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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ronaldo Luiz Souza

No Literária 15 de hoje recebo meu grande amigo Ronaldo Luiz Souza. Um escritor de um talento profundo, capaz de alcançar a essência das palavras, o sentido das mensagens, de maneira esplêndida e compreensível. Em sua nova obra, o autor passa mensagens diretamente à alma do leitor, com uma simplicidade de enorme estética, capacidade admirável.

Mas para quem pensa que o escritor experimenta apenas uma linha narrativa, um gênero literário, personagens semelhantes; se engana, Ronaldo vai além, com inúmeras participações em antologias, confirma sua diversidade com contos de suspense, terror, além de poesias e outros.

Ronaldo é uma das revelações literárias do nosso tempo, com uma mensagem ao mundo, com ensinamentos para a humanidade e sem contar um estilo capaz de motivar o leitor para sempre.

Participações
Assassinos S/A, Contos de Outono, Dias Contados, Enigmas de Amor, Invasão, entre outros que você pode conferir no site do autor.

Em Raízes e Asas você projeta, de uma maneira brilhante, os anseios humanos em dois peculiares seres, um pássaro e um pinheiro. Como foi essa adaptação?
Ela foi concebida através de visões fragmentadas da história, que foram surgindo e se completando como um quebra-cabeças, e que descobri, buscavam dar respostas às questões que me incomodavam há anos: nas esquinas da vida, quando temos de escolher um caminho, sabendo que da escolha feita, abandonamos outros, e às vezes até mesmo queimamos as pontes que nos permitiriam regressar, e que mesmo o caminho escolhido à frente pode ou não ser o melhor caminho, o que fazer, como decidir nossas escolhas? Ir ou ficar? Em Raízes e Asas, de forma lírica e poética, os personagens aprendem que o melhor caminho é aquele em que trilham seus sonhos e que somente neste caminho desenvolvem sua plenitude e são verdadeiramente felizes.

Há uma linha espiritual na história de Raízes e Asas. Existe na obra uma proposta de convidar o leitor a um outro caminho na vida, talvez bem mais alternativo do que o comum?
A questão existente no livro é bem mais reflexiva, embora esbarre na espiritualidade dos personagens. A história propõe que decisões sejam o resultado de reflexões conscientes e que a felicidade é encontrada na realização de nossos sonhos e construída de forma cooperativa. Somos parte de um planeta e uma sociedade. Não estamos sós. Nossos cientistas já descobriram que a teia da vida é muito mais complexa do que imaginávamos. Precisamos evoluir como espécie e como indivíduos. Não há mais espaço para o egoísmo, a violência e o capitalismo selvagem, depois que descobrimos que, de fato, colhemos o que plantamos (seja a radiação das bombas lançadas, o efeito estufa decorrente do desequilíbrio que provocamos no planeta, a corrupção decorrente da Lei de Gérson, a infelicidade social resultante da massificação excessiva, ou mesmo a destruição pessoal através do consumo de drogas). Nossas ações, conscientes ou não, refletirão em nossas próprias vidas. É preciso que estejamos conscientes e preparados para suportar as consequências de nossas decisões.

Até que ponto há uma projeção sua nos seus personagens em Raízes e Asas?
Um escritor, por mais que se esforce no contrário, sempre deixará passar algo pessoal para uma história que escreve. Em Raízes e Asas, respostas às questões referentes às consequências de nossas escolhas, foram a elaboração final às minhas angústias pessoais. Quanto à pergunta anterior, no tocante à espiritualidade dos personagens, eu diria que ela foi derivada da própria situação que vivenciaram. Porque desenvolveram uma forte esperança, fé e crença em um criador, resultante do fato de se conscientizarem como indivíduos, de seu mundo, e da necessidade de ultrapassarem suas próprias limitações e realizarem seus sonhos.

Tendo participado também de antologias do estilo "Assassinos S/A" e "Poe 200 anos", você se considera um escritor eclético? Tem um gênero preferido?
É muito bom para um escritor variar seus temas porque assim é capaz de uma maior apreensão da realidade, e isto se refletirá em textos mais coerentes e maduros e em personagens melhor elaborados. O importante para mim, quando busco escrever algo, é estar em sintonia, sentir uma forte conexão com o projeto que será desenvolvido. Senti isto, em variados graus, nas antologias em que participei. Ecléticos, acho que somos todos, afinal não vivemos exclusivamente de algo... temos muitos interesses, afinidades e desejos. Daí resulta que quando deixamos a imaginação fluir, podemos construir qualquer tipo de texto. Meu gênero preferido sempre foi e é a Ficção Científica. Minha participação na Série de antologias Solarium, da Editora Multifoco, deriva daí, (Publiquei o conto Globus-5 – A descoberta de um novo mundo no volume I, A Ascensão de Maya no volume 2, e em breve será publicado no volume 3 o conto O Peso de nossas Escolhas), bem como meu conto Reminiscências de um Mundo Verde inserido em Paradigmas 3, e O Fruto ausente de vosso ventre, publicado em Cyberpunk, ambas antologias da Tarja Editorial. Tenho o projeto de um livro de FC esperando para ser escrito. Ele ainda virá. Mas, no momento, há outros projetos na fila de prioridades.

Conte-nos sobre a experiência com as antologias das quais participou. Escreveu por convite, em outras já tinha um conto pronto, enfim, relate-nos sobre o processo.
Por incrível que pareça, eu não tinha nenhum conto pronto quando ficava sabendo das antologias. Todas me pegaram de surpresa, e tive que desenvolver cada conto focado unicamente nas propostas do(s) organizador(es). Isto foi bom porque fez com que eu trabalhasse a criatividade e mergulhasse em diferentes oceanos literários em busca de uma boa história que merecesse ser contada. Na maior parte das vezes fui pesquisando uma ou outra antologia, fui convidado para algumas (não formalmente) e concorrendo a vagas em outras, tendo o conto passado na peneira literária de alguns organizadores. Sim, porque alguns organizadores são rígidos quanto à qualidade dos textos que aprovam. E quanto mais o são, melhores as chances da antologia ter sucesso no meio literário.

Há entre seus contos alguns que considera antagônicos quanto a temática, linha narrativa, ou qualquer outro aspecto?
A questão do antagonismo é interessante. Porque quando algo é antagônico podemos utilizar para aprimorar ainda mais a criatividade em um conto. Posso citar, por exemplo, o conto Relato aos Incrédulos, publicado em Dias contados – Contos sobre o fim do mundo, da Andross Editora. Ora, todos os contos ali versam sobre o fim do mundo e Relato aos Incrédulos, meu conto ali publicado, não é uma exceção. Entretanto, na própria concepção do conto foi antagônica: é sobre o momento final do personagem e do mundo, e nele há a semente da renovação, da perpetuidade do mundo, lançada num retorno ao tempo, onde ainda era possível fazer algo para evitar o fim. Então gostei bastante do conto, porque mistura de forma harmônica conceitos contrários entre si. E com isto também nos alertou sobre a questão ambiental. Aconteceu também em A Árvore dos Malditos, na antologia Réquiem para o Natal, também da Andross. Os contos ali são todos de terror natalino. E no meu conto, estes elementos estão presentes, mas ao final, o personagem principal ainda que parcialmente embrutecido, ainda carrega dentro de si a humanidade, o respeito à vida e a busca pelo bem como seu propósito final.

Com que olhos você enxerga o papel das editoras no momento atual da Literatura Brasileira? Diante desse BOOM de publicações, parceiras, em parte desiguais, ou continuam seu papel de sempre?
Acredito que o papel das editoras é dar voz aos autores, sejam eles escritores novos ou já estabelecidos no mercado, e aproximá-los de seu público, através do lançamento de seus livros.
Infelizmente, algumas vezes por miopia, outras por buscarem lucro rápido, as grandes editoras lançam, em grande parte, apenas best-sellers estrangeiros. Entretanto, ainda que de forma muito lenta, podemos ver que alguns autores brasileiros aos poucos estão conseguindo ser publicados pelas grandes casas. Quase sempre depois de já terem garantido um grande público.
Podemos ficar felizes porque a proliferação de pequenas editoras tem ajudado os novos autores a se exporem no mercado, ainda que timidamente, gerando uma renovação no meio literário. Nós mesmos precisamos passar a ler mais autores brasileiros. Primeiro por que temos bons autores, que têm algo a nos dizer de forma mais familiar, porque estão inseridos em nossa própria cultura. Segundo porque em alguns casos, os autores brasileiros superam os estrangeiros em criatividade. Tenho comprado vários livros de amigos escritores. Por curiosidade literária e também para fazer girar as engrenagens do meio literário: quanto mais os autores nacionais forem lidos, mais se abrirão as portas para eles. E isto é bom para todos no Brasil: leitores, escritores e editoras. Criando um grande mercado para nossos escritores teremos muito mais aceitação também em outros países. E poderemos ver muitas obras adaptadas para outras mídias, como o cinema.



Raízes e Asas
Um pássaro migratório em busca da sabedoria. Um pinheirinho solitário em um vale deserto. Estes são os personagens desta cativante e envolvente estória que nos revela a essência de verdades universais e nos desperta para a preciosidade da vida, da alegria e do amor.
Uma estória simples, contada de forma a cativar milhares de leitores ao redor do mundo. Uma estória que espelha nossas mais profundas dúvidas e nos lança a uma reflexão íntima sobre nossas vidas, nosso ontem e nosso amanhã, aproximando-nos da sabedoria e da arte da liderança, da liberdade e da conquista de um sonho.


Livro Raízes e Asas - A busca pela Sabedoria do Caminho, Usina de Letras, 2010
Nome como assina a obra: Ronaldo Luiz Souza
O livro Raízes e Asas está disponível para compra nas seguintes livrarias:
Livraria Saraiva
Livraria Cultura
Livraria Travessa
Livraria Siciliano
Livraria Fantástica
Livraria Loyola
- Também pode ser adquirido na Editora Usina de Letras
- Ou também diretamente com este autor (autografado) através do e-mail rolusouza@gmail.com


Luís Delgado