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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ronyvaldo Barros dos Santos

No Literária 15 de hoje recebo um amigo de longa data, e de intenso intercâmbio na literatura, Ronyvaldo Barros dos Santos. Somos colegas de editora também. O conheci antes, mas em breve estaremos no hall dos autores lançados pela Editora Multifoco. Nos conhecemos através de um site de relacionamentos e ele sempre se mostrou uma pessoa muito inteligente, de mente aberta e com potencial para ser uma grande revelação na Literatura Brasileira.

Dono de uma escrita leve e contundente, consegue agregar, como poucos, temas reais e fantásticos dentro de uma trama que prende o leitor do início ao fim.

Uma grande marca de sua narrativa é a erudição, através da qual seus personagens, mesmo os mais comuns, se elevam na ficção com tamanho esplendor e nos deixando admirados ao mesmo tempo em que somos levados a uma busca dentro de nós mesmos. Influenciados por personalidades tão distintas, os leitores se enxergam nesses personagens desafiadores, complexos e marcantes indo com eles ao longo da história de modo a perceber os traços da realidade como nunca.

Uma obra sem precedentes, uma trama diferente e ao mesmo tempo familiar, poesia, ciência. Um ambiente onde o ser humano se confronta com suas dúvidas a respeito de Deus, da origem das coisas, com a paixão. Conduzidos por um gênio erguido na admiração à Edgar Allan Poe, Victor Hugo, Dostoiévski, entre outros, a humanidade de cada um de nós é posta à prova, assim como as verdades que nos cercam nesse Labirinto Sagrado, com extrema competência, uma inteligência ímpar e uma cultura avassaladora. Assim se apresenta o primeiro romance nascido do talento do escritor Ronyvaldo Barros dos Santos.

O personagem principal Frederic Sigmund possui um espírito inquieto, desafiador. Um comportamento tipicamente libertador. Você considera isso próprio dos gênios? Ou acha uma característica inerente a cada pessoa, muitas vezes inerte?
Não só acho como tenho certeza de que isso é próprio dos gênios, pois fiz uma vasta pesquisa sobre todos estes aspectos antes de iniciar o registro do romance. Os grandes gênios, muitas vezes, além de impacientes, expressam um caráter arrogante, criticando os seus professores, procurando questionar as teorias e etc. Por isso deixo bem claro no prefácio do livro esta capacidade intelectual de Frederic Sigmund e a forma como ele procura lidar com os seus professores. Entretanto, ele não age, muitas vezes, com arrogância. Eu não deixo de salientar, na obra, um principal problema enfrentado pelos superdotados, a dificuldade que eles têm de serem compreendidos. Talvez pela grande capacidade de aderirem às ciências, não têm facilidade de se adaptarem com o meio social quando o seu superdotismo não é percebido precocemente.

Frederic é um personagem brilhante cuja paixão pela personagem Bruna promove em si uma revolução interior. Sendo ele um admirador de Vladimir Nabokov, há alguma relação entre esse drama, talvez propositalmente feita por você, ou devido à admiração de Frederic, com o do romance Lolita de Nabokov publicado em 1955?
Num dado momento, o protagonista se envolve emocionalmente com uma menina chamada Holly. Contudo, ele se sente bem ao lado da jovem simplesmente por necessitar de apoio moral, pois se envolve em uma história de mentiras ao longo da sua vida pessoal. Muitos passam a interpretar isso como uma pedofilia ou algo parecido, mas as intenções de Frederic são as mais inocentes, pelo menos é o que eu expresso por meio do narrador onisciente, cabendo ao leitor decidir por isso ou aquilo.
Cada obra citada no romance, como por exemplo o livro de Vladimir Nabokov, passa a complementar algum evento ou a exemplificar alguma ideia e, por isso, não são aludidas por acaso. E, na verdade, Frederic não é um admirador do autor da obra Lolita, o narrador apenas faz alusão a esta literatura para que se faça clara a percepção dos expectadores diante da relação entre o protagonista e a ninfeta.

Em O Labirinto Sagrado, Bruna é a paixão de dois amigos. Frederic e Aquiles. Frederic vai de gênio a poeta romântico. E seu "oponente", o que tem a oferecer? E o que você destacaria em Bruna como ponto forte para atrair o amor dos dois?
Frederic, além de gênio, se torna um poeta sedutor. Ele é mais constante, no sentido de manter um relacionamento. Aquiles se mostra muito forte e protetor, porém expressa um ódio veemente por aqueles que assassinaram os seus pais.
Realmente há de se compreender que Bruna possui uma aparência muito sedutora, mas não é apenas por isso que se inicia um duelo entre estes dois amigos. Ela representa uma espécie de status ou apenas um equívoco dos dois.

Seu personagem discorda de Freud e define para si um rumo embasado na meditação para manter a própria sanidade. Diante dessa sua proposta, acha que Freud precisa ser revisto até que ponto?
Levando em consideração a época em que viveu este grande psicanalista, Freud revolucionou a medicina, mas pecou em muitas das suas hipóteses, e a mais absurda é a chamada Teoria dos Sonhos, em que faz uma série de confusões acerca da interpretação de símbolos que estão sempre ligados à sexualidade. Todavia, este “Charlatão de Viena”, como o chamava o escritor Vladimir Nabokov, certamente tem a sua importância na área da psicanálise.

Você, genialmente, nos traz uma trama onde, dentre várias faces, está a de que muitas das teorias humanas são questionáveis. Até que ponto de reflexão pretende levar o leitor nesse aspecto?
Certamente, desde o primeiro parágrafo da história, o narrador leva o leitor a navegar pelos conhecimentos humanos, que constituem um aglomerado de saberes que, em sua complexidade, demarca um passo importante no saber humano. Há sempre um porém quando falamos sobre Teorias. Muitas teorias, como hipóteses, podem ou não ser aceitas por certo grupo, formado por pessoas que pensam em comum. O principal exemplo está no chamado design inteligente, que é citado na obra. Ele é formado por um grupo de cientistas que acredita que um ser inteligente pode ter tido participação na instituição do universo existencial. Muitos cientistas, que não fazem parte deste grupo seleto, consideram o design inteligente uma pseudociência.
A ideia do Labirinto Sagrado é levar o leitor a considerar esses dois lados como sendo lados da mesma moeda, cabendo a ele optar por uma teoria ou outra, questionando-a ou não.

Sua obra é fascinante no tocante a um dos maiores dualismos da humanidade. Acredita em Ciência vs. Espiritualidade? Ou acha que esse dualismo nem mesmo exista, ou quem sabe sejam apenas correntes muitas vezes separadas?
A ciência sempre procura, de algum modo, indagar acerca do que é, para nós, sobre-humano. Há sim um dualismo entre Ciência e o que é Sagrado (portanto, espiritual). Como exemplo, podemos citar a estrutura do cérebro humano, em que estudos apontam motivos que levam alguns cristãos a sentirem o Espírito Santo, que para estes neurologistas é algo fisiológico e natural do homem.

A Literatura ao longo da história do ser humano foi uma grande transformadora de mentes. Algumas vezes para o bem e em outras para o mal. Tanto em ficção quanto em não-ficção. Como vê a Literatura brasileira, principalmente no âmbito da nova geração agindo na sociedade em que vivemos?
A Literatura para mim transmite a essência do homem através da sua arte. Ela pode influenciar, mas não impor.
A Literatura brasileira é fantástica e muito rica. Muitos deixaram a sua marca para sempre, como Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Álvares de Azevedo, entre tantos outros que podem ser citados. E há muitos em nossa geração que estão trilhando o mesmo caminho. Atualmente a Literatura brasileira se faz extremamente importante, pois ela abre espaço para a crítica, para a denúncia e para novas filosofias.






O Labirinto Sagrado

“O Labirinto Sagrado” conta a história de um jovem chamado Frederic Sigmund Pontual que, apaixonado desde a meninice por uma moça chamada Bruna, está em busca de consolidar o seu romance baseado em uma série de hipóteses que o faz questionar a existência de Deus e a chamada Teoria de Tudo.
Ele é um gênio que procura explicar o porquê da existência. Por isso, encontra-se às vezes atordoado com uma série de delírios.
Tornando-se um poeta romântico, tentará de todas as formas conquistar a sua paixão, mas para isso terá que enfrentar o seu melhor amigo, Pedro Royel, mais conhecido como Aquiles.
Aquiles tentará seduzir Bruna e brigará pelo seu grande amor, que desde outrora o fascinava.
A jovem terá que optar por um dos dois amigos, por fim; e a sua escolha pode comprometer a trajetória da trama.


Livro: O LABIRINTO SAGRADO
Autor: Ronyvaldo Barros dos Santos
Editora Multifoco
Ano: 2010
Links: http://ronyvaldo.wordpress.com/olabirinto/
http://ronyvaldo.wordpress.com/2009/07/30/olabirintosagrado/
Prévia do Romance no link:
http://ronyvaldo.files.wordpress.com/2010/05/previaromance.pdf

Luís Delgado