algumas partes da bíblia e montei o cenário. E cá entre nós, o Apocalipse é aterrorizante.
O curioso é que ninguém lá de casa sabe a origem da fita e até hoje acho um mistério sua aparição no meu quarto.

Segundo algumas estatísticas, o Brasil compra muitos livros, o povo vem lendo mais. Acha que esse crescimento tem vindo de encontro aos novos escritores? Ou ainda existe um culto exacerbado à Literatura Nacional do passado?
Não acredito que haja um único motivo, mas o surgimento de novos escritores faz parte desse processo.
Infelizmente grande parte da população têm dificuldade de interpretar o que se está lendo, dessa forma perdem o gosto pela literatura.
Os livros ditos “clássicos” são ótimos e merecem destaque sim. O que acontece é que nem todo mundo gosta da mesma coisa (ainda bem!). Vivo batendo nessa tecla, mas volto a dizer: “Por que não incentivar a leitura como um entretenimento?”.
Veja bem, eu gosto de HQ’s e mangás e nem por isso deixo de ler “alta literatura”. Penso que todos deveriam ler os famosos, mas sempre que possível procurar novos horizontes, se encantar com um livro desconhecido. Afinal conhecimento nunca é demais.



Abençoado

Quando um antigo ritual abre uma fenda na prisão do Abismo, um poderoso inimigo é libertado.
Alheio a tudo isso, o casal Scaduvari vive tranquilamente em sua gigantesca mansão, porém o que passou despercebido é que naquele exato local houve a ruptura da prisão.
Ondas de maldade começam envolver o lugar e atinge o ápice com o nascimento de Mateus.
O garoto não é um menino comum. Mateus é capaz de realizar curas milagrosas. Ele é abençoado, ou será isso uma maldição?
A luta apocalíptica entre Deus e o demônio nos faz pensar em quão curta é a vida e o que fazemos para aproveitar essa nossa única passagem por este mundo cheio de controvérsias, maldade, hipocrisia, mas ao mesmo tempo com tanta felicidade e pureza.

Um livro de suspense fantástico em que nos afastamos do cotidiano e, para nossa diversão, tomamos contato com o poder reparador do mito.

Contato: sasseron@gmail.com
Blog: http://juliano-sasseron.blogspot.com/
twitter: @JulianoSasseron
e a comunidade no orkut do livro "Abençoado": http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=82913621

Luís Delgado

Diversificar, ou Focar?

Dentro da Literatura, muitas vezes, contemplamos autores que passam uma vida inteira escrevendo dentro de um mesmo gênero, assim como encontramos outros que se aventuram sobre as mais variadas possibilidades. Não existe uma regra. Escreva apenas livros de terror! Ou Fantasia! Ou Biografias! É possível até mesmo diversificar dentro do mesmo assunto, como por exemplo, suspenses que mesclam um pouco de romance, realismo fantástico, drama, ou inserem personagens como lobisomens. Há escritores que até mantêm uma espécie de série de livros com um mesmo personagem e vez ou outra fogem para histórias com outro fundo, outro gênero. Isso falando apenas em obras de ficção, você pode ainda escrever sobre fatos reais, poesias, contos, crônicas e uma infinidade de caminhos literários.
Atualmente está até mesmo difícil definir os gêneros, como uma “Diversificação do Foco”, algumas editoras falam em gênero secundário. São tantas as combinações, tantos autores conseguiram brilhantemente realizar uma fusão, e até mesmo quebrar rótulos, que não existe mais uma “obrigação” em escrever apenas sobre um determinado assunto, ou que ele se passe ainda na mesma região sempre, enfim. É sempre bom diversificar sua escrita, não precisa encarar como um desafio, pode ser até que escreva algo que você nem mesmo tenha intenção de publicar um dia. Mas experimente criar algo diferente, pode abrir seus olhos para muita coisa, ampliar sua capacidade narrativa, vocabulário, métodos de criação e mais.
Porém, se você tem aquela série de obras com um determinado personagem, ou que se passa em um mundo que inventou, não precisa abandonar nada, pode mantê-lo com uma certa regularidade, assim, ao mesmo tempo em que afirma um estilo seu no mercado editorial, expande suas qualidades.

Sucesso!
Luís Delgado