Um novo conceito em Blog Literário!

Espaço dedicado à divulgação de autores brasileiros, além de matérias e dicas sobre Literatura.
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Busca do Literária 15

domingo, 26 de dezembro de 2010

Joana Cabral

No Literária 15 de hoje recebo minha grande amiga Joana Cabral. Escritora premiada e que dialoga com a arte em níveis e vertentes variadas, dona de uma narrativa intensa, poderia dizer avassaladora, como em uma correnteza somos literalmente arrastados por palavras carregadas de emoções e tramas divinamente entrelaçadas.

Destaca-se, entre tantos atributos, sua capacidade de tornar seus contos sedutores não importando se são suaves ou fortes. Como quem hipnotiza uma tempestade, nos drena para dentro de seu mundo, ou seus mundos, e torna a realidade tão brilhante sem com isso torná-la superficial.

Reunindo toda sua paixão pela Literatura, tanto clássica quanto contemporânea, Joana nos apresenta todo seu talento, sua visão profunda, seu ar envolvente, sua humanidade revelada no carisma e nas múltiplas dimensões dos personagens, com pensamentos e sentimentos que passeiam pelos extremos, ornados na estética e na inteligência de uma grande escritora, mulher à frente de seu tempo, sonhadora e realista, mestra de seu próprio caminho, conhecida e admirada.

Contista e roteirista de teatro. Nasceu em Juiz de Fora (MG) e foi criada em Brasília, onde atuou como empresária por quinze anos. Mas a leitora compulsiva dos clássicos e da moderna ficção nacional e estrangeira, falou mais alto. Joana deixou os negócios e migrou para a carreira literária. Formou-se em Letras e dois anos depois, já radicada no Rio de Janeiro, recebeu o prêmio “Osman Lins de Contos – 2005”. “Fragmentos do Desencontro” é o primeiro livro solo da autora, que já foi publicada na “IV Antologia de Contos de Autores Contemporâneos”. Adaptou para o teatro o livro infantil “O Capitão e a Sereia”, de “André Neves”.

Em "Fragmentos do Desencontro" percebemos a realidade humana revestida de belíssimos traços poéticos, mas sem perder sua essência de cotidiano. Criar esse convívio de dualidades é um traço marcante do seu estilo, ou foi uma construção própria para esta obra?
É, com certeza, meu estilo. Inverter a ordem natural das coisas é um tema recorrente em meus pensamentos e inevitavelmente migra para minha literatura, também. "Fragmentos do Desencontro" não foi um projeto pré determinado, ele é o resultado de uma seleção rigorosa dos contos escritos no período de 2005 a 2009. Foi durante o processo de seleção que descobri o fio condutor que transpassava todos os contos, e era exatamente essa quebra da rotina do dia a dia, do lugar comum, do prosaico, a partir de um determinado evento dentro da narrativa. O resultado me surpreendeu, porque não havia visualizado, racionalizado essa tendência até o momento em que reuni o material. Não sei se meu próximo livro trara essa caracteristica. É uma incógnita! É preciso permitir-se a surpresa, o imponderável não é da ordem das deliberações racionais. Gradativamente, minhas narrativas adquirem autonomia própria, formando conjuntos de relatos que apontam para vetores particulares a serem desvendados. Nem "tão esotéricamente assim" creio que é algo, simplesmente inerente aos processos de criação literaria.

Roteiros de teatro nos remetem a uma linguagem onde há um apelo visual muito grande, os personagens se expressam, agem muito intensamente na parte física. A Literatura, reinado de letras e imaginação, dista um pouco desse mundo. Em "Fragmentos do Desencontro" houve uma influência técnica, ou contribuição artística de sua experiência teatral?
Desembarquei no mundo dramaturgia quase por acaso (embora acredite que nada seja casual!), fui convidada para adaptar um livro infantil "O Capitão e a Sereia", do escritor e ilustrador, André Neves. Apesar da hesitação inicial, o projeto ficou belíssimo e foi uma diversão dar vida e voz ao Capitão Marinho e sua trupe. Como pertenço a uma vertente estritamente narrativa, encontrei certa resitência ao escrever roteiros. No teatro, todas as informações que você deseja para o público, tem de estar nos diálogos, recurso que nunca ou quase nunca utilizava em minhas narrativas. Investi em cursos e fiz oficinas de roteiro. Estudei com a roteirista e escritora, Regiana Antonini, na "Cia. de Teatro Contemporâneo". Acredito que o exercício da dramaturgia agregou recursos à minha escrita, um fôlego que arejou o "andar por dentro de meus contos". O percurso técnico foi inverso, levei mais para o conto a experiência com o texto teatral, do que o contrário.

"Fragmentos do Desencontro" é uma coletânea de contos que, entre outras características, se unem pela essência do desencontro, uma construção engenhosa onde o final é sempre surpreendente. O que mais os leitores podem esperar da obra além dessa essência?
Apesar de sempre estarmos na expectativa de finais surpreendentes, visualizo e elaboro bem mais, o "vazio". Nos contos, em sua maioria, o desfecho apenas se insinua, pode ser que o tema seja tratado mais adiante ou não. A intenção é, justamente, não dar uma solução, um desenlace previsível, lógico, para o impasse proposto, mas sim, abrir para uma reflexão ou mesmo uma interrogação sem resposta aparente. Algo assim como tirar o chão. Te deixar no vazio e te obrigar a pensar... e se... e se... valorizando a sensibilidade e capacidade de discernimento do leitor e/ou lhe demandando desfechos proprios, lhe dando chances de extrair suas proprias conclusões do que lhe é apresentado literariamente.

Mulheres de Opinião era um site onde você exercia uma linguagem jornalística marcante. Nessa linguagem marcada pela imparcialidade , existem limites a serem respeitados pelo toque feminino?
Com a migração de meus trabalhos para o novo projeto em parceria com a escritora Eliane Raye, lançaremos no dia 15 de janeiro próximo um novo espaço para divulgação de autores brasileiros emergentes. Será o site "Tabletes Culturais", continuarei meu trabalho de apresentação da produção literária em nosso país, do novo autor, do novo profissional que está se destacando. Claro que meu olhar feminino estará sempre presente, com muito mais liberdade de expressão, acredito.

Em Mulheres de Opinião você escrevia juntamente com outras duas escritoras, no ritmo intenso da internet, sobre variados assuntos. Mais que uma ampliação de concepção artística, você diria que essa experiência amadureceu também seu olhar sobre o universo feminino nas buscas por espaço na sociedade?
Não vejo tão nitidamente um amadurecimento. Carregar o nome "Mulheres" te traz uma responsabilidade enorme com a mulher que você carrega dentro de você, com a mulher que você é. Isso senti muito forte com o trabalho que desenvolvi no site. Não me sinto como uma mulher que está desbravando um espaço na sociedade, acho que vieram outras "militantes" antes de mim, abrindo uma avenida extensa para nós . Vejo mulheres de destacando em todos os setores, dirigindo ônibus, que é um trabalho que considero extremamente duro; administrando empresas e até sustentando o lar, mas acho que a humanidade ainda tem de evoluir muito para não esbarrar em conceitos equivocados, por exemplo, se a mulher é bem sucedida profissionalmente, ela não tem perdão, não vai ter direito a nenhum momento de fragilidade.

Como roteirista você adaptou uma obra da Literatura Infantil brilhantemente. Como foi essa transposição entre essas duas vertentes artísticas? Esse contato profundo com Literatura Infantil mexeu com seu método de criação posteriormente?
Nunca havia escrito para o público infantil, mas a proposta do projeto era intensamente poética, com abundancia de imagens belas, remetiam-me ao poema "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto. A peça apresenta a saga de uma criança que, de tanto escutar as histórias de seu pai, torna-se uma contadora de histórias e vai de encontro ao mar. O lirismo transbordou desse trabalho e o resultado foi maravilhoso. O que de melhor acrescentei à minha escrita, com o texto para o teatro foi a apropriação do diálogo.

Você está constantemente em contato com autores que vão surgindo. Sendo uma apaixonada pela Literatura Clássica que dialoga com as novidades, com que olhos você enxerga essa renovação nas Letras Brasileiras?
Sou uma constante pesquisadora de blogs literários, tendo encontrado muita coisa boa, o que até me intriga, porque não vejo tanta gente estourando no mercado editorial aqui no Brasil! Vejo uma tendência à mesmice dos romances "enlatados" que insistem em brilhar nas preteleiras das livrarias. Nunca se escreveu tanto em nosso país, e nunca se publicou tanto, o que está faltando é consolidar essa ponte entre os escritores e leitores... desconstruir essa noção introjetada de que literatura boa vem de fora. Claro que a produção americana é boa, como a francesa e a argentina, mas é urgente democratizar a literatura e acabar com essa relação viciosa de oferta e procura de livros "produtos".


Fragmentos do Desencontro

A obra é composta por 23 contos, que têm como ponto em comum a abordagem de fatos do dia a dia por uma perspectiva inusitada. “Meus contos “desenganam” o leitor; o final feliz nem sempre acontece no desenlace dos pequenos dramas do quotidiano”, relembra a ficcionista.
”Minha escrita é o resultado do que recolho em bruto, no ir e vir à escola de minha filha, de um percurso eventual de metrô ou de ônibus. Geralmente, quando sento ao computador, já tenho toda a narrativa pronta”, revela a autora, que, também, investiga registros em fotos do quotidiano publicados na imprensa, como fontes de estímulo à sua escrita.


Editora Editora Pedro e João Editores (SP)
Páginas: 116
Preço: R$ 19,90

Luís Delgado

Mensagem de Natal

Mensagem enviada no dia 18 de dezembro de 2010 a todos os que participaram do blog. Como ela mesmo diz, o blog é de todos, portanto, fica aqui para os seguidores e leitores também.


Olá amigos e amigas!

Recentemente vinha pensando em uma mensagem de Natal que levasse a todos vocês que fazem parte do Literária 15 o sentimento que compartilho neste primeiro ano do blog. É fato que nosso espaço não pertence somente a mim, ou aos escritores entrevistados, ou ainda poetas e poetisas que deram o ar de sua arte, mas além de todos os citados, não poderiam ficar de fora os seguidores, leitores que impulsionaram os números do contador e contribuíram para o sucesso da ideia.

Outro dia, deitado em minha cama esperando o sono, me peguei pensando em nosso país. Na força dos espaços independentes, nas organizações que nascem dentro da sociedade com um espírito de desenvolvimento humano tão apreciável. Pensei também nas forças antagônicas que lamentam pela cultura que não é valorizada no país, ou as que exaltam a nossa Literatura. Há muito a se considerar, mas podíamos considerar qual a nossa parte quando achamos que a realidade à nossa volta não está boa o suficiente.

Me concentrei no blog, me lembrei de quando tudo era apenas uma saída ao "não" que eu ouvia aqui e ali quando precisava de um espaço para divulgar meus livros. Hoje o Literária 15 é maior do que seu impulso original.

Neste momento agradeci à força invisível que nos cerca, agradeci a seres celestes por poder fazer algo pelo Brasil, agradeci por ter encontrado todos vocês, e de mãos dadas termos chegado até aqui. As lágrimas desceram pelo meu rosto, foi impossível, e não faria sentido, segurar a emoção. Ali fui feliz porque entendi a essência daqueles que fazem algo por sua nação, não dando ouvidos aos contras, acreditando na boa intenção, no talento de nossa gente, chegamos aqui. A bandeira que figura no blog não é mero patriotismo, é um sentimento de amor à nossa cultura, às nossas letras, costumes, idiomas, povo, entre tanto para se amar. Esse Brasil que cada geração acredita, esse sonho que nos une, esse país que é construído por todos nós, não é apenas mãe gentil, esse Brasil é também nosso filho. Não me fale dos maus políticos, me fale dos homens e mulheres que não aparecem nos telejornais, mas que fazem sua parte.

Mas acima de tudo, me fale de você de sua relação com a nossa Literatura. Sim, podemos atuar em todas as áreas, mas não nos esqueçamos de nossa essência. Somos escritores. E na construção de uma sociedade onde os livros valem ouro, podemos dar nossa contribuição maior. Neste Natal pedirei que essa mensagem fale fundo no coração de cada um de vocês, saibam que nesse instante amo todos vocês, os que estão aqui e os que passaram, somos irmãos em Letras, estamos eternamente unidos, e estarei sempre em favor de nossos filhos, os livros, em favor de que nunca digam a vocês que devem se calar, que nossa liberdade seja plena.

Aquelas lágrimas que surgiram durante a noite brilharão para sempre, posso dizer por hoje que fiz algo por meu país, que pela nossa arte, nosso bem, nosso amor, cheguei até aqui. Continuamos juntos.

Não somos mais as crianças do museu, somos gigantes do novo mundo!

Feliz Natal a todos e 2011 será apenas uma escolha. Escolha por você!

Carinhosamente,
Luís Delgado

sábado, 11 de dezembro de 2010

M.D. Amado

No Literária 15 de hoje recebo meu grande amigo M. D. Amado. Um autor cuja presença no mundo literário vai além de parcerias, organizações de antologias, sites de sucesso, e uma grande presença na internet. Marcelo Dias Amado é um escritor célebre, um nome conhecido, dotado de uma escrita incomparável. Suas obras nos dão uma amostra de sua enorme criatividade, de seu estilo marcante, da sua capacidade de mergulhar nos mais diversos gêneros com sucesso.

Terror, suspense, fantasia, poesia, tudo pode ser tocado, impossível classificá-lo dentro de um único gênero, seu universo na escrita é ilimitado, seu dom é capaz de criar impactos fortíssimos através das palavras. Seus livros atraem cada vez mais leitores, encantados com histórias sempre envolventes.

Qualquer entrevista seria pequena para falar de todo o processo de criação de Marcelo, de alcançar todas as questões relevantes de suas obras, de mergulhar em seu crescimento na Literatura, abordar seu conhecimento e aprendizado ao longo de inúmeros projetos, ou ainda de falar de suas qualidades e anseios como escritor. Mas dentro de uma abordagem diferente, hoje conheceremos um pouco mais sobre esse fantástico autor, sobre sua arte, suas opiniões. Hoje convido todos a uma viagem inesquecível.

"Aos Olhos da Morte" é uma fascinante antologia que reúne 21 contos que você escreveu, inicialmente, em um blog. Quanto aos primeiros contos, parece que houve uma reescrita. Como foi esse processo? Uma tentativa de equilíbrio no estilo por conta da distância cronológica entre eles?
Bom, na verdade não são todos os contos do livro que foram publicados anteriormente. Muitos foram escritos para o livro. Quanto a reescrever, foi por um amadurecimento da escrita mesmo. Umas pinceladas sem alterar muito o original. So um deles, o "Caminhos", é que foi completamente reestruturado. E quanto ao equilíbrio no estilo, é uma coisa com a qual não me preocupei nesse livro. Os textos possuem estilos bem variados.

"Aos Olhos da Morte" é um livro onde você consegue explorar um assunto tão profundo, como a visão do ser humano à respeito da morte, sob os mais variados aspectos. Após a conclusão do projeto, essa reunião de visões diferentes operou alguma modificação na sua visão de humanidade enquanto escritor? Criou algum impacto novo e íntimo para as próximas obras?
Digamos que eu me apaixonei ainda mais pelo tema e passei a observar melhor a reação dos leitores. Pelos comentários e resenhas, vi que eu conseguir alcançar meu objetivo, que era dar uma nova visão da morte, diferente da dor e do medo. Presenciei pessoas que torceram o nariz para o título e capa, com aquele 'pavor' inicial pela simples menção da palavra morte, mas que depois confessaram ter deixado a emoção aflorar em alguns dos contos, e dizendo que passaram a ver a morte realmente com outros olhos. O impacto disso pra mim, é a sensação de prazer, de ter feito algumas dezenas de pessoas sorrirem, chorarem, ficarem com raiva... Viajarem de mãos dadas com a minha morte.

Na antologia "À Sombra do Corvo" há a participação de um autor português. Como aconteceu esse intercâmbio e qual o impacto dessa pluralidade de culturas no conjunto da obra?
Foi natural. Na verdade três portugueses se inscreveram, mas apenas o Miguel foi selecionado. É um estilo diferente de escrita, com um português perfeito de encher os olhos e que deu um tempero especial na antologia. E casou perfeitamente com a proposta do livro, sem dar um impacto muito grande, que causasse estranheza em comparação aos outros textos. Espero que essa participação se repita em outros projetos do Estronho.

Você é um grande organizador de antologias, coletâneas variadíssimas quanto aos temas. Essas obras partem de projetos seus, em parceria ou sugestões? E em suas participações aconteceu de você ter que escrever algo novo para alguma determinada antologia?
Obrigado, mas eu estou apenas começando. Tenho muito o que aprender ainda e para isso, conto com a ajuda de alguns amigos. Algumas ideias vieram de projetos que eu lançaria em livro solo e desisti. Outras surgem de bate papos. VII Demônios por exemplo, surgiu de uma conversa com a Celly Borges (do Mundo de Fantas) e em menos de três dias já tinhamos tudo pronto pra divulgar. Insanas foi um estalo que me deu na bienal do livro de São Paulo. Vi muitos livros sobre o universo feminino e pensei: Por que não criar uma antologia que canalize o lado cruel das mulheres, em vez desse lado 'fofinho' e maternal? Quando comentei com algumas pessoas que ia fazer isso, ouvi de dois amigos que não daria certo, porque mulheres não gostam de escrever terror (uma das pessoas que disse é mulher inclusive...). Bom, Insanas é uma das antologias que eu mais recebo textos e posso dizer que vai ser bem difícil selecionar apenas doze, para fazer companhia aos textos das minhas convidadas. E tenho anotadas algumas sugestões de amigos e leitores para futuras antologias.

Quanto a escrever para outras antologias, acho que em apenas uma eu aproveitei um texto que eu já tinha. Em todas as outras, eu escrevi exclusivamente para o tema proposto.

No blog "Entre elas um amado", você divide espaço com talentosíssimas escritoras. Esse contato com o feminino influenciou no seu processo de criação de personagens?
Em relação a criação de personagens não. Mas com certeza, escrever com as meninas me fez crescer mais como escritor. Arriquei gêneros diferentes, temas diferentes e a entrega total durante a escrita, sem se importar com melindros e medo de ultrapassar limites. Escrevemos e entramos de cabeça no texto. Seja um conto de terror ou declarações de amor apaixonadas. Alguns textos provocaram comentários de leitores que achavam que eu e certa autora éramos namorados ou estávamos apaixonados virtualmente. Mas na verdade era apenas poesia. O grande barato é que eu aprendo muito com as meninas e é uma grande diversão sempre. Os contos e poesias na maioria das vezes surgem de repente, em conversas pelo MSN ou por email, tipo bate e volta. É um exercício muito bom e muito prazeroso. Elas mandam muito bem e estou até com saudades de escrever com elas. Os compromissos (meus e delas) têm nos impedido, mas em breve voltaremos.

Outro excelente blog seu, "Verberar", é uma amostra do seu lado poético. Ficção e poesia se misturam em alguma obra ou conto seu, ou você mantém esses dois mundos separados?
Sim, em alguns textos eu usei poesia e prosa poética para narrar o conto. Um exemplo dessa influência é "O Último Baile: pontos de vista" publicado na antologia Metamorfose, a fúria dos lobisomens. No livro Aos Olhos da Morte tem alguns textos que tem uma pitada de poesia ou prosa também, mesmo que um pouco sutil. Gosto de brincar com isso às vezes, embora escreva poesias sem nenhum compromisso ou pretensão de ser poeta. Não costumo seguir regras e na verdade, pouco entendo sobre elas. Apenas gosto de escrever.

Vimos há alguns anos a internet derrubar barreiras e potencializar os meios de divulgação, inclusive os independentes. Você vê uma mudança na relação "autor/editora" dentro dessa perspectiva atual?
Completamente. A troca de informações entre editor/autor, dicas que o editor pode passar para melhorar um texto para determinada antologia, ou ainda a pesquisa de bons autores por parte de quem organiza uma antologia por exemplo. Isso já aconteceu comigo. Fui convidado para um projeto, porque a organizadora viu meus textos publicados em um e-book e também no meu site. Na verdade, pode-se dizer que a relação autor/editor ficou viável.



Aos Olhos da Morte

Quem nunca teve medo da morte? Ou estremeceu a simples menção dessa palavra?

Descubra, através destas páginas, o quanto você teme o inevitável. Está preparado para enfrentar a morte?

Se vista de coragem, familiarize-se com ela, mergulhe nestes parágrafos e descubra a dor e a beleza em cada conto. Sinta o hálito gélido da morte, encare seus olhos e deixe-se beijar.

Neste livro, M. D. Amado nos revela as várias facetas da morte e todos os sentimentos que provoca no ser humano: dor, ódio, medo, saudade, revolta... E amor. Tudo maravilhosamente escrito em 21 contos emocionantes e surpreendentes, sem limites entre o mórbido e o belo.

Entre, seja bem-vindo. Afinal, a morte nos espera...

Autor: M. D. Amado
Publicação em parceria com a Editora Literata
Coletânea de Contos
ISBN: 978-85-63586-02-5
120 páginas

Luís Delgado

Teaser

Fala-se muito no Brasil em Banda Larga, mas você que usa um provedor daqueles que qualquer vídeo na net fica demorado, deve saber que a banda não é tão larga assim. Não é?
É justamente nesse meio em que muitos usuários ficam impacientes diante de um acesso lento e que o limita muito quanto ao acesso é que entra uma ferramenta de grande potencial de marketing, o teaser.
Com certeza você já ouviu falar dessa nova, ou provavelmente já até sabe do que estou falando. Mas já parou para analisar sua grande utilidade?
Indo ainda dentro da perspectiva de que muitos usuários no Brasil não tem paciência diante de grandes vídeos, de booktrailers demorados; um vídeo de trinta segundos, quinze segundos, mais ou menos, como o teaser, atrai qualquer usuário, tanto os apressados quanto os curiosos, mesmo quem tem acesso a um provedor que permita enorme velocidade, mas não dispõe de muito tempo para um vídeo promocional de quatro minutos, acaba se rendendo a uma propaganda rápida, direta, desde que bem elaborada, atrativa.
Lembre-se desta questão “atração”, o teaser deve ter um impacto forte, não há tempo para contar tudo com calma, você deve ser direto, esqueça as minúcias, busque a essência da obra e potencialize essa ideia principal. Se conseguir capturar a atenção dos leitores nesses poucos segundos, com certeza irá puxá-los também para booktrailers, ou resenhas mais longas de seu livro. Nesse aprendizado você com certeza aumentará seu poder de síntese e aprenderá muito em como ser direto em relação ao seu público alvo.

Sucesso!
Luís Delgado

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Eliane Raye

Recebo hoje aqui no Literária 15 minha grande amiga Eliane Raye. Dentro dos novos movimentos literários, das obras emergentes, poderia destacá-la como uma incrível escritora que conseguiu, como poucos, aliar sentimento e virtuose intensamente.

Eliane é colunista de um grande portal de comunicação, o Mulheres de Opinião, está lançando sua primeira obra literária, mas já tem uma segunda que está para ser lançada ano que vem. Falaremos aqui sobre ambas.

Aliás, em duas obras, já é possível notar toda sua versatilidade, conteúdo, refinamento cultural, profissionalismo e um estilo inconfundível. Dona de uma linguagem especial, revela sua alma com grandeza e maestria em cada capítulo, uma escrita atraente, única e ao mesmo tempo de conteúdo diversificado, rico. Sua recente obra é um brilho aos olhos da Literatura Brasileira, e um brinde ao bom gosto dos leitores, que se encantam com sua maestria no mundo das palavras.

Eliane Raye nasceu no Rio de Janeiro e foi moradora de Brasília por 35 anos. Vive atualmente na cidade maravilhosa, é dentista, casada e feliz. Dedica parte de sua vida na inclusão de crianças carentes na ONG Médicos Solidários. É autora do livro “Os primeiros Socorros para os seus filhos”, que será publicado pela Editora Santos (Grupo Gen) em 2011, editora do site “Mulheres de Opinião”,“Mundo Mulher” e colaboradora do “Portal Literal”. O Portal é seu romance de estréia.

Na revista eletrônica "Mulheres de Opinião", vocês abordam, além de Literatura, Moda, Cinema, vários outros assuntos. Qual o impacto causado pelo retorno dos leitores sobre a nova visão que vocês lançam a cada dia sobre os temas abordados?
O principal objetivo da revista é levar nossas opiniões sobre tudo de fatos relevantes que acontecem no país sem aquele olhar “jornalístico”, até porque somos escritoras de ficção, e não jornalistas. Eu diria que o maior impacto desse retorno que recebemos com carinho diariamente é o fato de nos tornamos cada dia mais responsáveis pelos nossos artigos. Toda pessoa pública tem um responsabilidade com aquilo que fala... Somos formadores de opinião e isso exige um cuidado especial. Por isso dedicamos muito do nosso tempo em nossas matérias, na busca daquilo que nos é agradável para passarmos uma verdade e principalmente paixão naquilo que escrevemos.

"Mulheres de Opinião" vem se afirmando como um portal de exaltação cultural. Classificado por vocês como um "começar de novo". Até que ponto acredita em um "Renascimento" na valorização cultural brasileira a partir de canais independentes e visionários na internet como o de vocês?
A internet e os canais de relacionamento virtual, sem sombra de dúvida, abriram uma oportunidade muito grande a todas as pessoas que têm algo a acrescentar. Hoje não temos mais que gastar uma fortuna para sermos escutados ou notados, basta termos conteúdo. Bons leitores sempre existiram, mas os meios no qual a informação chegava à eles era restrita. Com essa nova fórmula, hoje podemos nos arriscar de outras maneiras, sem estarmos eternamente acorrentados àquilo que, quando muito novos, acreditamos ser o melhor para nossa vida em termos profissionais.

Em "O Portal" a personagem Elizabeth se depara com uma poderosa organização internacional. Há nesse embate, uma projeção da figura feminina diante das instituições patriarcais de nossa sociedade?
Não. O Portal é uma obra de ficção...um romance de entretenimento. Não tem como objetivo levantar polêmicas relacionadas as instituições na nossa sociedade moderna. Os mistérios envolvendo uma grande organização mafiosa nos leva a mergulhar mais fundo na trama, e perceber que a solução de tudo aquilo que a protagonista anseia por descobrir, está mais longe de seu poder do que ela imagina. Um “poder maior” envolvido na história, gera um suspense eletrizante e gostoso, que é o objetivo principal do livro: Bons momentos de leitura!

A trama de "O Portal" se desenvolve entre ambientes de duas culturas bem diversas, Nova York e Rio de Janeiro. Qual foi o ponto de equilíbrio e o aprendizado? Houve mais pesquisa ou experiência pessoal?
Eu moro no Rio de Janeiro há 05 anos, e como “forasteira”, percebo as maravilhas da cidade por um ângulo privilegiado. Fico muito entristecida com o descaso de algumas pessoas com o patrimônio rico e único da cidade. O Rio é cantado, citado, mostrado para o mundo de várias maneiras, às vezes não tão boas...Eu quis mostrar o que o Rio tem de mais bonito. Meu objetivo maior foi fazer com que, as pessoas que venham a ler “O portal”, sintam vontade de conhecer a cidade, seus mistérios, sua história. Citei restaurantes maravilhosos que eu conheci pessoalmente, lugares que desbravei assim que cheguei aqui, patrimônios como a Biblioteca Nacional, Passo Imperial, Corcovado, Gávea... O Rio de Janeiro é lindo! Assim como Nova York. Também sou apaixonada pela cidade... Pela sua diversidade cultural, pela sua beleza sem fronteiras. São cidades que amo, e esse foi o ponto de equilíbrio. O aprendizado sempre é rico quando se escreve sobre aquilo que amamos. Pesquisei muito sobre as duas cidades e uni esse estudo à minha vivência. O portal é uma obra repleta de informações curiosas e o mistério se desenvolve em meio a esse clima de realidade.

Há em "O Portal", muitos aspectos do relacionamento humano, como relações amorosas, família, entre outros. Você propõe uma mudança nessas estruturas a partir de uma visão feminina moderna e ousada como a sua?
Pelo contrário, busco firmar essas estruturas sociais baseadas em modelos perdidos. Procuro enfatizar a importância da relação de cumplicidade entre pais e filhos, de fidelidade entre homens e mulheres e de honestidade, sem perder a obstinação na busca dos sonhos e a perseverança naquilo que acreditamos. Embora eu esteja incluída na visão feminina pós-moderna, acho que perdemos muito do verdadeiro conceito de feminilidade com essa busca exacerbada pela independência. Acredito que devemos sim, ser donas do nosso nariz, mas a fragilidade da mulher, ao meu ver, é linda, e não deve jamais ser esquecida.

"Os Primeiros Socorros para os seus filhos" é um livro onde você orienta adultos sobre cuidados para com a saúde bucal de crianças. Mas percebe-se que é uma obra onde o lado profissional, dentista, se une a várias nuances, mãe, escritora. Conte-nos sobre a fusão desses dois universos, artístico e profissional, na elaboração da obra e na sua evolução na escrita.
Sempre fui ligada a arte. Fui cantora por muitos anos e tenho a música como um fator essencial para o meu bem estar. Além disso, a busca por imagens que traduzissem minha paixão pela melodia, sempre me incomodou. Fiz vários cursos de computação gráfica e sou apaixonada por fotografia. Minha realização como escritora, que afirmo ser a junção de tudo aquilo que aprendi durante minha vida, começou com a conclusão do meu curso de especialização em odontopediatria. Minha monografia falava justamente sobre acidentes envolvendo a boca e os dentes, e procurando por artigos relacionados ao tema, percebi que havia uma lacuna no que se refere aos primeiros socorros prestados às vítimas desse tipo de acidente. Esse livro contém 100 páginas ilustradas e explica de maneira clara, tudo aquilo que todos os pais, professores, ouso dizer, todas as pessoas deveriam saber sobre como se comportar nesses momentos críticos de acidentes envolvendo os dentes. Fazer a ilustração do livro foi gratificante. Sou apaixonada por desenho, e desse trabalho surgiu outra obra, um livro infantil escrito por uma menina de 06 anos chamada Nina Krivochein, que agora estou ilustrando. Esse foi o berço da minha vida de escritora. Hoje, com o Portal, posso dizer que encontrei meu lugar de conforto. Ser escritora para mim foi uma descoberta fantástica e estou feliz por isso! Adoro brincar com minha amigas dizendo: “ Não se preocupem... Me casei com o grande amor da minha vida as 37 e encontrei minha vocação aos 39 anos de idade! Não desistam nunca!”

É possível notar em seus escritos uma alma feminina radiante, algo que transcende a tríade celta de filha, mulher e mãe. Uma voz íntima, poderosa e suave percorrendo cada texto. Dentro desse ângulo, qual a sua visão hoje sobre a relação entre os brasileiros e sua "Neo-Literatura"?
Recentemente assisti à uma palestra, onde os editores da Sextante falavam sobre os novos rumos da empresa e fiquei muito feliz em perceber que o número de leitores brasileiros cresceu muito nos últimos anos. Talvez, agora, estejamos preparados para entrada de novas obras, de autores, principalmente os nacionais, que estão iniciando seu caminho no vasto terreno literário, trazendo algo novo, de qualidade, mas que se diferencie daquela literatura engessada, que buscava um apoio dos críticos sem se importar com a simpatia dos leitores. Acredito no meu trabalho... acredito nessa mudança de conceito e em minhas obras, procuro sempre oferecer uma clareza na narrativa , momentos de paixão, suspense, afinidade , mas principalmente entretenimento.



O Portal

O Portal é um romance de suspense e aventura ambientado nas cidades de Nova York e Rio de Janeiro.
Após a separação de sua esposa, o engenheiro químico, Robert, se muda para o Rio de Janeiro e leva com ele sua filha, Elizabeth. Tudo corria bem até ela perceber que alguém inscreveu símbolos desconhecidos em suas costas utilizando um objeto cortante, deixando marcas doloridas e misteriosas. Assustada, não consegue se lembrar dos acontecimentos que levaram ao incidente.
A partir desse fato, juntamente com Leonardo, um amigo que conhece na faculdade, Elizabeth começa a desvendar os significados de sinais que vão surgindo com suas investigações e se vê diante de uma perigosa organização internacional. Envolvida em um enigmático triângulo amoroso e com a sua vida em risco; a única forma de viver e salvar seu namorado, Steve, que desapareceu misteriosamente, é desvendar todo o segredo escondido por trás de suas cicatrizes.

http://www.elianeraye.com.br/
http://www.mulheresdeopiniao.com.br/
Booktrailer: http://www.youtube.com/watch?v=QpHjjH6tYzk
No twitter: @Eliane_Raye
No facebook: Eliane Raye
Editora Usina de Letras

Luís Delgado

Onomatopimba

Nós já conversamos aqui sobre neologismo, invenção de novas palavras ou atribuição de novo sentido a uma palavra. Pois bem, hoje vamos analisar novamente esse mecanismo sob um novo prisma, falaremos sobre onomatopeia.
O sentido é simples, o conceito bem estrito, define-se basicamente como o ato de imitar um som natural através de palavras, como por exemplo, tique-taque.
Mas como sempre, podemos ir muito além das definições de um dicionário, podemos potencializar esse recurso, aparentemente simples, e evidenciar um estilo literário baseado nesse relacionamento som e palavra.
Para ser mais direto, pense na questão do sotaque, ou ainda no jeito excêntrico, que algumas pessoas falam. Seria realmente complicado reproduzir essas peculiaridades seguindo a norma fielmente. É necessário, nesses casos, uma distorção, para que o texto mostre ao leitor como o personagem realmente se comunica, é preciso destituí-lo de forma. Aí é que entra a imitação dos sons, esse ângulo que menciono, poderia até ser confundido com o neologismo, ou ainda uma junção desse com a onomatopeia. Mas veja bem que estamos falando de reproduzir falas de personagens, ou seja, estamos lidando com “sons”. Tolkien, em O Senhor dos Anéis, foi verdadeiramente um mestre nesse sentido ao reproduzir as falas de Sméagol/Gollum. O excesso da letra “s” nas palavras mostra bem como esse personagem é singular, para quem assistiu a adaptação para o cinema sabe bem do que estou falando.
Colocar seis letras “r” ou “a” no final de uma palavra ou qualquer outra parte dela, transforma completamente a visão de um leitor a respeito da expressão do personagem, em poucas falas, ele já será bem conhecido dentro da trama, isso serve tanto para personagens inventados, como também para reproduções do cotidiano.
Experimente essa ferramenta, distorça, abuse da licença poética, permita-se sair do padrão, as falas nem sempre estão sob a pena da “agramaticabilidade”. Os leitores entenderão o que quer passar e isso marcará ainda mais seu estilo.

Sucesso!
Luís Delgado

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Rafael Lima

No Literária 15 de hoje recebo meu grande amigo Rafael Lima. Um escritor que uniu não só sua experiência literária, como também várias expressões artísticas em uma obra riquíssima, no vocabulário, na apresentação, no enredo, entre outros.

O autor apostou no uso de ilustrações para aperfeiçoar a obra e conseguiu esse efeito de maneira notável. Seu livro une estilos, se projeta para além da nossa realidade permanecendo compreensível e altamente atraente. Uma trama bem engendrada, com personagens que encatam os leitores.

Uma história que traz em si influências marcantes, belas imagens, definições de seres fantásticos, tanto já existentes, como concebidos pelo autor e pra quem se encanta ao terminar de ler, o alento de uma continuação que promete não menos do que repetir ou superar o sucesso dessa primeira parte.

Seu livro possui referências grandiosas. Até que ponto elas influenciaram na criação de sua obra?
Influenciaram demais, sobretudo na elaboração do cenário e das capacidades especiais dos personagens.

"Aura de Asíris – A Batalha de Kayabashi" narra uma grande guerra entre duas raças. Na criação dessas raças você se inspirou em algum elemento existente nos conflitos armados no mundo?
Acho que não. É verdade que as razões que fazem os banshees odiarem os furous e vice-versa são as mesmas pelas quais muitos povos guerreiam até hoje. Porém, em "Aura de Asíris - A Batalha de Kayabashi" a coisa toda é muito mais sintética. Ao menos nesse primeiro volume, é claro quem é bom e quem é mau, e, na vida real, não é assim que ocorre.

Na sua obra, há a mistura brilhante entre ambientes tecnológicos e a fantasia. Como foi esse processo? Essa "colisão"?
Sempre achei o gênero tecnofantástico interessante. Misturar utopias tecnológicas com lutas de espadas é algo muito sedutor. Final Fantasy, Star Wars, He-man e Thundercats estão aí para provar. Não que trocar phasers com inimigos a bordo de uma majestosa nave espacial seja algo insosso, mas, ao acrescentar a isso magia, deuses e combates corpo a corpo, tudo fica mais intenso e emocionante.

De que modo sua formação em publicidade reforçou sua carreira de escritor? Deixaria um conselho primordial aos novos escritores?
Enquanto estive na faculdade, aprendi não só escrever melhor, como me expressar melhor de maneira geral e fui apresentado à obras geniais. Coisas que abriram minha mente. Porém, acho que a influência que o curso de P&P exerceu no meu processo criativo para por aí. A verdade é que histórias sempre brotaram na minha cabeça, certo momento apenas comecei a colocá-las no papel.

Um conselho aos novos, como eu? rs... Leiam muito e escrevam muito.

"Aura de Asíris – A Batalha de Kayabashi" promete uma trilogia. Você pretende se lançar em outros gêneros, tramas, ou ater-se apenas a este trabalho, pelo menos por enquanto?
Tenho muitas histórias na cabeça, bem diferentes entre si. Já terminei o "Aura de Asíris - A Queda de Asíris", o segundo volume da trilogia, e estou terminando de revisar "Os Reis do Rio", um romance pós-apocalíptico situado no Rio de Janeiro. Porém, eles ainda não possuem qualquer previsão de lançamento, creio que isso dependerá muito das vendas do primeiro "Aura". Espero encontrar uma editora para eles em um futuro próximo.

"Aura de Asíris – A Batalha de Kayabashi" é repleta de esplêndidas ilustrações. Foi uma ideia que surgiu ao longo da criação, ou existiu desde o início?
Se elas são esplêndidas, isso se deve a Licínio Souza, que foi quem as materializou. Eu apenas lhe passei o briefing dos desenhos e ele fez o melhor que pôde. E o melhor dele é muito bom. Inclusive, nesse momento, ele está desenvolvendo a página inicial do site do "Os Reis do Rio".

Enquanto a história do "Aura 1" amadurecia na minha cabeça, imagens iam surgindo, cenas-chave. Elegi as que melhor representavam o livro e conheci o Licínio. Aí pronto.

Devido a sua formação acadêmica, você apontaria algum erro em especial no mercado editorial brasileiro em geral?
Parece que há certo receio, um tanto estranho, sobretudo por parte das grandes editoras, em se lançar autores nacionais do gênero especulativo. Creio que já passou da hora de diminuir a quantidade de best-sellers traduzidos e apostar mais na galera daqui que, creio eu, tem mais potencial para escrever coisas interessantes para nós, brasileiros, que estrangeiros. Obras que podem ter argumentos de venda muito melhores que "não-sei-quantos milhões de livros vendidos nos EUA", ou algo do tipo. Essa premissa, "vendeu bem lá, vai vender aqui", já está batida, além de já ter demonstrado ser, em inúmeros casos, equivocada.

É certo que, com esses blockbusters literários, as grandes brasileiras tem o seu garantido (também, pudera, investem pesado no marketing dessas obras). Porém, elas precisam arriscar mais. É preciso que surjam novos Viancos, ícones tupiniquins que alavanquem o mercado e sirvam de inspiração para novos autores tupiniquins. Seria algo extremamente benéfico para o mercado editorial brasileiro.

Há editoras de portes menores, como a Draco e a Tarja Editorial que, nesse sentido, estão muito à frente das grandes. Sabem do nosso potencial e apostam mesmo, e de forma honesta, em brasileiros. Não só isso. Pelo que ouço, tem um forte desejo de transformar suas obras em marcas lucrativas, estampando-as nos mais diversos produtos. Ou seja, possuem uma visão de negócio mais ampla, não se esforçam apenas para vender livros, e sim para estarem inseridas na indústria do entretenimento de uma forma geral. É assim que tem que ser. Bato palmas e desejo boa sorte para elas.


Aura de Asíris – A Batalha de Kayabashi

Há séculos, banshees e furous guerreiam ao norte de Asíris, mundo governado por uma avançada tecnologia e permeado por uma energia chamada Aura. Apesar dos banshees terem vencido a maior parte das batalhas, algo está para mudar.
Uma antiga lenda, que prevê o nivelamento de forças entre as duas raças e, consequentemente, o fim desta que é conhecida como a Grande Guerra, aparenta ser verdadeira quando os furous inexplicavelmente se tornam mais poderosos e capazes de derrotar seus inimigos pela primeira vez na história.
A partir daí, uma batalha sem precedentes eclode em uma região conhecida como Deserto de Kayabashi. Neste cenário de tensão e expectativa surge Yin Ashvick, um menino de doze anos que pode ser a única esperança de todos. Ele terá que enfrentar uma longa e perigosa jornada, a qual colocará à prova sua coragem, altruísmo e determinação.
Para isso, terá a ajuda de seu mestre, Hanai Ashvick, o general do exército banshee, Irwind Heatbolth e outros personagens bastante carismáticos. Cada um terá que encarar seus piores temores para descobrir a verdade por trás da onda de terror que assola sua terra e pôr fim na grande ameaça que se aproxima.

Para comprar o livro por R$ 29,00, incluindo envio, autógrafo e dedicatória, é só entrar em www.auradeasiris.com/comprar.html e seguir o passo-a-passo.
Editora Isis
http://www.auradeasiris.com/

Luís Delgado

AAAAAção

Contar histórias através de palavras é uma arte cheia de nuances, uma que vamos falar hoje é sobre narração de movimento. Se você escreveu, ou está escrevendo um livro onde há muita ação, talvez com batalhas épicas ou quem sabe tiroteios, você sabe exatamente do que estou falando. Como descrever uma briga num bar, por exemplo, de maneira mais descritiva?
Roteiristas são experts nisso. Como o cinema era mudo no início, toda sua essência se baseia na ação, os personagens são o que fazem, não o que dizem. O diálogo não é extenso, só se diz o essencial para revelar os personagens e levar a história adiante. Trata-se de um mundo onde a trama é contada em imagens.
Você pode perfeitamente narrar combates, fugas, entre outros, sem ter tido qualquer contato com o mundo do roteirismo, talvez aprenda muito com livros de fantasia. Mas a dica hoje é sobre uma nova experiência!
Estudar roteiro, ler alguns e até mesmo escrever os seus, mesmo que poucas páginas, duas ou três, pode ser até deixando de lado a formatação e o modo de escrever que essa arte exige. A questão é que após você passar por essa abordagem vai voltar à literatura com uma visão ampliada, pois no cinema os personagens têm de ser muito bem definidos, as falas precisas, a trama cadenciada, portanto, se após estudar um pouco você conseguir conciliar o aprendizado com a narrativa literária, perceberá o quanto aprimorou sua descrição nos movimentos, a profundidade das falas, não é preciso abrir mão de nada no seu estilo, nem mesmo fazer correções, apenas acrescentar. Você estará ampliando sua gama de conhecimentos no mundo da escrita, se capacitando em mais uma profissão, além de expandir sua visão de mundo. Aproveite!
Sucesso!
Luís Delgado

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ronaldo Luiz Souza

No Literária 15 de hoje recebo meu grande amigo Ronaldo Luiz Souza. Um escritor de um talento profundo, capaz de alcançar a essência das palavras, o sentido das mensagens, de maneira esplêndida e compreensível. Em sua nova obra, o autor passa mensagens diretamente à alma do leitor, com uma simplicidade de enorme estética, capacidade admirável.

Mas para quem pensa que o escritor experimenta apenas uma linha narrativa, um gênero literário, personagens semelhantes; se engana, Ronaldo vai além, com inúmeras participações em antologias, confirma sua diversidade com contos de suspense, terror, além de poesias e outros.

Ronaldo é uma das revelações literárias do nosso tempo, com uma mensagem ao mundo, com ensinamentos para a humanidade e sem contar um estilo capaz de motivar o leitor para sempre.

Participações
Assassinos S/A, Contos de Outono, Dias Contados, Enigmas de Amor, Invasão, entre outros que você pode conferir no site do autor.

Em Raízes e Asas você projeta, de uma maneira brilhante, os anseios humanos em dois peculiares seres, um pássaro e um pinheiro. Como foi essa adaptação?
Ela foi concebida através de visões fragmentadas da história, que foram surgindo e se completando como um quebra-cabeças, e que descobri, buscavam dar respostas às questões que me incomodavam há anos: nas esquinas da vida, quando temos de escolher um caminho, sabendo que da escolha feita, abandonamos outros, e às vezes até mesmo queimamos as pontes que nos permitiriam regressar, e que mesmo o caminho escolhido à frente pode ou não ser o melhor caminho, o que fazer, como decidir nossas escolhas? Ir ou ficar? Em Raízes e Asas, de forma lírica e poética, os personagens aprendem que o melhor caminho é aquele em que trilham seus sonhos e que somente neste caminho desenvolvem sua plenitude e são verdadeiramente felizes.

Há uma linha espiritual na história de Raízes e Asas. Existe na obra uma proposta de convidar o leitor a um outro caminho na vida, talvez bem mais alternativo do que o comum?
A questão existente no livro é bem mais reflexiva, embora esbarre na espiritualidade dos personagens. A história propõe que decisões sejam o resultado de reflexões conscientes e que a felicidade é encontrada na realização de nossos sonhos e construída de forma cooperativa. Somos parte de um planeta e uma sociedade. Não estamos sós. Nossos cientistas já descobriram que a teia da vida é muito mais complexa do que imaginávamos. Precisamos evoluir como espécie e como indivíduos. Não há mais espaço para o egoísmo, a violência e o capitalismo selvagem, depois que descobrimos que, de fato, colhemos o que plantamos (seja a radiação das bombas lançadas, o efeito estufa decorrente do desequilíbrio que provocamos no planeta, a corrupção decorrente da Lei de Gérson, a infelicidade social resultante da massificação excessiva, ou mesmo a destruição pessoal através do consumo de drogas). Nossas ações, conscientes ou não, refletirão em nossas próprias vidas. É preciso que estejamos conscientes e preparados para suportar as consequências de nossas decisões.

Até que ponto há uma projeção sua nos seus personagens em Raízes e Asas?
Um escritor, por mais que se esforce no contrário, sempre deixará passar algo pessoal para uma história que escreve. Em Raízes e Asas, respostas às questões referentes às consequências de nossas escolhas, foram a elaboração final às minhas angústias pessoais. Quanto à pergunta anterior, no tocante à espiritualidade dos personagens, eu diria que ela foi derivada da própria situação que vivenciaram. Porque desenvolveram uma forte esperança, fé e crença em um criador, resultante do fato de se conscientizarem como indivíduos, de seu mundo, e da necessidade de ultrapassarem suas próprias limitações e realizarem seus sonhos.

Tendo participado também de antologias do estilo "Assassinos S/A" e "Poe 200 anos", você se considera um escritor eclético? Tem um gênero preferido?
É muito bom para um escritor variar seus temas porque assim é capaz de uma maior apreensão da realidade, e isto se refletirá em textos mais coerentes e maduros e em personagens melhor elaborados. O importante para mim, quando busco escrever algo, é estar em sintonia, sentir uma forte conexão com o projeto que será desenvolvido. Senti isto, em variados graus, nas antologias em que participei. Ecléticos, acho que somos todos, afinal não vivemos exclusivamente de algo... temos muitos interesses, afinidades e desejos. Daí resulta que quando deixamos a imaginação fluir, podemos construir qualquer tipo de texto. Meu gênero preferido sempre foi e é a Ficção Científica. Minha participação na Série de antologias Solarium, da Editora Multifoco, deriva daí, (Publiquei o conto Globus-5 – A descoberta de um novo mundo no volume I, A Ascensão de Maya no volume 2, e em breve será publicado no volume 3 o conto O Peso de nossas Escolhas), bem como meu conto Reminiscências de um Mundo Verde inserido em Paradigmas 3, e O Fruto ausente de vosso ventre, publicado em Cyberpunk, ambas antologias da Tarja Editorial. Tenho o projeto de um livro de FC esperando para ser escrito. Ele ainda virá. Mas, no momento, há outros projetos na fila de prioridades.

Conte-nos sobre a experiência com as antologias das quais participou. Escreveu por convite, em outras já tinha um conto pronto, enfim, relate-nos sobre o processo.
Por incrível que pareça, eu não tinha nenhum conto pronto quando ficava sabendo das antologias. Todas me pegaram de surpresa, e tive que desenvolver cada conto focado unicamente nas propostas do(s) organizador(es). Isto foi bom porque fez com que eu trabalhasse a criatividade e mergulhasse em diferentes oceanos literários em busca de uma boa história que merecesse ser contada. Na maior parte das vezes fui pesquisando uma ou outra antologia, fui convidado para algumas (não formalmente) e concorrendo a vagas em outras, tendo o conto passado na peneira literária de alguns organizadores. Sim, porque alguns organizadores são rígidos quanto à qualidade dos textos que aprovam. E quanto mais o são, melhores as chances da antologia ter sucesso no meio literário.

Há entre seus contos alguns que considera antagônicos quanto a temática, linha narrativa, ou qualquer outro aspecto?
A questão do antagonismo é interessante. Porque quando algo é antagônico podemos utilizar para aprimorar ainda mais a criatividade em um conto. Posso citar, por exemplo, o conto Relato aos Incrédulos, publicado em Dias contados – Contos sobre o fim do mundo, da Andross Editora. Ora, todos os contos ali versam sobre o fim do mundo e Relato aos Incrédulos, meu conto ali publicado, não é uma exceção. Entretanto, na própria concepção do conto foi antagônica: é sobre o momento final do personagem e do mundo, e nele há a semente da renovação, da perpetuidade do mundo, lançada num retorno ao tempo, onde ainda era possível fazer algo para evitar o fim. Então gostei bastante do conto, porque mistura de forma harmônica conceitos contrários entre si. E com isto também nos alertou sobre a questão ambiental. Aconteceu também em A Árvore dos Malditos, na antologia Réquiem para o Natal, também da Andross. Os contos ali são todos de terror natalino. E no meu conto, estes elementos estão presentes, mas ao final, o personagem principal ainda que parcialmente embrutecido, ainda carrega dentro de si a humanidade, o respeito à vida e a busca pelo bem como seu propósito final.

Com que olhos você enxerga o papel das editoras no momento atual da Literatura Brasileira? Diante desse BOOM de publicações, parceiras, em parte desiguais, ou continuam seu papel de sempre?
Acredito que o papel das editoras é dar voz aos autores, sejam eles escritores novos ou já estabelecidos no mercado, e aproximá-los de seu público, através do lançamento de seus livros.
Infelizmente, algumas vezes por miopia, outras por buscarem lucro rápido, as grandes editoras lançam, em grande parte, apenas best-sellers estrangeiros. Entretanto, ainda que de forma muito lenta, podemos ver que alguns autores brasileiros aos poucos estão conseguindo ser publicados pelas grandes casas. Quase sempre depois de já terem garantido um grande público.
Podemos ficar felizes porque a proliferação de pequenas editoras tem ajudado os novos autores a se exporem no mercado, ainda que timidamente, gerando uma renovação no meio literário. Nós mesmos precisamos passar a ler mais autores brasileiros. Primeiro por que temos bons autores, que têm algo a nos dizer de forma mais familiar, porque estão inseridos em nossa própria cultura. Segundo porque em alguns casos, os autores brasileiros superam os estrangeiros em criatividade. Tenho comprado vários livros de amigos escritores. Por curiosidade literária e também para fazer girar as engrenagens do meio literário: quanto mais os autores nacionais forem lidos, mais se abrirão as portas para eles. E isto é bom para todos no Brasil: leitores, escritores e editoras. Criando um grande mercado para nossos escritores teremos muito mais aceitação também em outros países. E poderemos ver muitas obras adaptadas para outras mídias, como o cinema.



Raízes e Asas
Um pássaro migratório em busca da sabedoria. Um pinheirinho solitário em um vale deserto. Estes são os personagens desta cativante e envolvente estória que nos revela a essência de verdades universais e nos desperta para a preciosidade da vida, da alegria e do amor.
Uma estória simples, contada de forma a cativar milhares de leitores ao redor do mundo. Uma estória que espelha nossas mais profundas dúvidas e nos lança a uma reflexão íntima sobre nossas vidas, nosso ontem e nosso amanhã, aproximando-nos da sabedoria e da arte da liderança, da liberdade e da conquista de um sonho.


Livro Raízes e Asas - A busca pela Sabedoria do Caminho, Usina de Letras, 2010
Nome como assina a obra: Ronaldo Luiz Souza
O livro Raízes e Asas está disponível para compra nas seguintes livrarias:
Livraria Saraiva
Livraria Cultura
Livraria Travessa
Livraria Siciliano
Livraria Fantástica
Livraria Loyola
- Também pode ser adquirido na Editora Usina de Letras
- Ou também diretamente com este autor (autografado) através do e-mail rolusouza@gmail.com


Luís Delgado

Artigolândia

Vamos falar a verdade, o que existe de blog sobre determinada obra literária não ta no gibi. E isso é bom! As facilidades da internet, os autores modernos ao lançarem suas obras literárias, quase em sua totalidade, criam um blog sobre o livro, com promoções, resenhas de fãs, links, entrevistas e tudo mais; esse é um excelente método de informar os leitores sobre seus livros, aprofundarem o tema e tornar a obra mais conhecida e atrativa.
Porém, existe uma nuance muito interessante nesses blogs, o livro tem um enredo, trata de um ou mais assuntos, às vezes temas polêmicos, teorias da conspiração, entre outros.
Muitos autores enxergam no background da obra uma oportunidade para discutir o assunto além da trama. São dezenas de artigos escritos para embasar, dar uma visão maior, mostrar traços relativos com a realidade, criar marketing, manter o tema em rotatividade, enfim, escrever artigos relativos ao assunto principal do livro em seu blog é com certeza uma tendência muito positiva.
Suponhamos uma obra de ficção que tenha como pano de fundo os OVNI’s. Quanta coisa não há para se pesquisar e discutir com os leitores! O autor poderia expor artigos sobre o mistério militar, as opiniões de pesquisadores famosos, além de vídeos e links, tudo isso manteria o site atualizado assim como o espaço do livro na web, pense bem, essa é uma oportunidade de enriquecer a história de maneira espetacular.
Consideremos também que isso mantém você na “escrita”, se aperfeiçoando, e pode até chamar a atenção de uma Revista ou Jornal, abrindo assim as portas para você se tornar um colunista e ainda ser reconhecido como um especialista no assunto. Lembrando ainda de quanto isso não ajudará na divulgação do seu trabalho.

Sucesso!
Luís Delgado

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Nelson Magrini

No Literária 15 de hoje recebo meu grande amigo Nelson Magrini. Um autor cuja narrativa pode levá-lo do terror ao humor dentro de uma mesma obra de um modo impressionante. Nelson já passou por diferentes editoras, publicou suas próprias obras e participou de antologias também. Tem uma bagagem incrível, muito a ensinar e a encantar com suas histórias tão marcantes.

A maioria de seus livros tem como pano de fundo o terror, mas como disse anteriormente, ele não é autor de uma tônica apenas, em seu mais recente trabalho, Os Guardiões do Tempo, elenos leva a uma viagem através de uma trama futurista, com ares científicos, doses de humor, sempre com muita propriedade em relação ao que narra.

Dentro da Literatura Fantástica, ou do gênero chamado Realidade Fantástica, Nelson é um nome forte, com marcante presença em projetos pela web, blogs, parcerias, entre outros. Tendo participado de Bienais e dialogando sempre com muitos autores hoje conheceremos um pouco mais sobre obras e visões sobre a Literatura Contemporânea desse grande autor.

Em sua obra "Anjo, A face do Mal", você propõe de um modo empolgante uma análise sobre a contestação das crenças. Até que ponto você esboçou sua opinião, totalmente, ou apenas quis propor uma profunda reflexão?
Olá, Luís. Primeiramente, é um prazer está aqui para esta entrevista. Em relação à pergunta, como não sou dado a crenças, crendices, lendas, etc, posso afirmar que a contestação que aparece na trama reflete minha opinião pessoal. Todavia, uma coisa leva à outra, ou seja, como sempre que possível, gosto de fazer meus leitores pensarem, e com o exposto na obra, de certo modo, abro portas para que cada um faça uma reflexão sobre suas crenças pessoais, as crenças difundidas pelo mundo como verdades intocáveis e imutáveis, e que para milhares de pessoas pelo planeta, regem suas vidas. Curiosamente, quase ninguém se dá conta da influência que tais escritos, histórias, mitos, atos de fé provocam em uma esmagadora parcela da humanidade, e ainda assim, por sua própria natureza, atribuída de dogma sagrado, não é admitida nenhuma contestação. Isso, para mim, é a antítese da evolução, uma verdadeira estagnação intelectual e cultural.
Apesar de ter minha opinião própria quanto às religiões, não deixo de admitir que qualquer um tem o direito de acreditar naquilo que queira. E digo mais, se aquilo em que as pessoas acreditam faz bem a elas, que continuem a acreditar, isso não é o problema. Isso é o que se chama da verdade de cada um, mas para aqui. A verdade de cada um é tão somente isso; ela é sagrada para o indivíduo que a tem, mas não necessariamente para os demais, alias, para muitos, nem verdade é.
O mal é querer impor uma verdade como absoluta e que todos devem aceitar sem contestação. E isso vale não só para crenças, mas para qualquer tipo de opinião pessoal.
Talvez, minha vontade de fazer meus leitores contestarem, raciocinarem vem exatamente da falta desse senso crítico, cada vez mais agudo no mundo. Apesar de estarmos no século 21, no início de um novo milênio, e com tantos feitos magníficos, em todas as áreas do conhecimento humano, alcançado pela Ciência, vivemos, mais do que nunca, em uma era de “achismos”, onde é mais fácil achar e fim; escutar o que alguém disse e fim, do que procurar e pesquisar o conhecimento.
Se meus livros, sempre que possível e dentro do contexto da obra, puderem contribuir para que as pessoas, cada vez mais, contestem as “verdades gratuitas”, ficarei muito satisfeito. Mas deixo claro que, minha primeira intenção é entreter.

Em Amor Vampiro, você e outros autores se debruçaram sobre uma estrutura de contos de terror magnífica, onde seu conto Isabella recebeu o apelo dos leitores para se tornar um livro. O conto foi escrito para antologia especificamente ou ele já existia? E como foi receber esse carinho do seu público?
A recepção de Isabella foi extremamente gratificante. Eu mesmo me apaixonei pela personagem e tinha idéia de aproveitá-la de modo mais amplo. Com o tempo, muitos leitores com quem eu conversava, invariavelmente acabavam me dizendo que eu deveria fazer um romance solo para Isabella e, com o tempo, comecei a amadurecer a idéia. Embora no momento, tenho de me dedicar a outros projetos, Isabella está longe de ser esquecida e espero em breve começar a desenvolver seu livro, do qual já tenho o prólogo e parte do início já escrito.
Em relação à personagem e ao conto, ambos foram criados para a antologia e é curiosa a forma como tudo se desenvolveu. Cada autor apenas sabia do tema, Amor Vampiro, do número limite de páginas, e de que seria um livro para adultos, portanto, cenas mais ousadas estavam liberadas. E a editora não nos deixou ver os contos dos demais, somente após o livro publicado.
Independente disso, eu imaginava como seriam as tais cenas ousadas e picantes dos demais, e não errei, como pude constatar. Por meu lado, tendo isso em mente, queria algo mais ousado que os doutros, mas sem cair na baixaria explícita. Em pouco tempo, cheguei aos parâmetros que desejava, e aí, a tarefa agora era como montar tudo isso.
Assim que comecei a escrever, percebi que estava tudo errado. O desenvolvimento da trama, o tom da linguagem e mesmo, a minha escrita. O curioso é como tudo se encaixou de vez. A trama começa da maneira mais direta possível e de cara, um mistério. O tom se torna como uma fotografia com nuanças góticas, e a escrita, quase por si só, toma essa imagem para si. O conto traz uma maneira de escrever que eu nunca havia tido antes, e faz um harmônico com as ações e mesmo, as palavras e frases escolhidas.
Em relação ao erotismo mais explícito, ele aparece apenas ao final. Não queria algo devasso, sexo por sexo. Como sempre, para mim, tem de estar no contexto da trama e, em Isabella, é o cume de uma esperança e redenção.
A ousadia está lá para que puder perceber, e melhor ainda, não é gratuita. Isabella é, e continua sendo uma vampira; não teria sentido ela se privar de experimentar o que fosse por pudor. Ela até pode não gostar de variações sexuais, mas seria, então a opinião dela, nunca pudor ou falso pudor.
Por hora não sei se seu livro solo terá tal carga sensual e erótica, mas em se tratando de Isabella, desconfio que tenho bem pouco controle sobre o que ela deseja ou sente. Somente quando me sentar e escrever é que irei saber. Isabella é assim, mistériosa do começo ao fim.

Relâmpagos de Sangue é um terror com uma ênfase maior no psicológico dos personagens? O enxerga como um livro onde você foca mais nesse aspecto do que na ação, diferentemente de Os Guardiões do Tempo?
Relâmpagos de Sangue é, sem dúvida, meu livro mais assustador, comprovado por seus leitores. Ele não deixa de ter ação, quem o leu sabe bem disso, mas o peso dos sentimentos e conflitos pelos quais passam os personagens centrais e alguns outros, dão a tônica, tornando-o extremamente denso, angustiante e, por que não, de dar medo. Aquele leitor que costuma entrar dentro das histórias que lê, em Relâmpagos de Sangue, sem dúvida passará a vivenciar o drama experimentado por seus personagens, e é o que exatamente dá a conectividade entre a leitura e os possíveis sustos ou medos que a trama acarreta. Seguramente, nesse sentido, posso dizer que ele é o oposto de Os Guardiões do Tempo que, apesar de trazer meus elementos de mistério, suspense e, neste caso, uma pitada de terror, é uma leitura bem mais descontraída, com muita aventura e humor.
Curiosamente, gosto da tônica de ambos, porém tenho uma tendência maior a escrever livros no estilo de Relâmpagos de Sangue.

O Portador da Luz muitaz vezes expõe o social de uma maneira bem real. Até onde você acredita no poder do gênero "fantástico" de transformar a realidade pela ficção através da leitura?
A idéia de O Portador da Luz nasceu para ser um livro. Depois, foi transformado em conto, para uma coletânea que nunca aconteceu. Quando da inauguração do Fontes da Ficção, onde os mantenedores se revezariam em postar textos, resolvi desenvolver um pouco mais e criar uma minissérie, para publicá-la em partes, e foram dez partes.
Sem dúvida, pela tônica da história, procurei apresentar o social de maneira bem realista, pois isso daria credibilidade à trama, e aqui entra a sua questão.
Claro que eu acho que o fantástico tem força de transformar a realidade, desde que ele consiga passar uma crítica, ou como mencionei antes, consiga fazer o leitor questionar algo, desde que tal se encaixe no texto. Isso é importante pois, caso contrário, seria apenas panfletagem, algo que não resolve nada.
Vemos no Brasil, e mesmo no mundo, milhões e milhões de pessoas dando verdadeiras fortunas mensalmente a grupos cada vez mais radicais e fundamentalistas. Do que são capazes tais pessoas? Até onde elas iriam em suas convicções e na crença sagrada de que todos deveriam se curvar a elas? O Portador da Luz apenas eleva tais questões um patamar acima. Loucos existem em todos os lugares, não necessariamente apenas entre políticos e governantes, como visto ao longo da História. Alguém seria capaz de antecipar o que tais pessoas poderiam fazer? Talvez a ficção acabe sendo um alerta para fatos que, esperamos, jamais aconteçam.

Os Guardiões do Tempo possui incríveis doses de humor. Foi uma aposta nova sua, ou já fazia parte do seu estilo literário inclusive em obras de terror?
Minha idéia sempre foi escrever mistério, suspense e terror. O que poucos sabem, é que Os Guardiões do Tempo foi meu segundo livro escrito, imediatamente antes de ANJO A Face do Mal, meu primeiro publicado. Nessa época, acabei por enveredar por dois livros mais voltado ao público infanto-juvenil, embora procurando agradar a um público de todas as idades. O humor veio de maneira natural, se mesclando à aventura e, óbvio, ao mistério e suspense.
Curiosamente, em ANJO A Face do Mal há um capítulo onde duas entidades se encontram no Inferno, que acabou sendo muito engraçado. Isso não foi planejado, tipo, “ok, agora vou colocar um pouco de humor na história”. Não, se deu de maneira espontânea. Analisando depois, creio que tal se deveu às personalidades dos dois personagens, birrentos e brigões, embora extremamente simpáticos em si.
Uma leitora, que já havia lido ANJO, e em seguida, leu Relâmpagos de Sangue, viu um certo humor, logo no comecinho da trama, nas agruras do personagem Ademir, às volta com uma tremenda enxaqueca e um congestionamento monstro no estacionamento do prédio o qual ele comandava. Eu só percebi este lado, após o comentário dela, mas se de fato é algum tipo de humor, também foi totalmente involuntário.
A princípio, não tenho essa proposta em mente, salvo para livros similares a Os Guardiões do Tempo. Contudo, creio que somente escrevendo para ver se pinta algum humor ao redor do mistério e terror.

Você já havia experimentado escrever tramas com passagens futuristas como em Os Guardiões do Tempo? Como você construiu sua visão de futuro para essa obra? Nunca havia escrito nada no estilo, embora sempre fui um devorador de livros de ficção-científica, o que certamente me auxiliou. Como sempre digo, um bom escritor é, antes de tudo, um leitor compulsivo.
Em relação a minha visão de futuro, creio que é um todo que foi crescendo desde os tempos que comecei com a ficção-científica, sendo influenciado por muitos e muitos cenários. Obviamente, essa visão não é única ou estanque, ou seja, posso criar um futuro devastador, se assim algum novo projeto o exigir, afinal, o futuro é aberto a inúmeras possibilidades.
Um detalhe que me lembro é que, na época em que escrevia Os Guardiões do Tempo, aconteceram os atentados de 11 de setembro, em Nova York, e o absurdo daquela situação me influenciou a mostrar um futuro sem dogmatismos ou fanatismo religioso. Deixei claro que as crenças ainda existiam, algo que eu não precisava fazer, mas preferi mantê-las, deixando-as, apenas, a nível pessoal, ou seja, desaparece o fundamentalismo e a intolerância. De resto, todo o demais construído foi obra de minha imaginação, como se deu com a unificação de territórios, economia, línguas, etc.
Como conheço bem a minha imaginação, possivelmente, em um novo projeto dentro desse tipo de trama, devo mostrar um futuro bastante diferente, vamos ver.

A internet possibilitou ao ser humano criar espaços de divulgação de alcances inimagináveis antes, permitindo a muitos serem conhecidos, e derrubando muitos grupos seletos. Seus livros têm uma forte presença em blogs e mídias sociais. Como você vê e interage com essa revolução da nossa época?
Eu vejo com os melhores olhos possíveis. Hoje, é praticamente impossível de se pensar na vida moderna sem internet. Antes mesmo de falar de divulgação, a internet traz conhecimento farto de maneira fácil. Seu grande problema, muitas vezes, é como o usuário faz para filtrar a qualidade da informação. Infelizmente, em meio a conhecimento farto, há montanhas de asneiras, também.
Deixando isso de lado, a internet muito facilitou as pesquisas necessárias a qualquer autor. É por demais fácil acessar dezenas de informações sobre um país, sobre determinada polícia, escola, museu, ou o que seja. Os mais variados cenários e estruturas estão a um clic.
E se isso ajuda muito na composição de obras, na divulgação, nem se fale. É um meio fácil, onde qualquer autor pode se fazer conhecer, bem como ao seu trabalho. Na maioria das vezes, para autores iniciantes, a internet possibilita seu primeiro contato com os leitores. E não deixa de ser diferente com autores já mais conhecidos; este é um meio de comunicação indispensável a qualquer um.
De minha parte, além de meu blog, NELSON MAGRINI – OFICIAL ®, http://nmagrini.blogspot.com/ , onde sempre posto fotos de eventos que participo, também sou criado e mantenedor, juntamente com os escritores J. Modesto e James Andrade, do Fontes da Ficção, www.fontesdaficcao.com.br , o qual está no aguardo, por hora, pois irá se transformar em um dos maiores portais de Literatura Fantástica do país.
Fora isso, participo de redes sociais como o Orkut, http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=6637510294845515276&rl=t ; o Skoob, http://www.skoob.com.br/usuario/22901 , onde conheci muitos leitores, principalmente em encontros que organizamos; e o Twitter, https://twitter.com/NelsonMagrini , embora nem sempre me sobre tempo para visitar regularmente todos eles.
Mas internet é isso, estar conectado a cada segundo com os leitores, sempre que possível.

Para finalizar, Luís, mais uma vez agradeço a oportunidade de estar aqui, junto a todos que nos acompanham. Para quem quiser manter contato, basta me escrever em nelson_magrini@yahoo.com.br .

Obrigado e abraços!


Os Guardiões do Tempo

Diferente de meus demais trabalhos, este é uma fantasia de ficção voltada para todas as idades, com muita aventura e uma boa dose de humor. Dois amigos de 13 anos, Duda e Rogério, e a irmão de Duda, Ciça, de 12 anos, embarcam em uma ventura através do Tempo e do Espaço, viajando a mais de 1.600 anos no futuro. Tendo os lugares mais exóticos da Via Láctea por fundo, os garotos têm de solucionar um mistério, encontrar uma máquina singular, escondida por seu inventor, através de pistas espalhadas pela galáxia. Resolver tal enigma é a única esperança para salvar a Terra e todo o seu Império Galáctico.
Apesar do público alvo abrangente, Os Guardiões do Tempo conta com os tradicionais elementos de mistério, suspense e, neste caso, uma pitada de terror na dose certa. Com leitura ágil e ritmo incessante, é garantia de boas horas de diversão.

Giz Editorial 2009
Os livros podem ser encontrados em livrarias reais ou virtuais. Além disso, o autor faz venda direta aos leitores, com exceção de Amor Vampiro, com direito a autógrafo e dedicatória. Os livros possuem descontos e são acrescidas as despesas de Correios. Interessados devem contatar via meu e-mail: nelson_magrini@yahoo.com.br
http://www.fontesdaficcao.com.br/
http://nmagrini.blogspot.com/

Luís Delgado

Cyber Parcerias

Navegando pela net, uma característica forte que se percebe, principalmente nos blogs, são as parcerias. Vou chamá-las aqui de Cyber Parcerias devido ao foco na rede, até por que, parcerias comerciais existem não é de hoje.
Isso mesmo, comerciais, você monta um blog para divulgar sua obra, ou talvez até mesmo o blog seja uma obra literária disponibilizada na rede, e um grande meio para potencializar esse produto, essa ideia, que você está lançando é contar com a ajuda de terceiros.
Existem grandes parcerias, e de vários tipos, e existindo ou não um movimento financeiro em torno dos envolvidos, elas são necessariamente comerciais no sentido de aumentar a visibilidade de algo a ser apreendido, no nosso caso obra literária.
Muito bem, passada a parte em que falamos sobre sentido e aproveitamento, vamos nos concentrar nos tipos de parcerias, especificamente financeiras e não-financeiras.
Ambas se estabelecem com uma propaganda no blog, geralmente um banner, relativo à livrarias, editoras, tipos de imprensa, entre outros. Um caso que podemos usar para descrever claramente o tipo financeira é quando seu blog é um verdadeiro sucesso, aí uma editora paga para você colocar um banner dela no seu espaço, que é um link, e paga por cliques como tem sido frequente ultimamente, ou estabelece previamente um contrato determinando um período de propaganda e o valor a ser pago independente dos acessos através do seu espaço na net. Poderíamos falar também na questão de outros autores que lhe enviam livros para você organizar sorteios, é financeiro no sentido que pagaram pelo serviço com produtos, livros, ou ainda que lhe outorgam o direito de vender obras deles e pagam uma comissão por isso.
Quanto ao tipo não-financeiro podemos destacar o trabalho de amigos escritores, por exemplo, dois autores donos de blogs, onde em um há propaganda do blog do outro, sem nenhuma remuneração por isso. É bem comum esse tipo de parceria. Posso citar o Literária 15, que promove autores nacionais sem cobrar nada por isso, e ao terminar a entrevista, quando o autor divulga sua entrevista, divulga não só o blog, mas como os outros autores que já foram entrevistados, assim como eles também o divulgam ao divulgarem suas entrevistas.
Mergulhe nessa possibilidade, procure parceiros compatíveis, analise propostas, veja o que vale a pena, pesquise bastante e monte suas parcerias, você vai ver como isso pode não só aumentar o número de seguidores e visitantes do seu cantinho na net, como também, pode fazer seu livro alçar voos cada vez maiores. Lembrando que os parceiros na net, podem ir e voltar, você dá a tônica da parceria e decide quando encerrar.

Sucesso!
Luís Delgado

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Alfer Medeiros

No Literária 15 de hoje recebo meu grande amigo Alfer Medeiros. Um autor que assim como muitos que já passaram por aqui é um grande apaixonado por todas as vertentes da cultura, música, cinema, quadrinhos e não deixando de lado é claro a Literatura.

Com uma formação eclética, o autor conseguiu converger toda essa gama cultural para sua obra, tal qual um alquimista ao combinar diferentes elementos, Alfer revela ao longo de sua obra a união dos diferentes tipos de arte. O que vai além de sua obra e pode ser visto também em seu blog.

Com o incrível dom de produzir textos profundos, sua obra em poucas palavras já nos leva a um ambiente rico de detalhes, surpreendente, envolvente, onde o leitor se sente na pele do personagem, respira como ele, sente como ele, mostrando assim a imensa qualidade da forma.

Trecho
A noite é escura em Joanópolis. Uma leve neblina escorre por entre as árvores e cobre a vegetação rasteira. Em meio à mata isolada, nada se move, nenhum som é ouvido. Parece que toda a floresta parou, demonstrando respeito e temor às criaturas que andam à solta por ali. Em um ponto de difícil acesso, cinco membros da alcateia iniciam o ritual. Rui, Júlia, André e Lucinda estão sentados, na forma de lobisomens, cada um assumindo a posição de um ponto cardeal, formando uma espécie de círculo, com as costas voltadas para o centro. Nesse centro está Caroline, de pé, vestindo um manto cinza. Outros membros circulam pelas redondezas, garantindo a privacidade e a segurança das quais a situação necessita.

Você é declaradamente um apaixonado pelo mito do Lobisomem, e tal mito tem muitas vertentes. Qual tipo de lobisomem você destacou mais? O clássico, científico, ou uma concepção pessoal?
Os lobisomens de Fúria Lupina são uma mistura de tradicionalismo e propostas novas. Procurei abordar os diversos mitos que envolvem esse tipo de criatura, desde o nascimento do sétimo filho até as famílias licantropas, onde o dom é passado pela linhagem. A relação com a natureza dos lobos também é forte, existindo diversas raças desse animal compondo o comportamento e as características dos lobisomens, inclusive a questão da hierarquia nos grupos (alfa, beta, ômega). Outra variação importante é o grau de raciocínio lógico e autocontrole quando estão na forma lupina, onde cada indivíduo apresenta um nível distinto. Como também existe um lado humano, é abordada a questão dos conflitos internos de cada pessoa, pois o que para um é um dom maravilhoso, pode ser uma terrível maldição para outro.

Fúria Lupina Brasil vai além do entretenimento com maestria. Como foi adequar uma linha filosófica na figura de uma fera tida na ficção, muitas vezes, como irracional?
Eu encaro a figura do lobisomem como algo que vai muito além de uma simples besta descontrolada. Se pararmos para pensar, trata-se de um reflexo da dualidade humana, a eterna luta entre instinto e razão, o conflito entre o "eu quero" e o "eu posso". Os lobisomens de Fúria Lupina são, em sua maioria, pessoas imunes à demagogia imposta pela sociedade, são seres realmente livres. Eles não descartam simplesmente a fragilidade do corpo humano quando se transformam, mas também suas incertezas, ambições, preconceitos e falsidades. Nesse livro, é levantada uma questão importante: quem é o maior predador do planeta, o ser mais destrutivo? Não estranhe se, depois de conhecer os caçadores de lobisomens do enredo, você começar a torcer pelos lobos!

Há muitas vertentes artísticas na concepção da obra, como você mesmo citou, literatura, música, cinema, quadrinhos. Até que ponto essas vertentes estão impregnadas na essência, nas atitudes e anseios dos personagens? Eles manifestam seus gostos, ou as outras artes influenciaram mais a narrativa?
Eu fiz questão de rechear a trama com as mais variadas referências, que foram surgindo naturalmente durante o processo de composição. Elas vão surgindo no texto de diversas maneiras, nos diálogos dos personagens, no texto do narrador ou compondo os cenários. Posso citar exemplos: existe um momento na história em que dois personagens importantes acabam se conhecendo no show da banda sueca Opeth, que acontreceu de verdade em São Paulo em 2009. Em outro trecho do livro, um personagem conta a mesma piada que aparece no filme Cães de Caça (Dog Soldiers). E assim segue durante todo o livro, onde as referências vão surgindo repentinamente, algumas bem óbvias, outras mais sutis.

A trama possui uma tendência de avançar até uma terceira obra. Como é lidar com essa expectativa de trilogia ao mesmo tempo em que tem de acompanhar o ritmo de uma editora?
Durante a concepção do texto, muitas ideias novas foram surgindo, uma enxurrada incontrolável. Logo, percebi que seria muita coisa para incluir em um único livro, e passei a separar essas ideias, categorizando-as de maneira mais coerente. No final desse levantamento, notei que havia três eixos principais de enredo: a apresentação da minha visão particular dos lobisomens e sua interação com o meio ambiente, em cenários predominantemente rurais (Fúria Lupina Brasil); conflitos territoriais e o choque das personalidades do homem e do lobo no submundo do crime, em um cenário onde prevalecem os subúrbios (Fúria Lupina América Central); e finalmente o lado mais místico do mito, uma discussão sobre como criaturas dessa natureza sobreviverão em um mundo tecnológico como o atual (Fúria Lupina Austrália).
Cada livro é um arco de histórias fechado, com início, meio e fim, não sendo assim uma trilogia onde um livro é a sequência obrigatória do enredo do anterior. Alguns personagens são reaproveitados, mas cada trama é independente e aborda assuntos distintos.

Você é português, mas vive no Brasil desde a infância, sendo assim um ilustre brasileiro de fato. Há portanto, uma influência ou ligação entre a Literatura Brasileira e a Portuguesa em sua obra?
Com a literatura portuguesa tive pouco contato, apreciando algumas obras clássicas de Eça de Queirós, Fernando Pessoa e Luís de Camões. Dos autores contemporâneos, conheço apenas o trabalho de José Saramago. Como o meu direcionamento é mais voltado ao fantástico, acabei sendo pouco influenciado por esses expoentes da literatura portuguesa. Da literatura tradicional brasileira também tive pouca influência como escritor, apesar de, como leitor, eu ter apreciado bastante os autores clássicos do Brasil.

Você, genialmente, inicia sua trama com um enigma que se estende por algumas décadas para eclodir no ano de 2009. Essa linearidade representa um aditivo de suspense em uma obra de terror? É uma aposta do livro numa fusão de gêneros literários?
Eu arriscaria dizer que o Fúria Lupina não é uma obra puramente de terror. Não adotei uma autoimposição de gênero quando escrevi, apenas deixei fluir a escrita. O clima geral é um tanto sombrio, mas pode-se encontrar traços de outros gêneros no trabalho. Essa pluralidade é comprovada pelo retorno que tenho de leitores que não apreciam a literatura de horror, mas que acabaram gostando do Fúria Lupina, por apresentar diversas situações distintas em seu conteúdo, como dramas pessoais, questões ambientais, desigualdade social, comportamento humano, violência e preconceito. Eu, sinceramente, tive certo receio dessa mescla de conteúdo conforme ela foi surgindo, mas meus leitores beta aprovaram, e outras pessoas que tiveram acesso aos primeiros capítulos também elogiaram. Isso me deixou mais a vontade para prosseguir com esse estilo. A opinião isenta de outras pessoas sempre é um ótimo termômetro, para que o autor saiba se está conduzindo a trama da maneira correta.

Tendo estendido-se da Música para a Literatura, como você vê a aceitação do público diante dessas duas artes? Acredita que há uma preferência nacional? Ou trata-se de uma questão de níveis de incentivo diferentes para cada uma?
A música permeia o cotidiano dos brasileiros, independente de qual estilo musical cada um aprecie. Acredito ser a expressão cultural mais marcante, pois está presente na vida de todos, do mais rico ao mais pobre, do mais culto ao mais alienado das artes. Temos muita gente boa fazendo música por aqui, e acredito que incentivo sempre é válido, pois ainda carecemos de espaço e viabilidade. Os shows de bandas internacionais são muito caros, e bandas nacionais não têm todo o espaço que merecem.
Já na literatura, a situação é mais dramática. Eu vejo as pessoas cada vez mais afastadas da leitura, principalmente os mais jovens. Muitos dedicam seis, oito horas do dia a Orkut, Facebook, Twitter e Youtube, mas são incapazes de apreciar um livro por trinta minutos. As mesmas pessoas que reclamam que os livros são caros, não hesitam um segundo antes de comprar bens de consumo como o iPhone, por exemplo, que aqui no Brasil custa praticamente o dobro do que custa nos EUA e na Europa. É realmente preocupante sabermos que surge uma geração totalmente focada no imediato, que não consegue se concentrar em uma atividade específica por mais de dez minutos. Não vou me alongar neste tópico, senão iremos longe. Só sei que seria muito bom se essa regra virasse exceção, caso contrário, não quero nem imaginar qual será o futuro da cultura nas próximas décadas.


Fúria Lupina Brasil

A natureza lupina liberta. A natureza humana destrói.
Qual é a origem do mito do lobisomem? Maldição, doença, dom, herança ou eventos aleatórios? Ou será que todas essas hipóteses são aplicáveis?
Em Fúria Lupina - Brasil, as peças do quebra-cabeça são apresentadas no decorrer de algumas décadas. Quando, no ano de 2009, essas peças começam a se encaixar para formar a imagem final, homens e feras aparentemente desconexos entram em uma alucinada rota de colisão, que resultará em sangue, violência e morte.
Uma organização secreta, um grupo ecoterrorista, mercenários, lobisomens com variações de raça e conflitos de natureza humana permeiam toda a trama, que passa por Estados Unidos, México, Noruega, São Paulo e Mato Grosso, finalmente desembarcando na Amazônia brasileira, onde muitos destinos serão traçados.
Você está pronto para descobrir qual é o maior predador do planeta?

Autor: Alfer Medeiros
Editora: independente
Data de lançamento: 25/09/2010
Como adquirir: após o lançamento, no site http://furialupina.blogspot.com/

Origem do projeto: http://fwd4.me/cGT
Teor: http://fwd4.me/OBD
Primeiros capítulos: http://fwd4.me/cGL
Convite para o lançamento: http://fwd4.me/ZgL
Kits de lançamento: http://fwd4.me/cGN


Luís Delgado

Lugar ao sol do mercado

Marketing e Propaganda dão sempre excelentes artigos e podem ser comparados a uma fonte inesgotável de dicas, estratégias para autores iniciantes, experientes, de editoras grandes, pequenas, ou gráficas poderem descobrir ou aperfeiçoar técnicas para suas obras chamarem atenção no mundo literário.
No estudo do Marketing existe uma estratégia chamada de Estratégia de Penetração. Poderíamos simplesmente dizer que isso diz respeito a vender seu livro por um preço mais barato ao entrar no mercado para visar uma crescida rápida. Mas sabemos que as coisas não são tão superficiais assim, sem querer dizer aqui que são complicados por isso.
No artigo anterior, falamos sobre investimentos no livro como produto, sobre uma fonte para impulsioná-lo em seus primeiros passos. No ponto atual focamos mais precisamente numa fase posterior, onde o livro já está impresso, onde o autor já possui exemplares em mãos para venda direta, independente de ter sido uma cota à qual tenha tido direito, ou uma quantidade que tenha comprado.
O fato é que ao diminuir sua margem de lucro inicialmente em favor de abaixar o preço, você aumenta em divulgação, uma divulgação feita através dos consumidores, pessoas que compram seu livro e às vezes o recomendam a outros simplesmente por terem simpatizado com a relação qualidade/preço. Você pode considerar ainda que após a leitura, tendo gostado da obra, os leitores valorizem ainda mais a acessibilidade dada por você com essa diminuição inicial.
Faça promoções, sorteios, aposte na conquista de espaço e, posteriormente, quando seu nome estiver estabelecido no espaço que você determinou, que as vendas já tenham iniciado um bom ritmo, você pode rever os preços para aumentar seu lucro de uma maneira equilibrada, que não afaste o público que você conquistou.
Não é necessário prejuízo, e talvez por vender mais e mais barato você tenha até mais lucro do que vendendo pouco a um preço alto. Experimente mais essa ferramenta do Marketing.

Sucesso!
Luís Delgado

domingo, 12 de setembro de 2010

Juliano Schiavo

Hoje no Literária 15 recebo meu grande amigo Juliano Schiavo. Um escritor de formação Jornalística que está em sua terceira obra, um livro construído com uma narrativa hipnotizadora, capaz de prender a atenção do leitor do início ao fim.

Juliano vem para mostrar o imenso talento dos escritores nacionais quanto o assunto é vampirismo. Com um personagem singular, ornado de uma mentalidade complexa, influenciado por obras literárias que marcaram a história da literatura, nos leva a uma trama onde as palavras encatam e a trama fala como que de nós mesmos imersos em uma realidade fantástica.

O Silêncio das Mariposas é uma obra profunda, um livro altamente recomendado, tanto para quem curte o gênero, quanto para quem ainda não se aventurou nessa área.

Uma obra de arte que revela um autor talentoso, sensível ao mundo a sua volta, observador do comportamento humano. Não é mais um livro sobre vampiros, é uma história diferente, onde a linearidade é inteligentemente arquitetada, onde o narrador consegue empolgar acima do bem e do mal, um clássico do vampirismo, uma prova de que a Literatura Brasileira dos nossos tempos é um gigante, que tem muito a oferecer. É conhecimento, reflexão e ao mesmo tempo entretenimento.

Um trecho de O Silêncio das Mariposas:
"E foi após mirar a objetiva numa Colombina e num Pierrô, que reparei naquele ser de beleza andrógena e fascinante, que parecia flutuar entre a massa inerte e descontrolada. Tinha uma delicadeza e uma desenvoltura tão sensuais, feito um anjo pisando por nuvens humanas. Trazia apenas um ramo de flores na orelha. Se todos se escondiam por baixo de máscaras e se emolduravam de faces límpidas e sem máculas, ele era o único realmente com o rosto nu, que deixava transparecer a realidade. No Baile de Máscaras, o seu rosto era a verdade sem mentiras, a beleza sem retoques, a morte com vida. Fitei aquele ser de beleza andrógena e ele fugiu aos meus olhares, como se brincasse de esconde-esconde. Enfiei-me pelo turbilhão de braços, pernas e máscaras; mergulhei com voracidade pelas ondas humanas, que exalavam um hálito de prazer e sensações doces e efêmeras. Mas não conseguia achar aquele rosto sem hipocrisias, sem maquiagens, que vagava delicadamente sobre a grama orvalhada e se dissimulava no meio das máscaras e das fitas de cetim, que rodopiavam com a brisa de julho. Meu estômago enchia-se de mariposas cinzentas e eu começava a ouvir o cãozinho negro e triste, ladrando ao meu lado, me acompanhando em uma busca insana por aquele ser. Fechava os olhos e garimpava, em minha memória fotográfica, aqueles traços firmes, decididos, emoldurados de uma pureza cativante, sedutora, sexual. Abria minhas pálpebras e via as mãos lívidas dele, que se confundiam com a multidão eriçada. Corria meus olhos e as mãos se perdiam, como se acenassem pela última vez, dando um adeus."

O Silêncio das Mariposas, em suas próprias palavras, não é uma grande história, não há grandes feitos, apenas relatos. Mas mesmo assim, você construiu uma trama incrível, com uma personagem singular que narra a própria trajetória de vida. O que você levou mais em conta na escolha dos trechos que seriam relatados?
A princípio, tive que pensar como pensaria e agiria a personagem diante da história ficcional. Criei uma espécie de personalidade paralela enquanto escrevia e, assim, buscava enxergar pela ótica da personagem. Não é uma tarefa fácil, pois é necessário se envolver com a criatura que você dá forma. É um processo de imersão, diria que até de sofrimento quando sua personagem tem características melancólicas.
Ao começar a escrever, deixava a criatividade fluir. O problema que me afligia era tentar transformar certas situações relatadas em algo mais próximo da realidade possível. Mesmo se tratando de um texto com elementos fantásticos, eu não podia fugir de algumas regras básicas da literatura, como: descrição de cenas, diálogos, subjetividade. Acredito que o próprio desenrolar da história foi fornecendo elementos para a escolha das situações a serem relatadas.

Uma personagem sem nome e sem sexo, que revela o sofrimento e os prazeres de sua vida em morte. Como foi a escolha destas características para uma personagem vampira, sendo estes, seres geralmente marcantes e bem definidos, apesar da excentricidade?
Estamos muito acostumados, nessa sociedade midiatizada, ao que no jornalismo denominamos como lead, ou seja, uma estrutura de produção textual. Nesta estrutura sempre temos que responder a seis questionamentos básicos para que as pessoas possam entender o que aconteceu. Estas questões são: O que? Quem? Quando? Onde? Como? Por quê? Quis quebrar um pouco esta regra, eliminando o Quem (nome da personagem), Quando (a data do acontecimento) e Onde (o lugar onde ocorreu tudo).
Isso causa um estranhamento no leitor, o que é comum – e é o que eu também buscava. A personagem do livro tanto pode ser do gênero masculino, quanto feminino. Não importa onde ela nasceu e viveu. O que importa são seus relatos introspectivos, suas sensações ante as incertezas da vida (ou morte em vida). Enfim, o que está em jogo no livro são as reflexões da criatura vampira, ou seja, sua busca por tentar entender porque a vida dela é daquele jeito e como ela chegou a vivenciar tudo aquilo.

Há um universo riquíssimo em O Silêncio das Mariposas, como você mesmo diz, um drama psicológico. O que você utilizou mais, pesquisa ou intuição?
Foi intuição. Ao entrar na alma da personagem, pensando como ela pensaria, foi-me permitido escrever por intuição – não minha, mas a da personagem que criei. Confesso que, no decorrer da escrita, cheguei a ter momentos de melancolia, pois somatizamos muitas coisas que pensamos. E como tive que criar essa personagem sociopata e, acima de tudo, melancólica, senti o impacto dos pensamentos dela.

Vampiros são seres sombrios, sedutores, que sempre mantiveram uma essência. Apesar das mudanças da sociedade, autores sempre respeitaram alguns limites para não fugirem dessa essência. Como foi escrever sobre um ser tão milenar em meio aos nossos dias? Você operou alguma modernização na estrutura da lenda?
É uma tarefa complicada, pois existe toda uma lenda que está no imaginário popular. Mas confesso que não me importo quando as leis são quebradas na literatura, principalmente na fantástica. Este tipo de escrita permite a adaptação da lenda, pois escrever fantasia é ir além das amarras vigentes. A criatividade existe justamente para isso: inovar. É arriscado, mas necessário.
Destaco que a caracterização de minhas personagens sofreu grande influência de Anne Rice. Os vampiros dela, tal como os meus, não saem à luz do sol, dormem em caixões e são destituídos de gênero. Ao se transformarem em vampiros, o que os fascina não é a sexualidade, mas pequenas nuances de suas vitimas, como beleza, inteligência, poder, juventude, entre outros.

Conte-nos sobre a experiência de trabalhar com outros dois autores como foi em seu livro-reportagem Sociedade do Lixo.
Sociedade do Lixo é um livro-reportagem que desenvolvi em 2008. Ele foi escrito em parceria com meus amigos jornalistas Analúcia Neves e Lucas Claro como trabalho de conclusão de curso. Há seis histórias reais, que fazem uso do jornalismo literário-interpretativo, desvendando uma sociedade que vive, muitas vezes, esquecida: a sociedade do lixo. O livro está disponível para download gratuito http://julianoschiavo.blogspot.com/2010/02/livro-reportagem-aborda-historias-de.html Recebi vários e-mails de professores que utilizaram o material com seus alunos em sala de aula. Isso é gratificante, pois vemos que nosso trabalho serve de complemento escolar.

Consternado é outra obra sua dirigida ao público adulto. Você pretende lançar-se em direção a outros públicos algum dia?
Consternado é um livretinho que escrevi quando cursava jornalismo. É uma trama repleta de palavras de baixo-calão, humor, reviravoltas. Trata-se da história de Adônis, um cara com Complexo de Édipo, que vive com sua meio-irmã, Suzana. Ele delira entre momentos de lucidez e loucura. O livretinho também está disponível para download no link http://julianoschiavo.blogspot.com/2010/03/consternado-juliano-schiavo.html
Quanto à questão de se lançar a outros públicos, diria que a vida é uma caixinha de surpresas. Participei de um concurso literário em 2008 com um livro infantil. Ele ficou em 10 lugar. A editora disse que tinha interesse na publicação. Mas ate agora, não se posicionou.

Tendo uma formação jornalística, como você vê a relação da mídia com a Literatura Brasileira Contemporânea?
O que vou dizer não é nada além do que as pessoas sabem: a mídia é movida por interesses – seja monetário, político, cultural. Se uma grande editora investe na publicidade de um livro, a editora pauta a mídia e surgem matérias sobre o livro. Os jornalistas, em grande parte dos casos, em razão de uma série de fatores (a começar pela própria produção acelerada de notícias e falta de tempo), acabam por usar só o press-release que as editoras mandam. Não oferecem a essência ao leitor, ou seja, não analisam os livros como deveriam analisar. Oferecem apenas a estética agradável, o bonito, o que é vendável, ou seja, o press-release. Não se aprofundam. E quem perder com isso? É o leitor. E um veículo acaba por pautar outro veículo de comunicação. Se um dá uma matéria sobre o livro tal, outro deve dar também. É a lógica “o que eu outro tem, temos que ter”. E tudo se torna homogêneo, pasteurizado, sem sabor. Tudo acaba por ficar igual.
Mas há esperanças. Sempre há. Não posso generalizar, pois existem veículos de comunicação, principalmente os alternativos e a imprensa do interior, que fazem um trabalho diferenciado e buscam passar a essência, não o embrulho, ao leitor.






O Silêncio das Mariposas


O retrato de uma alma vampira

Vampiros, sangue, sensualidade. Três palavras que se misturam no livro O Silêncio das Mariposas, de Juliano Schiavo (Editora Multifoco, 214 páginas). Para quem gosta de histórias de vampiros, mescladas com ponderações sobre a “vida em morte”, O Silêncio das Mariposas surge no cenário para confundir e, ao mesmo tempo, envolver o leitor. Não há uma grande história. Há apenas relatos. Relatos de uma vida vampira.
Escrito entre janeiro e julho de 2.009, o livro traz em suas páginas uma personagem sem nome e sem sexo, que revela o sofrimento e os prazeres de sua vida em morte. Transformada em vampiro, seus instintos e sensações se aguçam. Os relatos, que parecem ter sido sussurrados, oferecem ao leitor um retrospecto da infância da personagem até o desfecho de sua história.
“Trata-se de uma pessoa que não consegue amar ninguém e apresenta traços de sociopatia. Conquista a todos com seu sorriso, mas não se suporta mais. A vida, para ela, tornou-se um Baile de Máscaras, sendo necessário representar o tempo todo”, explica o autor.
De acordo com Schiavo, o título do livro O Silêncio das Mariposas é uma metáfora. As mariposas representam a ansiedade, pois vivem a se debater no estômago da personagem. Já o silêncio é o que tanto ela almeja: uma busca pelo fim de seu sofrimento tão latente.
“Nos relatos da personagem, há momentos de euforia e outros de depressão. Uma bipolaridade não tão acentuada, mas presente, que molda sua personalidade. A trama tem um tom psicológico, de conflito mental, envolvendo drama, aventura, medo, angústia, prazer, sensualidade e reflexão. E é a partir da transformação vampira que todos esses pontos se unem e fazem com que a personagem, sem nome e sem sexo, relate sua vida e destaque seus sabores e dissabores”.
A inspiração para a história veio de alguns livros. “O que mais me motivou a escrever foi O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger, com seu Holden Caufield – um adolescente em busca de seu eu. Também não posso deixar de destacar o livro O Perfume, de Patrick Süskind, com seu Jean-Baptiste Grenouille, de personalidade sociopática. Para a criação das personagens vampiras, me inspirei em Entrevista com o Vampiro, de Anne Rice, com seu vampiro de Louis Pointe du Lac, que tem característica introspectiva”.


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Blog do livro "O Silêncio das Mariposas": http://www.osilenciodasmariposas.blogspot.com/
Download do livro-reportagem "Sociedade do Lixo": http://www.4shared.com/file/113313866/26b709ab/sociedade_do_lixo.html
Trailer do livro-reportagem "Sociedade do Lixo": http://www.youtube.com/watch?v=vDkRY9jL-ok


Luís Delgado