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terça-feira, 15 de junho de 2010

Juliano Sasseron

No Literária 15 de hoje recebo meu grande amigo Juliano Sasseron. Um autor cujo trabalho vem sendo muito bem reconhecido na Literatura Brasileira, dono de uma narrativa empolgante, consegue sempre, e com muita habilidade, dar um ar muito real às suas histórias. Dentro da ficcção nos conduz de modo que a trama seja tão real que possa às vezes confundir-nos.

Como muitos autores da nova geração, soube também usar da internet para potencializar seu trabalho e expandir magnificamente o "universo" de suas obras. Complementando os livros, dialogando com outros artistas e aprofundando a paixão de seus leitores ainda mais.

Recetemente livros protagonizados por vampiros, ou que tenham seres sobrenaturais como tema principal ou ainda secundário, explodiram. Em vários setores da arte esse "boom" foi sentido, mas o autor vai além disso, com uma criatividade expansiva e poderosa, aborda os mais variados elementos e nos mostra que estilo é algo muito maior que rótulos, e que um escritor genial como ele pode passear pelos mais variados gêneros sem se perder, sem deixar de lado sua marca.

Sendo assim consegue um feito impressionante, quando alguém estiver lendo um conto ou trecho de livro saberá reconhecer se aquele foi ou não escrito por Juliano Sasseron.

Obras: CRIANÇAS DA NOITE (Novo Século, 2008)
participação no TERRITÓRIO V (Terracota, 2009)
ABENÇOADO (Multifoco, 2010) - lançamento em agosto
participação no QUASE INOCENTES (EXTRANEUS Vol.2) (Cidadela Editorial) - no prelo
além de originais prontos, dois projetos com outros autores em andamento e realização de curta-metragem.

Em "Crianças da Noite" você conseguiu unir muitos elementos diferentes, como: Magos, lobisomens, aparições; tudo em uma obra protagonizada por vampiros. Como foi a experiência de colidir tantos "universos", a maioria, muitas vezes separada, em uma única obra?
Esses seres (e muitos outros) fazem parte do mesmo universo em “Crianças da Noite”. Apesar dos vampiros serem o centro das atenções na trama, há outras criaturas que são coadjuvantes. Estou escrevendo a continuação do livro e nela haverá participações de vários elementos que serão determinantes no decorrer da história.
É bacana poder misturar vários mitos. Quem gosta do sobrenatural ficará pasmo com as novas criaturas que irão surgir.

Crianças da Noite foi sua estréia profissionalmente como escritor. Aliás, uma excelente estréia. Algo mudou na sua visão sobre a carreira de escritor após esse começo?
Certamente. Hoje vejo a escrita com muito mais respeito, não obstante sua capacidade de me envolver continuar a mesma, talvez maior.
A trilha pra se tornar um escritor conhecido continua árdua, dessa forma é necessário preocupar-se tanto com o valor literário quanto com o entretenimento.

Território V da editora Terracota foi um convite que confirma seu caminho dentro da Literatura Fantástica? Ou você pretende ainda escrever dentro de outros gêneros?
Os contos do Território V ultrapassam essa simples definição. Os rótulos dos gêneros são ótimas ferramentas para orientarem os leitores, mas nunca limitarei minha criatividade escrevendo apenas numa área.

Na coletânea Extraneus, os contos são referentes a um mundo infantil invadido pela psicopatia, vampirismo, entre outros. Outra vez você nos convida à distorção da inocência. Encontrou alguma diferença significativa, no âmbito das obras de terror, entre a criação de personagens adultos e personagens infantis?
Sim. As ações dos personagens dependem de suas convicções, sendo que nesse caso a idade faz diferença.
Gosto de personagens infantis. Tenho um conto chamado “De pai para filho” onde é possível diferenciar os conceitos de idade (através da vivência) pelos diálogos. Este conto faz parte de uma seleta a ser publicada em breve.
Em “Quase Inocentes” (Extraneus Vol.2), utilizo o universo das crianças e suas paixões secretas para quebrar a ingenuidade de um garoto. É curioso que nessa coletânea meu conto não se classifica como literatura fantástica.

Abençoado foi, dentre suas obras publicadas, a primeira a ser escrita. Por que foi lançada apenas agora?
A edição inicial do “Abençoado” possui algumas falhas comuns aos escritores de primeira viagem. Tenho um carinho especial por esse livro e trabalhei nele para que os leitores tivessem acesso a uma história que vale a pena ser lida, por isso só agora será publicado.
Hoje em dia não tenho mais aquela afobação de querer publicar logo que termino de escrever, uma prova disso é que aguardo o momento oportuno para lançar outros dois originais já finalizados.

Uma excelente ficção ligada a uma profecia bíblica. Em Abençoado, como foi sua pesquisa para estabelecer essa ponte, mesmo em um ambiente de terror, inclusive psicológico?
A história de como surgiu a idéia para o “Abençoado” talvez seja tão curiosa quando o próprio livro.
Geralmente não tenho todo o roteiro na cabeça. Pode ser que o fim esteja planejado, porém com o decorrer dos fatos as coisas podem mudar. É divertido se envolver com a história e não saber o que virá pela frente. Digo isso porque mesmo já tendo começado o livro, a base do “Abençoado” foi firmada num dia que cheguei em casa e encontrei uma fita K7 sobre minha cama. Nessa época eu procurava o nome ideal para o garoto que seria protagonista no livro, queria o nome de um dos apóstolos e pensava em Lucas (devido ao cineasta George Lucas), porém o conteúdo daquela fita mudou tudo. Lá estava gravada uma parte do evangelho segundo Mateus e aquilo caiu como uma luva na história.
Depois disso li algumas partes da bíblia e montei o cenário. E cá entre nós, o Apocalipse é aterrorizante.
O curioso é que ninguém lá de casa sabe a origem da fita e até hoje acho um mistério sua aparição no meu quarto.

Segundo algumas estatísticas, o Brasil compra muitos livros, o povo vem lendo mais. Acha que esse crescimento tem vindo de encontro aos novos escritores? Ou ainda existe um culto exacerbado à Literatura Nacional do passado?
Não acredito que haja um único motivo, mas o surgimento de novos escritores faz parte desse processo.
Infelizmente grande parte da população têm dificuldade de interpretar o que se está lendo, dessa forma perdem o gosto pela literatura.
Os livros ditos “clássicos” são ótimos e merecem destaque sim. O que acontece é que nem todo mundo gosta da mesma coisa (ainda bem!). Vivo batendo nessa tecla, mas volto a dizer: “Por que não incentivar a leitura como um entretenimento?”.
Veja bem, eu gosto de HQ’s e mangás e nem por isso deixo de ler “alta literatura”. Penso que todos deveriam ler os famosos, mas sempre que possível procurar novos horizontes, se encantar com um livro desconhecido. Afinal conhecimento nunca é demais.



Abençoado

Quando um antigo ritual abre uma fenda na prisão do Abismo, um poderoso inimigo é libertado.
Alheio a tudo isso, o casal Scaduvari vive tranquilamente em sua gigantesca mansão, porém o que passou despercebido é que naquele exato local houve a ruptura da prisão.
Ondas de maldade começam envolver o lugar e atinge o ápice com o nascimento de Mateus.
O garoto não é um menino comum. Mateus é capaz de realizar curas milagrosas. Ele é abençoado, ou será isso uma maldição?
A luta apocalíptica entre Deus e o demônio nos faz pensar em quão curta é a vida e o que fazemos para aproveitar essa nossa única passagem por este mundo cheio de controvérsias, maldade, hipocrisia, mas ao mesmo tempo com tanta felicidade e pureza.

Um livro de suspense fantástico em que nos afastamos do cotidiano e, para nossa diversão, tomamos contato com o poder reparador do mito.

Contato: sasseron@gmail.com
Blog: http://juliano-sasseron.blogspot.com/
twitter: @JulianoSasseron
e a comunidade no orkut do livro "Abençoado": http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=82913621

Luís Delgado