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quarta-feira, 17 de março de 2010

Nathalia Wigg

No Literária 15 de hoje, recebo minha querida amiga Nathalia Wigg. Nos conhecemos nas ruas virtuais do Orkut, e desde então, nossa amizade só cresceu, Nathalia é especial, por muitas vezes seus conselhos me ajudaram imensamente.

Tive a felicidade de ler seu livro Essência Azul - O sagrado caminho das estrelas e posso afirmar que é uma obra inesquecível, única, que mudou em muito o meu modo de ver a vida. Muitas vezes nos enxergamos nos personagens do livro, aprendemos com eles, e essa sensação é maravilhosa. A autora revela a cada página uma sensibilidade imensa, uma capacidade de tocar a alma do leitor com toda a sabedoria e magia próprias da escritora. Seu nome vem crescendo no mundo literário e para muitos já é uma revelação. Suas palavras são imortais, e seu dom mostra um caminho para quem quer se autoconhecer e ser feliz.

“Eis que chega, assim, a mais sublime essência,
Invadindo a alma e purificando as pontes
Que ligam o homem ao pico da existência,
Por descobrir que a fé transporta montes.”
(Nathalia Wigg)

Essência Azul é o resultado de anos de estudos, experimentos, pesquisas e insights. Uma obra que, além de ser rica em beleza literária, reúne dados relevantes e reveladores sobre a mente e o espírito. A autora afirma que o autoconhecimento e a consciência são pontes vitalícias que levam ao mundo dos sonhos, das realizações, da iluminação e do amor. Nesta grande obra, produzida com incontestável seriedade, Nathalia Wigg nos mostra a completude da vida.

Contos, crônicas, ensaios e poesias se entrelaçam em envolventes histórias. Amor, inspiração, mistério, revelação... Um livro onde o final é apenas o começo.

Abaixo alguns dos belos trechos da obra, o nome do conto está entre parênteses.

Mais do que chama, o amor é luz. Mais do que paixão, o amor é amizade. Mais do que tentativa, o amor é perseverança. (Caminhos do amor)

Mas, naquele momento, Dora estava sofrendo. Talvez precisasse do colo da mãe. Talvez precisasse voltar ao útero materno para ter uma nova chance de recomeçar. Talvez precisasse voltar ao útero do mundo...
(Bolinhas de Gude)

– Meu filho, lembre-se sempre, os sonhos se realizam à medida que o homem os liberta!
– E como fazer isso?
– O homem liberta os sonhos quando permite que o coração seja a bússola do seu caminho.
(Dançando nas nuvens)

Aprendi que a mais árdua e bela das peregrinações é aquela em que percorremos ruas e becos de nós mesmos.
(A porta secreta)

Essência Azul é uma joia do bem-viver. Muitos caminhos alternativos são apresentados aos leitores como soluções para muitos tipos de sofrimentos. Como tem sido o retorno de quem percorreu com você o sagrado caminho das estrelas?
O retorno tem sido gratificante. Algumas pessoas entram em contato e descrevem o que sentiram após a leitura dos contos. São relatos sempre positivos e, muitas vezes, intensos. É uma enorme felicidade perceber a conexão dos leitores. Fazer o bem faz tão bem! Há um tempo, uma leitora disse que gostou tanto do conto Stella Blu que o leu 4 vezes. Isso toca, mexe com a gente. Tenho percebido que não existe um meio termo com esse livro. Ou a pessoa se conecta ou não se conecta. É bem simples. As histórias ficcionais de “Essência Azul” levam o leitor a percorrer um caminho interno. E, num mundo repleto de superficialidades, esse trajeto às vezes assusta. Divago, através de contos, sobre vida, morte, além... amor, dor, inveja, humildade, superação... e tantos outros sentimentos humanos; muitas vezes velados, mascarados, artificializados.

Há alguma história do seu livro que você vivenciou de verdade?
Todas e nenhuma. As histórias são criadas, mas os alicerces são reais. O sentimento é real! Muitas histórias não vivi inteiramente como está no livro, mas vivenciei algumas passagens. Há muitos fragmentos da minha vida ali. Os contos surgiram através de uma alquimia daquilo que carrego comigo e que segue a ordem: realidade - inspiração - criação. Ocultei certos mistérios da minha vida “atrás” da ficção. Às vezes, a realidade pode surpreender mais do que histórias ficcionais.

Por que decidiu unir tantas vertentes artísticas em sua obra, como poesia, imagens, contos e crônicas?
Achei interesse misturar todas essas estruturas. Tudo se completa. O livro tem uma ordem conceitual bem precisa. As poesias e imagens completam os contos e crônicas. Bastante coisa aconteceu durante a produção de “Essência Azul”. 70% dos contos foram criados especialmente para esse livro. Algo me dizia: “existe uma ordem perfeita para os textos”. Então, imprimi tudo e joguei as folhas no chão do meu quarto. Meditei por um longo tempo enquanto observava a papelada... fiz cálculos racionais e emocionais. De repente, já tinha encontrado uma sequencia ideal.

Os desenhos foram feitos pelo artista plástico Leandro Guinard. Conversamos bastante. Fui à casa dele, mostrei como queria os desenhos, falei sobre os personagens... sobre características físicas, sobre a essência das imagens que deveriam ser criadas. Enfim, o Leandro captou tudo brilhantemente. Foi ótimo trabalharmos juntos. É um tipo de artista que você lança uma ideia e, depois de alguns dias, ele a transforma em realidade. As imagens deram forma à essência do livro.

Seu nome aparece em muitas antologias, algumas até internacionais. Foram convites, projetos seus, ou ambos?
Ambos. As antologias que participo são resultados de concursos, seletivas e co-edições. Têm novos trabalhos ainda por chegar. Acho ótimo participar de antologias (claro, quando são de qualidade.)

Você já participou de Concursos Literários brilhantemente, chegando a tirar o 1º lugar em um chamado Elo de Versos. Conte-nos a sensação de vencer um concurso como esse e a importância de projetos assim.
A sensação é ótima. Vencer um concurso nos enche de esperança e traz mais combustível para continuar a caminhada. Traz entusiasmo! Entretanto, acredito que uma pessoa pode ter muito sucesso sem ter ganhado prêmios literários. Cada trabalho é único. Para ser contemplado, não basta ter uma produção de qualidade, é preciso agradar o gosto dos jurados. Gosto é algo muito relativo. Têm concursos que dão preferência a trabalhos mais eruditos, complexos, herméticos e técnicos. Outros dão preferência a trabalhos mais simples, objetivos, claros, embora técnicos. Alguns concursos recebem material de 2.000 concorrentes. Alguns mais, outros menos. Peneirar 10 textos desse monte é muito difícil. Muita gente boa fica de fora.

Mas acho extremamente importante participar de concursos literários. Quando ganhar e perder se tornam acontecimentos naturais é sinal de equilíbrio, maturidade. Algumas pessoas, por vaidade em excesso, não conseguem lidar com a perda, com o “não”, se sentem frustradas. A falta de humildade cega de tal forma que a pessoa não consegue aperfeiçoar a escrita. Participar de concursos constantemente é um exercício maravilhoso no qual ganhar, ou perder, se torna uma questão de ponto de vista. O excesso de crítica, direcionado a outros profissionais do meio, também nos deixa bitolados. Saber admirar outros escritores nos faz crescer..., abre portas. Sempre temos algo a mais para descobrir.

Aprendo muito na comunidade “Concursos literários”, no Orkut. Aquilo lá é um mundo de possibilidades. Os concorrentes se ajudam, festejam e protestam juntos. É um exemplo de união, de pessoas que sonham, persistem e que, de um modo ou de outro, estão querendo evoluir juntas.

O que acha do estímulo à leitura, hoje, no Brasil? Acha que são necessárias mudanças?
São necessárias muitas mudanças. Para algumas pessoas, ler é um sacrifício. Outro dia, estava numa livraria, e uma menina de aproximadamente 5 anos sentou à minha frente. Em seguida, pegou um livro infantil e disse à mãe: “Mãe, lê pra mim.”. A mulher simplesmente retrucou: “Garota, deixa isso aí.”. Logo, pegou a menina por um braço e a levou embora. Eu fiquei paralisada, chocada. Diante de mim, uma mãe roubou da filha a possibilidade de obter conhecimento, de conhecer novos mundos, de nutrir o processo criativo e aprimorar o gosto pela leitura. Criação é a capacidade de construir um mundo novo!

Precisamos de projetos de incentivo à leitura nas escolas e fora delas. Todos precisam ter acesso ao livro. O incentivo da família e dos professores ajuda muito. O individuo precisa de exemplos. A imagem do escritor não pode ser mais daquela figura inalcançável. Novelas e propagandas também deveriam explorar frequentemente esse mundo da leitura. Nas escolas, além dos autores clássicos, também deveriam entrar, no projeto pedagógico, autores atuais. Criança gosta de Harry Potter. Por que não oferecer fantasia para a garotada e, depois, apresentar outros livros mais herméticos? Ainda tem muita coisa arcaica por aqui.

É possível viver apenas como escritora?
Tudo na vida é possível. Subestimar essa possibilidade é um crime! Aliás, subestimar a capacidade de qualquer pessoa é um crime! O caminho do profissional da escrita é muito longo. Ainda existe demasiado preconceito no nosso país. Muita gente não valoriza a profissão de escritor, por pura falta de conhecimento. Por exemplo, seria leviano de minha parte dizer que eu não sou escritora. Desde pequena minha vida girou em torno disso. Cursei Letras, me pós graduei em Língua Portuguesa, fora a dedicação integral à minha carreira. Claro que daqui a 10 anos saberei mais do que sei hoje. Mas que profissional não é assim? Um médico de 25 anos pode ter um ótimo destaque e desempenho, mas, inevitavelmente, depois de 10 anos ele terá mais experiência e será ainda melhor.

Tem gente que só atribui a profissão da arte à fama: depois que o indivíduo fica famoso, ele é considerado escritor, ator, músico de verdade... as pessoas esquecem o quanto cada um tem que ralar para chegar no topo, e que tem gente excepcional que nunca conseguiu chegar (e nem por isso deixou de ser profissional). Escrever é um compromisso, uma responsabilidade com a sociedade! É um trabalho solitário, muitas vezes não compreendido, onde a pessoa estuda, pesquisa, lê, escreve, batalha muito, corre atrás de inúmeros atalhos no mundo da literatura. Enfim... é um trabalho que precisa ser reconhecido de verdade no nosso país.

O grande problema é que, infelizmente, não há um controle na produção literária. Tem gente que nunca estudou, está completamente por fora do mundo literário, e diz: vou publicar um livro, vou ser escritor! Então, a pessoa procura uma editora e publica um trabalho sem ter feito uma revisão minuciosa, ou sem ter contratado um revisor de textos. Pronto, o estrago foi feito! O livro sai cheio de erros ortográficos e gramaticais... e quem “paga o pato” somos todos nós escritores. Eu, você, e um monte de gente que está batalhando seriamente por aí... pois essa banalização desvaloriza. Pior, uma criança pega um livro com erros e aprende errado... Isso é muito complicado. O ideal seria cada pessoa ter responsabilidade, já que não existe um controle. Qualquer publicação precisa ser feita com esmero.

Contudo, é possível viver como escritor. Existem inúmeras possibilidades nessa vida. O apoio da família é muito importante. Se não existir apoio, sem problemas! A pessoa simplesmente precisa acreditar, precisa persistir!


Essência Azul - O sagrado caminho das estrelas
Essência azul é um conjunto de histórias que instiga a reflexão.
Com ilustrações, e reunindo poemas, contos, crônicas e ensaios é um mergulho profundo na alma humana. As palavras presentes nesse livro inspiram sentimentos variados, tais como ternura, seriedade, paixão, humor, alegria.
Nathalia Wigg delineou a chave que abre as portas do sucesso e a transformou em livro.
Seja bem-vindo a esse mágico caminho das estrelas.
Uma rota que promete grandes surpresas e que leva ao amor, à consciência, à paz, à esperança e ao sucesso.


O livro é vendido através do site: http://www.nathaliawigg.com.br/
ISBN: 978-85-7810-179-4
N° de páginas: 144
Editora: CBJE (Câmara Brasileira de Jovens escritores)
Nota: O livro possui 13 ilustrações feitas pelo artista plástico Leandro Guinard

Luís Delgado