Um novo conceito em Blog Literário!

Espaço dedicado à divulgação de autores brasileiros, além de matérias e dicas sobre Literatura.
Contato: literaria15@gmail.com

Busca do Literária 15

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Alfer Medeiros

No Literária 15 de hoje recebo meu grande amigo Alfer Medeiros. Um autor que assim como muitos que já passaram por aqui é um grande apaixonado por todas as vertentes da cultura, música, cinema, quadrinhos e não deixando de lado é claro a Literatura.

Com uma formação eclética, o autor conseguiu converger toda essa gama cultural para sua obra, tal qual um alquimista ao combinar diferentes elementos, Alfer revela ao longo de sua obra a união dos diferentes tipos de arte. O que vai além de sua obra e pode ser visto também em seu blog.

Com o incrível dom de produzir textos profundos, sua obra em poucas palavras já nos leva a um ambiente rico de detalhes, surpreendente, envolvente, onde o leitor se sente na pele do personagem, respira como ele, sente como ele, mostrando assim a imensa qualidade da forma.

Trecho
A noite é escura em Joanópolis. Uma leve neblina escorre por entre as árvores e cobre a vegetação rasteira. Em meio à mata isolada, nada se move, nenhum som é ouvido. Parece que toda a floresta parou, demonstrando respeito e temor às criaturas que andam à solta por ali. Em um ponto de difícil acesso, cinco membros da alcateia iniciam o ritual. Rui, Júlia, André e Lucinda estão sentados, na forma de lobisomens, cada um assumindo a posição de um ponto cardeal, formando uma espécie de círculo, com as costas voltadas para o centro. Nesse centro está Caroline, de pé, vestindo um manto cinza. Outros membros circulam pelas redondezas, garantindo a privacidade e a segurança das quais a situação necessita.

Você é declaradamente um apaixonado pelo mito do Lobisomem, e tal mito tem muitas vertentes. Qual tipo de lobisomem você destacou mais? O clássico, científico, ou uma concepção pessoal?
Os lobisomens de Fúria Lupina são uma mistura de tradicionalismo e propostas novas. Procurei abordar os diversos mitos que envolvem esse tipo de criatura, desde o nascimento do sétimo filho até as famílias licantropas, onde o dom é passado pela linhagem. A relação com a natureza dos lobos também é forte, existindo diversas raças desse animal compondo o comportamento e as características dos lobisomens, inclusive a questão da hierarquia nos grupos (alfa, beta, ômega). Outra variação importante é o grau de raciocínio lógico e autocontrole quando estão na forma lupina, onde cada indivíduo apresenta um nível distinto. Como também existe um lado humano, é abordada a questão dos conflitos internos de cada pessoa, pois o que para um é um dom maravilhoso, pode ser uma terrível maldição para outro.

Fúria Lupina Brasil vai além do entretenimento com maestria. Como foi adequar uma linha filosófica na figura de uma fera tida na ficção, muitas vezes, como irracional?
Eu encaro a figura do lobisomem como algo que vai muito além de uma simples besta descontrolada. Se pararmos para pensar, trata-se de um reflexo da dualidade humana, a eterna luta entre instinto e razão, o conflito entre o "eu quero" e o "eu posso". Os lobisomens de Fúria Lupina são, em sua maioria, pessoas imunes à demagogia imposta pela sociedade, são seres realmente livres. Eles não descartam simplesmente a fragilidade do corpo humano quando se transformam, mas também suas incertezas, ambições, preconceitos e falsidades. Nesse livro, é levantada uma questão importante: quem é o maior predador do planeta, o ser mais destrutivo? Não estranhe se, depois de conhecer os caçadores de lobisomens do enredo, você começar a torcer pelos lobos!

Há muitas vertentes artísticas na concepção da obra, como você mesmo citou, literatura, música, cinema, quadrinhos. Até que ponto essas vertentes estão impregnadas na essência, nas atitudes e anseios dos personagens? Eles manifestam seus gostos, ou as outras artes influenciaram mais a narrativa?
Eu fiz questão de rechear a trama com as mais variadas referências, que foram surgindo naturalmente durante o processo de composição. Elas vão surgindo no texto de diversas maneiras, nos diálogos dos personagens, no texto do narrador ou compondo os cenários. Posso citar exemplos: existe um momento na história em que dois personagens importantes acabam se conhecendo no show da banda sueca Opeth, que acontreceu de verdade em São Paulo em 2009. Em outro trecho do livro, um personagem conta a mesma piada que aparece no filme Cães de Caça (Dog Soldiers). E assim segue durante todo o livro, onde as referências vão surgindo repentinamente, algumas bem óbvias, outras mais sutis.

A trama possui uma tendência de avançar até uma terceira obra. Como é lidar com essa expectativa de trilogia ao mesmo tempo em que tem de acompanhar o ritmo de uma editora?
Durante a concepção do texto, muitas ideias novas foram surgindo, uma enxurrada incontrolável. Logo, percebi que seria muita coisa para incluir em um único livro, e passei a separar essas ideias, categorizando-as de maneira mais coerente. No final desse levantamento, notei que havia três eixos principais de enredo: a apresentação da minha visão particular dos lobisomens e sua interação com o meio ambiente, em cenários predominantemente rurais (Fúria Lupina Brasil); conflitos territoriais e o choque das personalidades do homem e do lobo no submundo do crime, em um cenário onde prevalecem os subúrbios (Fúria Lupina América Central); e finalmente o lado mais místico do mito, uma discussão sobre como criaturas dessa natureza sobreviverão em um mundo tecnológico como o atual (Fúria Lupina Austrália).
Cada livro é um arco de histórias fechado, com início, meio e fim, não sendo assim uma trilogia onde um livro é a sequência obrigatória do enredo do anterior. Alguns personagens são reaproveitados, mas cada trama é independente e aborda assuntos distintos.

Você é português, mas vive no Brasil desde a infância, sendo assim um ilustre brasileiro de fato. Há portanto, uma influência ou ligação entre a Literatura Brasileira e a Portuguesa em sua obra?
Com a literatura portuguesa tive pouco contato, apreciando algumas obras clássicas de Eça de Queirós, Fernando Pessoa e Luís de Camões. Dos autores contemporâneos, conheço apenas o trabalho de José Saramago. Como o meu direcionamento é mais voltado ao fantástico, acabei sendo pouco influenciado por esses expoentes da literatura portuguesa. Da literatura tradicional brasileira também tive pouca influência como escritor, apesar de, como leitor, eu ter apreciado bastante os autores clássicos do Brasil.

Você, genialmente, inicia sua trama com um enigma que se estende por algumas décadas para eclodir no ano de 2009. Essa linearidade representa um aditivo de suspense em uma obra de terror? É uma aposta do livro numa fusão de gêneros literários?
Eu arriscaria dizer que o Fúria Lupina não é uma obra puramente de terror. Não adotei uma autoimposição de gênero quando escrevi, apenas deixei fluir a escrita. O clima geral é um tanto sombrio, mas pode-se encontrar traços de outros gêneros no trabalho. Essa pluralidade é comprovada pelo retorno que tenho de leitores que não apreciam a literatura de horror, mas que acabaram gostando do Fúria Lupina, por apresentar diversas situações distintas em seu conteúdo, como dramas pessoais, questões ambientais, desigualdade social, comportamento humano, violência e preconceito. Eu, sinceramente, tive certo receio dessa mescla de conteúdo conforme ela foi surgindo, mas meus leitores beta aprovaram, e outras pessoas que tiveram acesso aos primeiros capítulos também elogiaram. Isso me deixou mais a vontade para prosseguir com esse estilo. A opinião isenta de outras pessoas sempre é um ótimo termômetro, para que o autor saiba se está conduzindo a trama da maneira correta.

Tendo estendido-se da Música para a Literatura, como você vê a aceitação do público diante dessas duas artes? Acredita que há uma preferência nacional? Ou trata-se de uma questão de níveis de incentivo diferentes para cada uma?
A música permeia o cotidiano dos brasileiros, independente de qual estilo musical cada um aprecie. Acredito ser a expressão cultural mais marcante, pois está presente na vida de todos, do mais rico ao mais pobre, do mais culto ao mais alienado das artes. Temos muita gente boa fazendo música por aqui, e acredito que incentivo sempre é válido, pois ainda carecemos de espaço e viabilidade. Os shows de bandas internacionais são muito caros, e bandas nacionais não têm todo o espaço que merecem.
Já na literatura, a situação é mais dramática. Eu vejo as pessoas cada vez mais afastadas da leitura, principalmente os mais jovens. Muitos dedicam seis, oito horas do dia a Orkut, Facebook, Twitter e Youtube, mas são incapazes de apreciar um livro por trinta minutos. As mesmas pessoas que reclamam que os livros são caros, não hesitam um segundo antes de comprar bens de consumo como o iPhone, por exemplo, que aqui no Brasil custa praticamente o dobro do que custa nos EUA e na Europa. É realmente preocupante sabermos que surge uma geração totalmente focada no imediato, que não consegue se concentrar em uma atividade específica por mais de dez minutos. Não vou me alongar neste tópico, senão iremos longe. Só sei que seria muito bom se essa regra virasse exceção, caso contrário, não quero nem imaginar qual será o futuro da cultura nas próximas décadas.


Fúria Lupina Brasil

A natureza lupina liberta. A natureza humana destrói.
Qual é a origem do mito do lobisomem? Maldição, doença, dom, herança ou eventos aleatórios? Ou será que todas essas hipóteses são aplicáveis?
Em Fúria Lupina - Brasil, as peças do quebra-cabeça são apresentadas no decorrer de algumas décadas. Quando, no ano de 2009, essas peças começam a se encaixar para formar a imagem final, homens e feras aparentemente desconexos entram em uma alucinada rota de colisão, que resultará em sangue, violência e morte.
Uma organização secreta, um grupo ecoterrorista, mercenários, lobisomens com variações de raça e conflitos de natureza humana permeiam toda a trama, que passa por Estados Unidos, México, Noruega, São Paulo e Mato Grosso, finalmente desembarcando na Amazônia brasileira, onde muitos destinos serão traçados.
Você está pronto para descobrir qual é o maior predador do planeta?

Autor: Alfer Medeiros
Editora: independente
Data de lançamento: 25/09/2010
Como adquirir: após o lançamento, no site http://furialupina.blogspot.com/

Origem do projeto: http://fwd4.me/cGT
Teor: http://fwd4.me/OBD
Primeiros capítulos: http://fwd4.me/cGL
Convite para o lançamento: http://fwd4.me/ZgL
Kits de lançamento: http://fwd4.me/cGN


Luís Delgado