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sábado, 11 de dezembro de 2010

M.D. Amado

No Literária 15 de hoje recebo meu grande amigo M. D. Amado. Um autor cuja presença no mundo literário vai além de parcerias, organizações de antologias, sites de sucesso, e uma grande presença na internet. Marcelo Dias Amado é um escritor célebre, um nome conhecido, dotado de uma escrita incomparável. Suas obras nos dão uma amostra de sua enorme criatividade, de seu estilo marcante, da sua capacidade de mergulhar nos mais diversos gêneros com sucesso.

Terror, suspense, fantasia, poesia, tudo pode ser tocado, impossível classificá-lo dentro de um único gênero, seu universo na escrita é ilimitado, seu dom é capaz de criar impactos fortíssimos através das palavras. Seus livros atraem cada vez mais leitores, encantados com histórias sempre envolventes.

Qualquer entrevista seria pequena para falar de todo o processo de criação de Marcelo, de alcançar todas as questões relevantes de suas obras, de mergulhar em seu crescimento na Literatura, abordar seu conhecimento e aprendizado ao longo de inúmeros projetos, ou ainda de falar de suas qualidades e anseios como escritor. Mas dentro de uma abordagem diferente, hoje conheceremos um pouco mais sobre esse fantástico autor, sobre sua arte, suas opiniões. Hoje convido todos a uma viagem inesquecível.

"Aos Olhos da Morte" é uma fascinante antologia que reúne 21 contos que você escreveu, inicialmente, em um blog. Quanto aos primeiros contos, parece que houve uma reescrita. Como foi esse processo? Uma tentativa de equilíbrio no estilo por conta da distância cronológica entre eles?
Bom, na verdade não são todos os contos do livro que foram publicados anteriormente. Muitos foram escritos para o livro. Quanto a reescrever, foi por um amadurecimento da escrita mesmo. Umas pinceladas sem alterar muito o original. So um deles, o "Caminhos", é que foi completamente reestruturado. E quanto ao equilíbrio no estilo, é uma coisa com a qual não me preocupei nesse livro. Os textos possuem estilos bem variados.

"Aos Olhos da Morte" é um livro onde você consegue explorar um assunto tão profundo, como a visão do ser humano à respeito da morte, sob os mais variados aspectos. Após a conclusão do projeto, essa reunião de visões diferentes operou alguma modificação na sua visão de humanidade enquanto escritor? Criou algum impacto novo e íntimo para as próximas obras?
Digamos que eu me apaixonei ainda mais pelo tema e passei a observar melhor a reação dos leitores. Pelos comentários e resenhas, vi que eu conseguir alcançar meu objetivo, que era dar uma nova visão da morte, diferente da dor e do medo. Presenciei pessoas que torceram o nariz para o título e capa, com aquele 'pavor' inicial pela simples menção da palavra morte, mas que depois confessaram ter deixado a emoção aflorar em alguns dos contos, e dizendo que passaram a ver a morte realmente com outros olhos. O impacto disso pra mim, é a sensação de prazer, de ter feito algumas dezenas de pessoas sorrirem, chorarem, ficarem com raiva... Viajarem de mãos dadas com a minha morte.

Na antologia "À Sombra do Corvo" há a participação de um autor português. Como aconteceu esse intercâmbio e qual o impacto dessa pluralidade de culturas no conjunto da obra?
Foi natural. Na verdade três portugueses se inscreveram, mas apenas o Miguel foi selecionado. É um estilo diferente de escrita, com um português perfeito de encher os olhos e que deu um tempero especial na antologia. E casou perfeitamente com a proposta do livro, sem dar um impacto muito grande, que causasse estranheza em comparação aos outros textos. Espero que essa participação se repita em outros projetos do Estronho.

Você é um grande organizador de antologias, coletâneas variadíssimas quanto aos temas. Essas obras partem de projetos seus, em parceria ou sugestões? E em suas participações aconteceu de você ter que escrever algo novo para alguma determinada antologia?
Obrigado, mas eu estou apenas começando. Tenho muito o que aprender ainda e para isso, conto com a ajuda de alguns amigos. Algumas ideias vieram de projetos que eu lançaria em livro solo e desisti. Outras surgem de bate papos. VII Demônios por exemplo, surgiu de uma conversa com a Celly Borges (do Mundo de Fantas) e em menos de três dias já tinhamos tudo pronto pra divulgar. Insanas foi um estalo que me deu na bienal do livro de São Paulo. Vi muitos livros sobre o universo feminino e pensei: Por que não criar uma antologia que canalize o lado cruel das mulheres, em vez desse lado 'fofinho' e maternal? Quando comentei com algumas pessoas que ia fazer isso, ouvi de dois amigos que não daria certo, porque mulheres não gostam de escrever terror (uma das pessoas que disse é mulher inclusive...). Bom, Insanas é uma das antologias que eu mais recebo textos e posso dizer que vai ser bem difícil selecionar apenas doze, para fazer companhia aos textos das minhas convidadas. E tenho anotadas algumas sugestões de amigos e leitores para futuras antologias.

Quanto a escrever para outras antologias, acho que em apenas uma eu aproveitei um texto que eu já tinha. Em todas as outras, eu escrevi exclusivamente para o tema proposto.

No blog "Entre elas um amado", você divide espaço com talentosíssimas escritoras. Esse contato com o feminino influenciou no seu processo de criação de personagens?
Em relação a criação de personagens não. Mas com certeza, escrever com as meninas me fez crescer mais como escritor. Arriquei gêneros diferentes, temas diferentes e a entrega total durante a escrita, sem se importar com melindros e medo de ultrapassar limites. Escrevemos e entramos de cabeça no texto. Seja um conto de terror ou declarações de amor apaixonadas. Alguns textos provocaram comentários de leitores que achavam que eu e certa autora éramos namorados ou estávamos apaixonados virtualmente. Mas na verdade era apenas poesia. O grande barato é que eu aprendo muito com as meninas e é uma grande diversão sempre. Os contos e poesias na maioria das vezes surgem de repente, em conversas pelo MSN ou por email, tipo bate e volta. É um exercício muito bom e muito prazeroso. Elas mandam muito bem e estou até com saudades de escrever com elas. Os compromissos (meus e delas) têm nos impedido, mas em breve voltaremos.

Outro excelente blog seu, "Verberar", é uma amostra do seu lado poético. Ficção e poesia se misturam em alguma obra ou conto seu, ou você mantém esses dois mundos separados?
Sim, em alguns textos eu usei poesia e prosa poética para narrar o conto. Um exemplo dessa influência é "O Último Baile: pontos de vista" publicado na antologia Metamorfose, a fúria dos lobisomens. No livro Aos Olhos da Morte tem alguns textos que tem uma pitada de poesia ou prosa também, mesmo que um pouco sutil. Gosto de brincar com isso às vezes, embora escreva poesias sem nenhum compromisso ou pretensão de ser poeta. Não costumo seguir regras e na verdade, pouco entendo sobre elas. Apenas gosto de escrever.

Vimos há alguns anos a internet derrubar barreiras e potencializar os meios de divulgação, inclusive os independentes. Você vê uma mudança na relação "autor/editora" dentro dessa perspectiva atual?
Completamente. A troca de informações entre editor/autor, dicas que o editor pode passar para melhorar um texto para determinada antologia, ou ainda a pesquisa de bons autores por parte de quem organiza uma antologia por exemplo. Isso já aconteceu comigo. Fui convidado para um projeto, porque a organizadora viu meus textos publicados em um e-book e também no meu site. Na verdade, pode-se dizer que a relação autor/editor ficou viável.



Aos Olhos da Morte

Quem nunca teve medo da morte? Ou estremeceu a simples menção dessa palavra?

Descubra, através destas páginas, o quanto você teme o inevitável. Está preparado para enfrentar a morte?

Se vista de coragem, familiarize-se com ela, mergulhe nestes parágrafos e descubra a dor e a beleza em cada conto. Sinta o hálito gélido da morte, encare seus olhos e deixe-se beijar.

Neste livro, M. D. Amado nos revela as várias facetas da morte e todos os sentimentos que provoca no ser humano: dor, ódio, medo, saudade, revolta... E amor. Tudo maravilhosamente escrito em 21 contos emocionantes e surpreendentes, sem limites entre o mórbido e o belo.

Entre, seja bem-vindo. Afinal, a morte nos espera...

Autor: M. D. Amado
Publicação em parceria com a Editora Literata
Coletânea de Contos
ISBN: 978-85-63586-02-5
120 páginas

Luís Delgado