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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Autor = Personagem e Autor ≠ Personagem

Muitas das pessoas que já visitaram o Literária 15, vez ou outra, leram perguntas minhas envolvendo personagens. Em sua maioria indagando sobre qual o nível de afinidade entre eles e o autor. Fala-se muito a respeito de projeção quando uma obra é analisada do ponto de vista de suas mensagens, ou estrutura psicológica. É fato que as obras passam mensagens, mesmo se tratando de ficção, mas até que ponto essas mensagens podem caracterizar o personagem principal como a voz do autor perante o mundo é algo com o que se deve levar muito em consideração.
As histórias muitas vezes são leves e não contam com nenhuma visão acirrada a respeito de assuntos como política ou religião. Livros com histórias cômicas são exemplos disso. E o fato de a narrativa ser feita na primeira pessoa, ou terceira, ou ainda de quem narra a história ser um personagem coadjuvante não afirmam nada também em relação à projeção do autor no personagem.
Existem muitos componentes em uma história, e às vezes simplesmente o tema pode ser a opinião pessoal do escritor.
Mas quando o autor decide caminhar pela trama na pele do personagem, aí fica muito clara sua intenção. Com certeza é uma maneira brilhante de tornar a obra algo muito distinto, entrar em contato com esse mundo fictício em níveis variados é uma experiência incrível para quem escreve. O personagem pode ser totalmente você, em todas as opiniões, ou parcialmente como disse antes, isso não só garante originalidade à obra, mas também pode levar o autor a repensar sua própria visão de mundo.
Esse personagem pode também ser apenas alguém que surge em determinados capítulos da trama, e mesmo assim passar as ideias de quem escreve.
E por fim podemos falar ainda de pessoas que fazem de seus personagens seres independentes, com preconceitos, dúvidas e antagonismos próprios, e deixam a reflexão por conta do leitor. Ou seja, ninguém na trama carrega a essência do autor, às vezes, ele apenas quer propor um tema e mostrar como a humanidade reage a isso. São muitos os escritores que usam esse método.
Você é livre para escolher, sua projeção pode ser muito variada. Ou nem mesmo existir, mas, se tiver oportunidade, experimente essa gama de possibilidades, personagens que não passam de você com outro nome e histórias onde seu desejo é apenas provocar ou descontrair. Qualquer que seja a sua escolha, ela lhe ajudará muito em seu crescimento, e a profundidade e estilo de seus textos com certeza crescerão significativamente.

Sucesso!
Luís Delgado